Desfiles masculinos de Milão: um esporte fino, uma moda lúdica

Uma brisa leve percorreu as passarelas milanesas durante a semana de moda dedicada à moda masculina, que se encerrou na terça-feira dia 25 de junho, irradiando com frescor e fantasias as coleções de prêt-à-porter para a primavera-verão 2014. Uma forma de exorcizar a crise que continua a pesar sobre o setor de vestuário italiano. "Depois da decepcionante estação que acaba de se encerrar, finalmente há propostas frescas e divertidas. Observamos coleções positivas com um belo equilíbrio, ao mesmo tempo masculinas, porém agradáveis e atraentes. O sportswear livrou-se de sua agressividade para se tornar um estilo muito mais leve e solto. Os homens podem se vestir com elegância, sem ter de recorrer ao traje social", resume Cesare Tadolini, titular da loja L’Incontro, de Módena (região central da Itália).
O esporte fino de Salvatore Ferragamo (Foto: Pixelformula)

O próximo verão se anuncia sob o signo de um esporte fino, despojado de detalhes técnicos demais, para se tornar cômodo no dia a dia e na cidade. Na verdade, um clássico revisitado e mais informal. Tudo é mais fácil, sem que se abra mão da elegância. Neste novo guarda-roupa masculino, as bermudas trazem cortes mais largos, inclusive extralargos. A jaqueta suplanta o blazer. A camiseta extralarga, em todo tipo de material, substitui a camisa. A malha desaparece, deixando espaço para um agasalho revisitado e um blazer de tecido stretch ou de algodão forrado. Ermanno Scervino propõe, por exemplo, elegantes ternos azul-claros com aparência de linho... que, na verdade, são confeccionados com brim.

O esporte é visto por todos os lados. Sapatos e shorts boxer vistos com a Prada, calças de equitação com a Gucci, cricket com a Moncler Gamme Bleu etc. A Inspiração náutica também não passa despercebida (Andrea Incontri, Salvatore Ferragamo) com agasalhos ultraleves de náilon japonês que se impõem como a peça indispensável do próximo verão. Sobretudos, casacos modernizados, parcas e gabardinas high-tech completam o visual. Os botões desaparecem, os zíperes se multiplicam. Se a maior parte das linhas ainda continua um tanto slim e coladas ao corpo, verifica-se um tímido retorno das calças um pouco mais largas e flexíveis. (Prada, Giorgio Armani). "As pessoas procuram conforto", analisa um comprador.

As faixas elásticas de Tapping com cores vivas, utilizadas pelos atletas para aliviar as dores, inspiraram em particular os designers. Versace as traz nas panturrilhas e nos musculosos bíceps de seus modelos. Faixas coloridas estendendo-se pelas roupas. A faixa retorna como tema, revisitada e apresentada em todas as coleções, seguindo uma linha um tanto gráfica. Com a Fendi, cintas bem visíveis entorno de um bolso imaginário, cintas adesivas nas mangas entorno dos bíceps; fitas laterais ao longo das calças, outras formando grandes riscos, como escapulários etc (Frankie Morello, Iceberg, Gucci etc.).
Efeito "tapping" da Versace (Foto: Pixelformula)

Os efeitos gráficos multiplicados, utilizados para valorizar as camisetas, jaquetas e blazeres. (Les Hommes, Salvatore Ferragamo). Os ternos se apresentam com tecidos estampados com micromotivos, com a combinação de diferentes desenhos entre a parte superior e a inferior. Os motivos e os efeitos tapeçaria se repetem com frequência nas coleções. Bordados e decorações mexicanas da Etro.

Dolce&Gabbana aborda o tema da mitologia grega na Sicília, com imagens de templos em ruína e medalhões com a efígie dos deuses estampados nos shorts, peças de tricô, blazeres, casacos etc. Roberto Cavalli se inspira nas facas, criando efeitos gráficos tipo caleidoscópios. Cenas da China antiga aparecem como se tivessem sido traçadas com lápis nas camisas de seda da coleção do estilista chinês Ji Wembo, que desfilou em Milão e, pela primeira vez, na Europa com sua marca Jiwembo.
As flores românticas da Gucci (Foto: Pixelformula)

Enfim, o tema botânica retorna como a grande tendência para o próximo verão, desde buquês de microflores passando pelas plantas exóticas. Blazeres, calças e casacos floridos vão trazer um toque de delicadeza e uma pitada de romantismo ao renovado guarda-roupa masculino (Gucci, Prada etc.), com cada estilista propondo sua própria interpretação do tema floral.

Os materiais estão cada vez mais sofisticados, tanto no que diz respeito a tecidos técnicos, quase impalpáveis, quanto aos de lãs finas e caxemiras cada vez mais leves. Os couros, apresentados com inúmeros tipos de tratamento e peças, chega como o carro-chefe do próximo verão (Trussardi, Diesel Black Gold etc.).

A paleta de cores retorna às tonalidades mais escuras e típicas das coleções invernais (bordôs, verdes garrafa, cinza-azul) "para não assustar demais o cliente chinês" avalia um comprador. O off-white, assim como todas as nuanças do palha e do bege, também são empregados com abundância. No entanto, o conjunto das coleções recebe aqui e ali toques divertidos de flúor e de cores vivas. Em particular, o laranja forte, que se encontra disseminado em todas as coleções.
Convite à viagem da Prada (Foto: Pixelformula)

A maior parte dos protagonistas do setor vê nesta escolha o reflexo de certa inquietude proveniente das Maisons, que parecem ter apostado, mais uma vez, na prudência. E neste clima de precariedade, a única linha de escape parece ser a viagem. Uma vontade de evasão, que se revela em cada uma das coleções, simbolizada pela mochila, proposta em versão extragrande e anunciada como a "it bag" do verão 2014.

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