EssilorLuxottica: aumenta a tensão relativamente à futura administração

A Delfin, holding do principal acionista e presidente executivo da EssilorLuxottica, Leonardo Del Vecchio, disse na quarta-feira que certos comportamentos da Essilor constituem uma "clara violação" do acordo de fusão e das regras de administração do novo grupo franco-italiano.


Leonardo Del Vecchio

Reconhecendo que a reunião do conselho de administração da empresa, na segunda-feira, não resultou em nenhuma decisão para resolver o diferendo entre a Essilor e Leonardo Del Vecchio, fundador da Luxottica e detentor de 31% da nova entidade, a Delfin “reserva-se o direito de tomar as medidas necessárias ou apropriadas para proteger os seus interesses, bem como os da EssilorLuxottica e das suas partes interessadas".
 
Numa entrevista ao Le Figaro, Leonardo Del Vecchio insiste na questão dizendo que Hubert Saignières, CEO da Essilor, "só aceita aquilo que ele próprio propõe", acrescentando que "desde a primeira assembleia geral do novo grupo, a 29 de novembro, se comportou como se a Essilor tivesse comprado a Luxottica”.
 
Reagindo a estas acusações, uma fonte próxima da Essilor declarou: "Recebemos com surpresa e consternação o comunicado da Delfin" e os comentários de Leonardo Del Vecchio ao Le Figaro.

A parte francesa da entidade, que se tornou líder mundial em óculos e lentes oftálmicas, deverá fornecer esclarecimentos nos próximos dias.
 
Atraso no mercado de ações

A Essilor e a Luxottica fundiram-se no ano passado, mas desde que a gestão do novo grupo gera preocupações, os analistas acreditam que a divisão de poderes dentro do novo grupo não está clara e que as tensões poderão prejudicar o processo de integração operacional.
 
Em novembro, os comentários de Leonardo Del Vecchio deram a entender que este pretendia que o seu braço direito, Francesco Milleri, se tornasse diretor-geral, uma perspetiva que transtornou o lado francês.

Na semana passada - e é este o ponto de partida para a atual crispação entre os dois campos - Leonardo Del Vecchio propôs transferir algumas funções operacionais para Francesco Milleri, o que Essilor interpretou imediatamente como uma tomada de controlo do grupo pela Delfin.
 
Esta semana, a EssilorLuxottica solicitou os serviços de um caçador de talentos para recrutar um novo diretor-geral.

Em bolsa, a ação da EssilorLuxottica caiu quase 5% desde o início do ano, enquanto o CAC 40, da qual faz parte, aumentou 14%.

Leonardo Del Vecchio assegurou que a Essilor e a Luxottica estão a funcionar bem, dizendo que as sinergias de 400 a 600 milhões de euros previstas pela fusão serão realizadas em cinco anos, mais dois do que o inicialmente anunciado.
 
"(Essilor e Luxottica) continuam a funcionar bem do ponto de vista operacional. Existe um problema de administração, só issO. O bloqueio não vem de nós. Estamos dispostos a encontrar uma solução, mas é necessário que haja uma resposta do outro lado", concluiu Leonardo Del Vecchio.

Traduzido por Estela Ataíde

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