Criação portuguesa como um peixe na água em Paris

Há quem diga que Paris é a terceira cidade mais portuguesa do mundo, depois de Lisboa e Porto. E a moda não fica à margem da presença portuguesa na capital francesa, refletindo o seu potencial criativo e comercial através de vários desfiles e apresentações que procuram o seu lugar no movimentado calendário da Semana da Moda por excelência.

Diogo Miranda, primavera-verão 19 - Diogo Miranda

A decisão não é fácil para as marcas internacionais que apresentam as suas coleções fora do calendário oficial, hesitando entre ir à semana da moda, com a imprensa e os compradores internacionais concentrados na capital, ou criar o seu próprio espaço nas carregadas agendas dos mesmos, comandadas pelos ritmos das grandes marcas e eventos que atraem todas as atenções. E, embora a estratégia deva ser adaptada a cada marca ou criador, quando em dúvida, a união faz a força. E os portugueses perceberam isso muito bem.

Um claro exemplo disso é o projeto Portugal Fashion, a plataforma responsável pela fashion week do Porto, que apoia os seus criadores no estrangeiro. Nesta temporada, com a celebração dos desfiles de Diogo Miranda e Luís Buchinho na última quarta-feira, numa das salas da Universidade Paris Descartes. O primeiro, que estreou em Paris há três anos, propôs a coleção "Two Thousand Nineteen", inspirada na obra do fotógrafo Irving Penn. De linhas femininas e etéreas, Miranda desenhou "imagens e formas dramáticas; uma mulher segura, madura e independente" para as suas roupas, à imagem da modelo Carolina de Maigret, que atuou como madrinha do estilista, liderando a front-row e com uma sincera felicitação posterior no backstage.

"Para os designers portugueses é muito importante apresentar as nossas coleções em Paris, a cidade que nos permite mostrar nossa visão ao mundo", comentou com a FashionNetwork.com o designer portuense após um desfile no qual as silhuetas estruturadas, os volumes tridimensionais e as mangas de morcego foram os protagonistas, em desenhos de seda, crepe e linho que viajaram de tons nude ou pastéis para tonalidades mais escuras, do violeta ou bordeaux ao preto.


Luis Buchinho, primavera-verão 2019 - Luis Buchinho

Um discurso que coincide com o de Luis Buchinho, responsável por encerrar o dia no 6ème arrondissement depois de duas temporadas ausente. "Paris é a cidade onde são lançadas grande parte das tendências e onde as empresas de moda autorais mostram mais crescimento", comentou este, reconhecendo o impacto positivo do desfile de moda parisiense nas vendas da sua marca. Nesta ocasião, foi impregnado com a tradição japonesa Gyotaku, uma técnica de impressão natural que se refletiu nos desenhos de inspiração marinha, que jogavam com tons metalizados e texturas contrastantes que pareciam escamas. Uma coleção de complexidade técnica que apresentou "uma ligeira influência esportiva, com uma mistura de elementos mais 'couture', que acentuam a figura feminina com um efeito entre o casual e o sofisticado", explicou o designer. O resultado? Peças de aspecto futurista e cores disco, com um notável potencial comercial.

Os designers, que voltarão a desfilar na edição de outubro do Portugal Fashion, não estiveram sozinhos, num dia inaugurado com a estreia nas passarelas parisienses da empresa vencedora do Prêmio LVMH 2015, Marques’Almeida. Neste caso dentro do calendário oficial, os dois designers formados na Central Saint Martins apresentaram uma coleção de mulheres motoqueiras de estilo punk no Palais de Tokyo. Um momento que o também português Felipe Oliveira Baptista, diretor criativo da Lacoste até à última primavera, não quis perder.

Fátima Lopes, por sua vez, apresentou o seu 40º desfile de moda em Paris no dia 25, com uma coleção intitulada "Splash". Também sob o tema do mundo aquático, a consagrada designer homenageou o seu signo do Zodíaco, Peixes, entre cores cristalinas, brilhos e transparências. A representação portuguesa dará o seu toque final no dia 4 de outubro com a apresentação da coleção outono-inverno18/19 do veterano Joel Reigota Atelier, na concept store portuguesa eNeNe, na qual as peças estarão de seguida à venda.

Traduzido por Estela Ataíde

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