Empresa proprietária da Timberland anuncia que não comprará mais couro brasileiro enquanto os incêndios na Amazônia não cessarem

A VF Corp., empresa americana proprietária das marcas Timberland, Vans e The North Face, anunciou nesta quinta-feira (29) que não comprará mais couro brasileiro enquanto os incêndios na Amazônia não cessarem. 



Os incêndios florestais na Amazônia vêm ocorrendo há semanas, o que já levou a um exame mais aprofundado da indústria brasileira de carne bovina, um dos principais motores econômicos do país.

A holding VF Corp. informou que irá retomar a compra de couro brasileiro quando "tiver a confiança e a garantia de que os materiais utilizados nos produtos não contribuem para os danos ambientais no país”. A medida foi um dos primeiros sinais de um impacto econômico concreto decorrente da controvérsia relacionada aos incêndios, que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro afirmou estar sob controle. Ambientalistas afirmam que os incêndios foram causados ​​por especuladores e fazendeiros imobiliários, pois é prática comum desmatar terras para uso agrícola.

Um relatório investigativo divulgado em julho pela mídia apontou que a JBS SA, a maior produtora de carne e couro do mundo, estava comprando gado de fazendeiros que operavam em terras que o governo disse que não deveriam ser usadas para pastagem. A JBS negou as informações, apesar de reconhecer a dificuldade de rastrear a origem de alguns gados.

Em comunicado, a VF Corp disse: "Como resultado de uma diligência detalhada, não podemos mais garantir de forma satisfatória que nosso volume de couro comprado de fornecedores brasileiros mantenha esse compromisso de fornecimento responsável”. A empresa americana tem sede em Greensboro, Carolina do Norte, e também é proprietária das marcas Dickies, Smartwool e JanSport. A companhia não informou o valor de suas importações brasileiras de couro ou quais seriam os possíveis mercados que poderia usar para suprimentos alternativos.

Na quarta-feira (28), em meio a relatos publicados por jornais sobre uma suposta  suspensão da exportação de couro brasileiro por parte de empresas internacionais em um boicote pela Amazônia, o Centro da Indústria de Curtumes do Brasil (CICB), principal grupo comercial de couro do Brasil, negou a informação. Em 2019, o país exportou 1,44 bilhão de dólares em couro bovino. Seus maiores mercados de exportação foram Estados Unidos, China e Itália, que juntos consumiram cerca de 60% da produção brasileira de couro bovino.

Traduzido por Novello Dariella

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