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Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
24 de mai. de 2021
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Esteban Cortazar evoca juventude em Miami em associação com a Desigual

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
24 de mai. de 2021

O estilista colombiano-americano Esteban Cortazar – que cresceu em Miami (Flórida) e iniciou a sua carreira na moda para adolescentes – voltou aos seus dias de pré-adolescência de halcyon hipster dos anos 90, em Miami, para uma nova parceria com a marca espanhola Desigual, lançada na quinta-feira (20 de maio).

‘Cada día es para siempre’: collaboration announcement | Desigual x Esteban Cortázar


Uma coleção-cápsula de 15 peças, que estreou online,  parte de uma estratégia recente para renovar a marca Desigual para algo mais fresco e mais sustentável.
 
A coleção – intitulada Desigual loves Esteban Cortazar – mistura, desde a fotografia de rua artística de Andy Sweet; cores Art Déco kitschy e até imagens gráficas arrojadas do pai do designer – o pintor, poeta e escritor colombiano Valentino Cortazar.
 
Desde que o sucesso do designer então adolescente explodiu nas passarelas de Nova Iorque, Cortazar tem atraído a atenção com o seu mashup de estampas da vida selvagem, imagens colombianas e discotecas cool, como produto de um jovem que passou longos períodos em Ibiza. Esta coleção unissex – com looks em jeans; maiôs, vestidos de cocktail e até camisas masculinas tem muito do seu DNA latino – de "animal" de festas.

O site FashionNetwork.com conversou o designer de 37 anos – que comemorou o seu aniversário esta semana – via Zoom, a partir do Hotel Standard, em Miami.


Campanha publicitária da coleção Desigual loves Esteban Cortazar - DR


FashionNetwork.com: O que o atraiu para a Desigual e porque foi convincente?
Esteban Cortazar:
Aconteceu muito espontaneamente, muito naturalmente, não era uma marca à qual eu estivesse ligado, nem sequer conhecia as origens. Eu a via em diferentes países e cidades e vi que ela te, um grande número de fãs na América Latina. Além disso, obviamente, vou a Espanha o tempo todo. E, nos últimos anos, comecei a ficar intrigado. Conheci pessoas que trabalhavam com a empresa e me tornei amigo e começaram a me convidar para as instalações que fazem no Art Basel em Miami, ou para os festivais de música em Barcelona. Assim, comecei a ver todas estas comunidades de artistas que a Desigual atrai. A marca tem apenas boas vibrações e o melhor escritório que já vi em toda a minha vida. Mesmo na praia de Barceloneta. Por isso, os colaboradores ficam observando o oceano o dia inteiro enquanto trabalham. Achei que era uma visão muito progressista de Thomas Meyer, o proprietário da Desigual. E além do mais foi fundada em 1984, ano em que nasci; e fundada em Ibiza, um lugar onde o meu pai viveu nos anos 70 e onde casou com a minha mãe. Assim, descobri que tínhamos mais coisas em comum. Queriam atrair um novo público, para renovar a marca, e eu considerei um grande desafio para mim. Então respondi: porque não? E deram-me a liberdade de fazer o que eu queria.
 
FNW: Quais são as memórias favoritas de Miami que queria evocar na coleção?
EC:
Uma das obras é do meu pai, intitulada El Beso – que é um beijo, e foi pintada em preto, branco e vermelho; muito ao estilo livre que ele desenvolveu nos anos 90 em Miami. Achei que era interessante trazer isso para a coleção. Depois há Andy Sweet que fez algumas das mais belas fotografias nos anos 60 e 70 em Miami de reformados com estilos muito excêntricos e que viveram em South Beach, antes de South Beach se tornar The Fashion Spot. Era realmente uma pequena e minúscula aldeia com uma praia incrível. Sempre adorei estas fotografias e quis incluí-las. Pensei que esta mistura entre fotografia e arte como colagem numa coleção Desigual resultaria em algo muito respeitador do seu DNA e do meu, porque passei por fases criativas com estampas e cores.

Não sei se realmente apreciei o fato de ter sido uma criança que cresceu  no topo do lendário News Café onde Gianni Versace ia todas as manhãs quando estava na cidade. Esta é uma história que muitas pessoas não conhecem. A moda começou para mim com o primeiro estilista que eu descobri e este foi Gianni Versace. Lembro-me de meu pai dizendo: "Oh, este cara é um estilista muito famoso", enquanto eu esperava meu ônibus escolar. A outra introdução interessante foi a de Todd Oldham, que também conheci quando era criança em South Beach, testemunhando as suas filmagens na praia; quando filmaram The Birdcage em 1995; supermodelos à espera de serem fotografadas por Patrick Demarchelier; a vinda de Donatella; os artistas; a cena da discoteca; todas as pessoas excêntricas e o flamboyant da cultura gay; e drag queens. Eu era uma criança crescendo em meio a algo que penso ser bastante único e que não acontece todos os dias.
 
Conheci pela primeira vez Miami em 1993. Me apaixonei e, na verdade, já há algum tempo que queria concretizar o projeto e fazer algo em torno desta história. Pensei que esta era a oportunidade perfeita. Também queria lançar uma coleção que os meus amigos pudessem usar, que fosse fresca e tivesse silhuetas fáceis, mas com estampas ousadas.


Looks masculinos da Desigual loves Esteban Cortazar - DR


FNW: Uma coisa que mudou muito desde esses dias foi a ideia de sustentabilidade, de um elemento ecológico, que é muito importante para Miami porque a cidade pode ser inundada eventualmente pela subida do nível do mar. De que forma você levou isso para a coleção?
EC:
Isto não é uma tendência. Não é uma fase. É uma responsabilidade e temos um longo caminho pela frente como indústria e, em geral, no mundo, de forma a sermos mais conscientes, responsáveis, amigos do ambiente, em tudo o que fazemos. E, esta foi uma das primeiras conversas que tive com a Desigual: como vamos buscar tecidos, como vamos desenvolver estas estampas ou quanta água vamos usar para desenvolver estas estampas. Podemos trabalhar com certos tecidos reciclados? Porque a Desigual é muito maior do que eu como marca, por isso os meus passos para ser mais sustentável são muito diferentes dos passos da Desigual para ser mais sustentável. Portanto, foi um desafio, mas também foi ótimo constatar que a Desigual também está na página de tentar fazer uma mudança.
 
FNW: O que o levou a querer colocar a obra de arte de seu pai na coleção-cápsula?
EC:
Fui obviamente inspirado pela arte do meu pai, que teve influência sobre mim desde pequeno; e no segundo show que idealizei para a Ungaro colaborei com meu pai, que concebeu algumas das gravuras. Mas isso foi há 10 anos. Depois comecei a colaborar mais com ele nos últimos anos, para a minha própria coleção, para moda de praia. Quando a Desigual me abordou para fazer esta colaboração, sendo que também adoram celebrar arte, colagens, cor, estampas, pensei como seria bom incluí-lo no projeto como se fosse algo pessoal. Quero continuar a trabalhar com ele, pois é bom trabalhar com meu pai.
 
FNW: Tem um casting de modelos altamente espectaular; latino e misto, com muitas reviravoltas. Fale um pouco de alguns personagens que utilizou?
EC:
Originalmente, íamos filmar a campanha em Miami. Eu queria mesmo trazer tudo pra cá, mas se tornou muito complicado por causa da COVID-19. Por isso, dissemos: OK, vamos levar South Beach para Barcelona. E fizemos isso recriando um conjunto de filmes Ocean Drive com hotéis Art Déco e pequenos cafés. Queria recordar através do elenco todas as coisas que acabei de mencionar sobre o que Miami significava para mim.


Looks masculino e femininos da Desigual loves Esteban Cortazar - DR


Quão diversa Miami era e continua sendo porque a cidade é um caldeirão de culturas latinas tão diferentes. Todos estes diversos grupos de pessoas criativas, desde os mais velhos excêntricos até às drag queens e às pessoas naturalmente bonitas. Queria de alguma forma fazer refletir sobre isto, através de um elenco atual. Foi por isso que escolhemos Daniela Santiago, que é uma atriz surpreendente da nova série na HBO, chamada Veneno, que conta a história de Cristina Ortiz Rodríguez, mais conhecida como La Veneno, uma das primeiras mulheres transgênero, reconhecida como um ícone trans pioneiro, que saiu da Espanha nos anos 90. E temos Yendry, uma cantora latina de renome; e Michelle Ellie, uma amiga pessoal que tem sido uma inspiração para mim, desde sempre. E as diferentes pessoas que descobrimos através do Instagram: desde um culturista; até à drag queen Alaska Nebraska. Tudo visto através dos olhos do rapazinho que, supostamente, sou eu na campanha publicitária.

FNW: Finalmente, o que quer que as pessoas pensem quando virem esta coleção?
EC:
Quero que se sintam bem; que se recordem da espontaneidade e da liberdade que nos falta a todos. Lembrem-se de como é bom dançar, e tenham otimismo de que haverá um nascer do sol e que as coisas vão melhorar. Para nos mantermos positivos. Isso sempre esteve na minha natureza, como também existe esse tipo de filosofia na Desigual. Gosto da marca porque ela não se identifica com um bazar de tendências, e não está copiando o que gira à sua volta. Tem o seu próprio ponto de vista. É ousada. Ou se gosta ou não se gosta, e isso é cool.

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