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Por
Reuters
Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
5 de out. de 2018
Tempo de leitura
3 Minutos
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De Milão a Paris, peles preocupam empresas de moda

Por
Reuters
Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
5 de out. de 2018

Peças com peles foram escassas nas coleções de primavera apresentadas no mês passado em Milão e Paris, mas os dois principais centros do luxo estão um pouco longe de imitarem a London Fashion Week e eliminarem a presença de peles.

Fendi - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Milão - © PixelFormula


Algumas das principais marcas estão resistindo à pressão de grupos de defesa dos direitos dos animais e de consumidores mais sensíveis ao meio ambiente, alimentando um debate no setor que está longe de acabar.

A britânica Burberry e a Gucci, do grupo Kering, estão entre os mais recentes nomes famosos a abandonar a utilização de peles.

No entanto, a Fendi, por exemplo - marca propriedade da LVMH, com sede em Roma e famosa pelos seus casacos luxuosos - tem-se mantido firme relativamente àquele que é um dos seus elementos emblemáticos.

"Faz parte da nossa história... e cada um é livre de fazer as suas escolhas", disse Silvia Venturini Fendi, uma dos dois diretores criativos da marca romana, antes do desfile da Fendi em Milão.

Outros preferem não tomar partido. A francesa Hermès disse no mês passado que não havia tomado nenhuma decisão, e a Prada retirou as peles das campanhas publicitárias e manifesta desencorajar a demanda, mas não de todas as suas roupas, ainda que a utilização seja mínima.

MUITO PYTHON

A varejista online de luxo Yoox Net-A-Porter também abandonou as peles, e Los Angeles manifestou-se em setembro, proibindo a sua venda e fabricação dentro dos limites da cidade.

No entanto, são poucos os que abandonaram o uso de peles exóticas como o crocodilo - uma questão menos polêmica entre os consumidores, mas igualmente controversa para os ativistas, ainda que alguns fabricantes tenham investido nas suas próprias quintas para melhorar as condições de criação dos animais.

No desfile da Gucci, em Paris, as peles de cobra apareceram na forma de calças e vestidos, enquanto a Saint Laurent, do grupo Kering, apresentou botas de python. Em Milão, a pele de cobra marcou presença nas coleções da Cavalli.

Anissa Putois, porta-voz francesa do grupo de defesa dos direitos dos animais PETA, disse querer que as marcas abandonem todos os tipos de peles de animais, mas realçou que as suas campanhas contra o uso de peles foram as mais bem-sucedidas.

"O couro é o que tem o verdadeiro impacto na indústria", disse a designer vegan britânica Stella McCartney, depois de apresentar a coleção da sua marca em Paris na segunda-feira. "No entanto, qualquer coisa é melhor do que nada." As próximas semanas da moda focadas no inverno serão o verdadeiro teste do movimento fur-free, acrescentou McCartney.

Mas, com a sustentabilidade sendo a palavra de ordem para muitos no universo da moda, já houve quem argumentasse que as peles poderão ser mais ecológicas do que alguns materiais sintéticos, insistindo para que as peles não fossem desperdiçadas.

"Se pensarmos seriamente na sustentabilidade... é melhor usar couro e peles da cadeia alimentar do que despejá-los num aterro sanitário", disse Carlo Capasa, presidente da CNMI, a associação nacional de moda italiana, realçando ser necessário um enquadramento regulador.

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