Criadora da marca de sandálias VYK fala sobre os desafios de empreender moda no Brasil

Há pouco mais de um ano, a marca de sandálias VYK, da estilista Vicky Magalhães Gentil, vem conquistando especialmente as cariocas com um trabalho 100% artesanal, com produção criada e confeccionada no Brasil. Com apenas 25 anos, Vicky já rodou por todos os continentes. Sempre ligada nas últimas tendências, a estilista decidiu criar sandálias atemporais que agradam às mulheres, independentemente da idade. Para isso, defende que conforto e qualidade são conceitos indispensáveis aos calçados. Em entrevista ao Fashion Network, ela falou sobre o atual momento da moda nacional e os desafios de empreender neste segmento. Confira o bate-papo a seguir:


As sandálias VYK são 100% artesanais, com produção criada e confeccionada no Brasil - Divulgação

FASHION NETWORK: Por conta do novo momento do mercado da moda nacional, notamos que muitas neomarcas preferem aderir ao modelo de espaços coletivos de vendas, eventos e até mesmo dividir lojas com outras marcas do mesmo nicho. Para você, quais são as vantagens e desvantagens desse novo modelo de negócio?

VICKY GENTIL: É muito prazerosa a troca de informações  que temos quando estamos em grupo de marketplace ou quando se faz um evento com outras marcas que estão passando pelo mesmo momento. Não absorver nenhuma informação nova e útil é praticamente impossível. 

Quais são as maiores dificuldades de empreender no Brasil atualmente? 

VICKY GENTIL:  A mão de obra é bastante cara, principalmente no Rio de Janeiro. É o tipo de serviço que é muito influenciado pela economia do país - que não anda nada bem como sabemos - e acaba deixando uma lacuna em branco quando se trata de oportunidades de empregos e estudos de certas áreas. Afinal, o empregador também não está com dinheiro para investir no seu funcionário ou contratar um número necessário de pessoas para equipe. 

Você acredita que o Brasil já está mais consciente e adepto ao consumo slow fashion ou acha que ainda temos muitos passos para dar?

VICKY GENTIL: Sim, já existe uma consciência muito maior. No Brasil, temos muitas mãos talentosas, de bordadeiras a modelistas que aprenderam dentro da própria família, em que a mãe passou seu conhecimento para a filha(o). Mas isso pode se perder de vez se não tivermos mais espaço para eles, o que repito novamente: reflexo da economia que obriga muitas marcas, que sempre deram muito valor ao trabalho manual e à produção lenta, se verem com a necessidade de baratear custos de toda forma e apelar para produção em massa. 

- Quem é o consumidor VYK? (qual a média de idade, perfil, etc)

VICKY GENTIL: Nós atendemos bem idades entre 17 e 60 anos e adoramos essa diversidade. A consumidora da VYK é uma mulher que preza pelo conforto. Ela jamais vai usar algo esteticamente feio – a estética é muito valorizada e importante para ela também. 

A marca aposta na venda online? 

VICKY GENTIL: Sim, atualmente vendemos via Instagram, e-shop e Whatsapp. O cliente está com cada vez menos tempo e gosta de receber os produtos no conforto de casa para experimentar a hora que bem entender, sem ter que decidir sua compra no mesmo minuto, por exemplo, e comprar muitas vezes por impulso. A venda online possibilita dar esse “mimo” ao cliente. 

Tem planos de exportação?

VICKY GENTIL: Sim, muitos. Já estamos estudando uma proposta para exportação e em breve teremos novidades!

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