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COVID-19: Trump suspende viagens da Europa por um mês

Por
Reuters
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
12 de mar de 2020
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4 Minutos
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Washington (Reuters) - Donald Trump anunciou na quarta-feira que está proibindo cidadãos dos 26 países europeus do espaço Schengen de viajar para os Estados Unidos durante 30 dias a partir da meia-noite de sexta-feira (sábado 04:00 GMT) para combater a propagação da epidemia do coronavírus.

O Presidente dos Estados Unidos decidiu esta medida drástica ao tentar responder aos choques econômicos e de saúde causados pelo vírus nos Estados Unidos e enfrenta críticas de que não levou a ameaça suficientemente a sério. Esta restrição de viagem não se aplica ao Reino Unido, nem aos cidadãos norte-americanos.

Adoptando um tom austero num discurso à nação, Donald Trump também anunciou várias medidas econômicas destinadas a compensar o impacto do coronavírus nas empresas norte-americanas que enfrentam uma súbita queda na procura. Estas são as "medidas mais agressivas e abrangentes já tomadas na história moderna para combater um vírus estrangeiro", disse ele da Sala Oval da Casa Branca. "Estou confiante de que, continuando a tomar estas medidas duras, reduziremos significativamente a ameaça aos nossos cidadãos e acabaremos por derrotar este vírus rapidamente", acrescentou o presidente.

Depois de sugerir em seu discurso que o "comércio e frete" da Europa também seria banido, Donald Trump voltou atrás em suas observações, afirmando alguns momentos depois que "o comércio não será afetado de forma alguma". "A restrição bloqueia as pessoas, não os bens", disse ele no Twitter.

Os futuros sobre os índices da bolsa de valores dos EUA caíram enquanto Trump falava, já que os mercados temiam uma desaceleração adicional da economia. Donald Trump, cuja gestão desta crise de saúde pode pesar muito no período que antecede as eleições presidenciais de Novembro próximo nos Estados Unidos, não declarou o estado de emergência nacional. Seu objetivo era mostrar que ele tinha a situação sob controle, enquanto os democratas o acusavam de ter agido muito lentamente para fornecer testes de triagem aos americanos. Mas o anfitrião da Casa Branca não mencionou outras questões importantes, como acelerar a produção de equipamentos de teste e máscaras de proteção.


Donald Trump só anunciou uma restrição ao movimento de pessoas, não de mercadorias - Photo prise le 11 mars 2020/REUTERS/Doug Mills


Europa acusada de laxismo

No seu discurso, Donald Trump culpou a Europa por ser parcialmente responsável pela propagação do coronavírus nos Estados Unidos, onde a epidemia causou pelo menos 37 mortes e infectou 1.281 pessoas.

As restrições de viagem na Europa são semelhantes às que o Presidente dos EUA impôs à China quando o vírus eclodiu lá em dezembro passado e se espalhou rapidamente.

"A União Europeia não tem sido capaz de tomar as mesmas precauções e restrições de viagens para a China e outras áreas sensíveis. Como resultado, um número significativo de novos surtos nos EUA foi causado por viajantes da Europa", alertou Donald Trump.

A Ordem Executiva Presidencial, assinada por Trump, suspende a entrada nos EUA de estrangeiros que tenham viajado para os países do espaço Schengen nos 14 dias anteriores à data prevista de sua chegada aos EUA.

O Departamento de Segurança Nacional listou os países em questão: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, República Checa, Suécia e Suíça. O Departamento declarou que as restrições não se aplicam a pessoas com autorização de residência permanente nos EUA ou a familiares de cidadãos americanos.
 
Um diplomata europeu disse à Reuters que a administração Trump não havia trocado pareceres com a União Europeia ou notificado a decisão com antecedência, ao contrário do que o presidente americano sugeriu.

Num tweet publicado no início da manhã de quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que a situação seria revista mais tarde. Assegurou ainda que, para "evitar qualquer perturbação económica", a UE estava a tomar todas as medidas necessárias para conter a propagação do novo coronavírus.

O Departamento dos EUA publicou, também, uma nota no seu site, na passada quarta-feira, aconselhando os cidadãos americanos a reverem os planos de viagem devido ao impacto global da pandemia já a assombrar 120 países.

Enquanto os mercados americanos acusaram novamente o golpe contra o novo coronavírus, Donald Trump anunciou que iria tomar medidas de emergência para trazer apoio financeiro aos funcionários que estão doentes, colocados em quarentena ou junto ao leito de pessoas infectadas.

Donald Trump disse ter instruído o Departamento do Tesouro para adiar o pagamento de impostos, sem penalidades ou juros, para certas empresas e indivíduos impactados com COVID-19.

Com Eric Beech, Makini Brice, Phil Stewart e Andrea Shalal; versão inglesa Jean Terzian
 

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