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Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
13 de out. de 2021
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Exposição "Thierry Mugler: Couturissime" em Paris é imperdível

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
13 de out. de 2021

Desde a sua inauguração durante a Paris Fashion Week, fashionistas, fãs e turistas estão destacando nas redes sociais a exposição retrospectiva "Thierry Mugler: Couturissime" organizada no interior do Louvre e que é essencial para a compreensão do mundo do costureiro e da marca. 


Um visual utilizado pelo MAD na retrospectiva - Foto: Cortesia do Musée des Arts Decoratifs


Thierry Mugler foi um dos líderes de um pequeno grupo de designers com sede em Paris conhecidos como "créateurs de mode", um grupo restrito altamente talentoso que revolucionou a moda francesa no início dos anos 70, abrindo caminho para que toda uma geração lançasse as suas próprias marcas. Como explica cuidadosamente a retrospectiva "Thierry Mugler: Couturissime", vigente até 24 de abril de 2022, no interior do Museu de Artes Decorativas (MAD) do Louvre.

Nascido em 1948 em Estrasburgo, Mugler sonhou em ser bailarino e até se juntou a um corpo de ballet antes de se mudar para Paris aos 20 anos. Aí trabalhou numa boutique hipster antes de colaborar como designer freelancer e lançar a sua primeira marca, Café de Paris, em 1973.  No mesmo ano, um grupo de designers americanos – onde se incluem Halston, Bill Blass e Oscar de la Renta – superou estrelas francesas locais como Yves Saint Laurent e Hubert Givenchy na lendária "Battle of the Designers", no Chateau de Versailles, graças a técnicas de produção superiores. Um evento narrado pela Netflix na sua recente série Halston.

Um ano depois, Mugler criou a sua marca e desde o início encenou desfiles de coleção com a sua silhueta de supermulher de ombros largos imediatamente reconhecíveis; e heroínas de assinatura Catwoman-meets-Barbarella.

Em 1984, quando apresentou o desfile do 10.º aniversário, Mugler organizou um super show onde o público podia comprar bilhetes, e 6.000 pessoas amontoaram-se no Zenith num espetáculo digno de Cecil B. DeMille. Nesse mesmo ano, o presidente Mitterrand recebeu os criadores no Elysées Palace e proclamou publicamente que a moda é uma arte.


Look da coleção de alta-costura 'Les Insectes', para a primavera-verão 1997, em colaboração com Abel Villarreal - Foto: Patrice Stable


Uma indicação do aleatório VIP de Thierry é a lista de indivíduos (ou propriedades) que contribuíram com imagens e fotografias para a retrospectiva – Lady Gaga, Madonna, Celine Dion, Jean-Baptiste Mondino, Karl Lagerfeld, Guy Bourdin, Helmut Newton, David LaChapelle, Joey Arias, Ellen Von Unwerth, Gisele Bundchen e Arthur Elgort, entre outros, em mais de meio século cultivando generosos amigos.

No entanto, o coração da exposição surge após 1992, quando Thierry criou o perfume global "Angel" com a Clarins, permitindo-lhe ainda mais liberdade financeira para se entregar às suas maiores fantasias. Tal como o notável período de inspirações mecânicas, com modelos da Cadillac e Harley Davidson, nos seus últimos desfiles de moda de uber-luxe, brilhantemente capturado no famoso vídeoclipe, "Too Funky", de George Michael. O vídeo na exposição apresenta a edição de Thierry e não a de George, numa das muitas disputas criativas que caracterizaram a sua dramática carreira. A personalidade errática travando batalhas com a Women's Wear Daily também não ajudou muito ao negócio. Mugler foi sempre uma mistura curiosa de burguês cavalheiro, como natural da cidade onde nasceu, e de supremo festeiro.

 


Mas como alguém que assistiu ao show ao vivo original, "Too Funky", no interior do Palais de Tokyo, e ainda como jovem jornalista, lembro a sensação de empolgação revolucionária e de moda a deitar abaixo um regime antigo moralista, o que foi tremendamente excitante. Um momento raro que provavelmente nunca será repetido na moda.

No entanto, o ponto alto da exposição são duas coleções mais tardias e absolutamente convincentes, 'Les Insectes' de 1996, com surrealismo biológico, e 'La Chimère' de 1997, com as suas encarnações de beleza régia de fantasia como o terno de veludo vermelho da imperatriz Tonkinoise. O melhor de tudo, o absolutamente espantoso vestido 'La Chimère' em escamas, penas e cristais, usado por Yasmin Le Bon, como uma deusa biomórfica que predomina e humilha os melhores esforços da tecnologia gerada por computadores.

A exposição apresenta também múltiplos exemplos da própria fotografia de Mugler – a mais memorável das suas primeiras fotografias de belezas louras amazônicas empoleiradas precariamente em edifícios góticos estalinistas em Moscovo, numa altura em que era quase impossível visitar a União Soviética. E, mais intrigante, o seu desenho para uma versão sombriamente surrealista de Macbeth, apresentado com meia dúzia de looks e uma série fantástica de hologramas.

Como muitos outros designers fundadores de maisons importantes, desde Coco Chanel a Jean-Paul Gaultier, também a maison Mugler acabou por ser engolida pelo proprietário da sua licença de perfume. Embora, como os dois referidos colegas, também escreveu um capítulo essencial na história da moda, que esta mostra encerra de forma brilhante.

Se você fora à Paris nos próximos seis meses, não perca.
 

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