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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
19 de mar. de 2020
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Coronavírus atinge varejo, viagens e fábricas no Brasil

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Reuters API
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
19 de mar. de 2020

A pandemia de coronavírus atingiu o varejo, o transporte e as fábricas do Brasil, e o governo parou de aceitar refugiados venezuelanos na fronteira.


Photo: Shutterstock


Durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (18), o presidente brasileiro Jair Bolsonaro informou que um segundo membro de seu gabinete, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de 61 anos, testou positivo para o coronavírus, juntando-se ao seu conselheiro de Segurança Nacional, Augusto Heleno, de 72 anos, que está em quarentena em casa sem sintomas. Bolsonaro testou negativo duas vezes, mas 14 pessoas de sua comitiva para a Flórida há 10 dias testaram positivo.

Com críticas crescentes à forma negligente com a qual está lidando com a crise, Bolsonaro realizou uma entrevista coletiva à tarde com ministros - todos usando máscaras - para anunciar medidas de emergência para conter o vírus e fortalecer a economia, incluindo assistência às famílias mais pobres e apoio a um setor de aviação em dificuldades.

Os mercados financeiros foram abalados pelo coronavírus, que está se espalhando rapidamente. O índice de ações da Bovespa de referência <.BVSP> caiu quase 15%, o rendimento dos títulos disparou e a moeda brasileira atingiu uma baixa histórica, com um dólar a 5,2 reais, antes que as medidas do banco central nos mercados de câmbio e de títulos ajudassem a reduzir as perdas.

Em um novo golpe para muitas ações do varejo, o governador de São Paulo, João Doria, recomendou o fechamento de shopping centers na região metropolitana. Vários operadores de shopping já haviam anunciado uma redução no horário de funcionamento.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) disse que a parada súbita nas viagens é a pior crise já enfrentada pelo setor de aviação no Brasil. A demanda por voos domésticos na segunda quinzena de março caiu 50% e as reservas internacionais caíram 85%, segundo a ABEAR. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a dívida das companhias aéreas será renegociada.

A General Motors (GM), a montadora mais vendida no Brasil, anunciou que dará férias coletivas a todos os trabalhadores a partir de 30 de março, sugerindo que a produção no setor automobilístico poderá cair drasticamente em breve.

FECHAMENTO DAS FRONTEIRAS

As fronteiras terrestres com oito países serão fechadas por quinze dias, para evitar maior propagação do vírus. O decreto não se aplica a caminhões que transportam mercadorias ou ajuda humanitária transfronteiriça previamente autorizada por autoridades de saúde.

Em outra restrição ao tráfego nas fronteiras, a Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) suspendeu por 60 dias todos os serviços de ônibus internacionais. Sete cidades vizinhas a São Paulo, a maior metrópole do Brasil, disseram que começariam a reduzir o transporte municipal até à paralisação total a partir de 29 de março.

Em 19 de março, o Brasil contabilizou 7 mortes por coronavírus, 621 infectados, segundo balanço oficial do Ministério da Saúde. Essa contagem pode subir de 2.300 e até 5.000 até 26 de março, disseram pesquisadores de três universidades brasileiras em um estudo.

As grandes cidades cancelaram grandes reuniões, suspenderam as atividades escolares e de lazer e estão incentivando o trabalho em casa. Mas críticos disseram que Bolsonaro minimizou a gravidade da situação e falhou em incentivar o distanciamento social desde o início. No domingo (15), ele não respeitou a quarentena, aplaudiu as manifestações públicas e tirou selfies com os apoiadores que fizeram uma manifestação fora do palácio presidencial.

Brasileiros lamentaram a forma como o presidente está lidando com a crise e bateram panelas gritando “Fora Bolsonaro" de suas janelas na noite de terça-feira (17) em São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades, em um protesto espontâneo.

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