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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
6 de abr. de 2020
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Coronavírus: grupos de luxo recorrem às suas economias para ajudar funcionários

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
6 de abr. de 2020

Manter empregos e salários, suprimir dividendos, reduzir a remuneração de executivos, e implementar iniciativas solidárias...é assim que o luxo está enfrentando a pandemia de coronavírus. Chanel, Hermès, L’Oréal, Tod's e OTB são alguns dos vários grupos de luxo que estão seguindo nessa direção para proteger seus funcionários diante da crise.


A Chanel foi a primeira grife a se comprometer com seus funcionários. - © PixelFormula

 
Muitos players estão se comprometendo, especialmente na França, sem esperar o chamado lançado em 31 de março pela Secretaria de Estado da Economia, Agnès Pannier-Runacher, que pediu para as empresas reduzirem a remuneração de seus gestores em 25%.

Enquanto várias marcas colocaram parte de seus funcionários em desemprego parcial, a Chanel foi a primeira a desistir desse recurso, sem hesitar em sacrificar seu balanço. Ela se comprometeu em manter 100% do salário de seus 8.500 funcionários na França por oito semanas, até 8 de maio. A grife francesa, cujo faturamento é de cerca de dez bilhões de euros, poderia, no entanto, reivindicar o dispositivo criado pela Bercy para preservar empregos, enquanto fechou todas as lojas na França, bem como suas oficinas francesas, onde emprega 7.500 pessoas.

Essa medida "é um ato cívico forte para não depender das contas públicas e permitir que o Estado se concentre em ajudar empresas mais vulneráveis ​​e o sistema de saúde", disse Bruno Pavlovsky, presidente da Chanel, em entrevista ao Le Point.
 
A mesma abordagem foi adotada pela L'Oréal. O grupo de cosméticos anunciou no final de março que não pretendia recorrer à ajuda do governo. Ele também decidiu manter "todos os empregos", sem recorrer ao "desemprego parcial na França até o final de junho, apesar da interrupção parcial ou total da atividade de várias categorias de funcionários em muitas áreas.

Manutenção de 100 % da “remuneração fixa” na L'Oréal

O grupo de cosméticos liderado por Jean-Paul Agon também "se comprometeu desde o início do confinamento", a manter 100% da "remuneração fixa" de "todos os seus funcionários na França, 13.400 pessoas", dos quais mais de 3.000 estão atualmente sem trabalho. Ele disse, entre outras coisas, que "não recorreria a encargos sociais ou fiscais (contribuições, impostos etc.) durante esse período".

A marca italiana Brunello Cucinelli também não prevê demissões. "Não cortaremos funcionários. Eu disse à eles que não perderão seus emprego porque temos trabalho. Vamos tentar nos manter focados e em 2021 vamos recuperar tudo”, disse o fundador da marca à Class CNBC.

A Hermès também é um dos players de luxo  mais generosos nesse período de crise. O grupo afirmou que "manterá o salário base de seus 15.500 funcionários na França e em todo o mundo sem recorrer a auxílios públicos excepcionais de diferentes estados, especialmente na França, renunciando ao sistema parcial de apoio às atividades”.

A maison localizada na rue du Faubourg Saint-Honoré, em Paris, fechou todas as suas lojas na França, bem como todas as suas fábricas, com exceção da Hermès Parfums, em Vaudreuil (Eure), mobilizada para a produção de álcool gel.

Quanto ao aspecto financeiro, os gestores da companhia renunciaram ao aumento de sua remuneração fixa paga em 2020 e de sua remuneração variável concedida em 2020 referente a 2019. O valor total de sua remuneração para 2020 será idêntico ao recebido em 2019, apesar da empresa ter registrado um aumento de 9% do lucro líquido, para 1.528 bilhões de euros. Quanto ao dividendo, o valor para o exercício financeiro de 2019 "será reduzido de 5,00 euros para 4,55 euros por ação", igual ao distribuído no ano fiscal de 2018.

Líderes da Tod's renunciam à compensação financeira e aos dividendos

Os irmãos Diego e Andrea Della Valle, respectivamente presidente e vice-presidente do grupo Tod's, seguem na mesma direção. Eles anunciaram durante o conselho de administração de 30 de março que iriam renunciar "à compensação que já havia sido decidida a seu favor para o exercício financeiro de 2020". Eles geralmente recebem 1,8 milhões de euros e 1,3 milhões de euros em remuneração anual, e a família detém 71% do capital da empresa.

Além disso, diante do cenário de agravamento da pandemia global de coronavírus e da atual emergência de saúde, o conselho de administração da Tod's decidiu não pagar os dividendos do ano fiscal de 2019, embora a empresa italiana tenha aprovado em 12 de março a distribuição de um dividendo de 60 centavos por ação, no valor de quase 20 milhões de euros. Em 2019, a empresa de calçados de luxo alcançou um faturamento de 916 milhões de euros e gerou um lucro líquido de 46,3 milhões de euros, sendo que 1% será utilizado em iniciativas de solidariedade.

O grupo de moda italiano OTB (Diesel, Maison Margiela, Marni, etc.), por sua vez, criou o fundo de férias solidário "Brave OTB" para seus funcionários. De acordo com os empregadores da indústria têxtil italiana da moda Confindustria Moda e da confederação dos líderes da Federmanager, a iniciativa prevê que os líderes italianos da empresa presidida por Renzo Rosso ofereçam voluntariamente um mínimo de cinco dias de suas próprias férias em termos de valor econômico para o fundo.

Assim, o valor arrecadado será distribuído entre os funcionários de menor renda ou entre os mais afetados profissionalmente pela epidemia de coronavírus.
 

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