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EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
8 de mar de 2021
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Conto de fadas sombrio da Dior transforma Versalhes em passarela

Por
EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
8 de mar de 2021

A Dior fez do Palácio de Versalhes palco para sua coleção outono-inverno 2021/2022, na segunda-feira (8), transformando seu famoso salão de espelhos em uma passarela na qual reinventou o uniforme militar e mostrou o lado mais sombrio dos vestidos de contos de fadas. 

 


"Esses mundos fantásticos não são de forma alguma um método de evasão, mas servem para questionar, rejeitar e ir além dos estereótipos", disse a empresa em um comunicado.

Sua estilista, a italiana Maria Grazia Chiuri, escolheu conscientemente a data, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para celebrar o desfile e lançar a partir dele um novo apelo ao feminismo.

Nesta ocasião não houve cartazes ou slogans reivindicativos de Chiuri, que disse ter se inspirando “no pano de fundo sombrio e nas personagens femininas complexas dos primeiros contos de fadas", combinando a delicadeza da renda inglesa com silhuetas acinturadas e botas militares, uma mistura de doçura e rebeldia.

Chiuri usou como ponto de partida a versão do conto "Chapeuzinho Vermelho" da escritora britânica Angela Carter, "uma magia feminina, reinventada, um caminho sutil para uma nova consciência".

Em 1979, Carter escreveu três variantes da famosa história em sua coleção "The Bloody Chamber" ("A Câmara Sangrenta"), na qual expôs algumas abordagens machistas contidas no conto original.

Assim, a Chapeuzinho Vermelho de Dior não se esconde atrás de um capuz, mas usa um vestido plissado até os pés com cauda e decote em forma de coração, e percorre os jardins obscuros do palácio sem ter medo do bosque ou da noite.

Os vestidos plissados, um design revisitado por Chiuri a cada coleção e que conquistaram os tapetes vermelhos, também apareceram, nas cores rosa-claro e verde-esmeralda.


Uniforme feminino


Coleção outono-inverno 2021/2022 - Dior


Esta foi a nota mais colorida de um desfile marcado pelo preto e o pelo cinza chumbo, que combinados com blusas brancas de algodão serviram para renovar o uniforme militar em versão feminina.

Um mini vestido com blusa e botas militares, uma camisa reta e bordada com uma saia midi triangular, ou um terno sob medida com minissaia e capuz renovaram o look office.

Em sua busca para criar um guarda-roupa básico, nos últimos anos, Chiuri trouxe de volta o macacão, que conseguiu transformar em tendência, e a estética militar, com um toque boêmio e setentista, mas sem descuidar da feminilidade da Dior dos anos 50.

Assim, um conjunto de calça masculina e camisa branca foi combinado com uma jaqueta shearling, cap de piloto de couro e maleta, enquanto a clássica jaqueta "Bar", criada pela Dior em 1947, foi combinada com uma minissaia plissada ou, em uma versão mais madura, com uma saia volumosa até os pés.

Casacos militares retos, trespassados ​​e até os tornozelos foram alternados com vestidos de princesa, e calças curtas estilo "culotte" com botas de cano alto até o joelho.

A italiana apresentou vários looks que pareciam ter sido inspirados no guarda-roupa de Elizabeth II da Inglaterra, como os casacos acolchoados, as saias até o meio da panturrilha e os lenços de cabeça que a monarca usava em suas visitas ao campo, como foi recentemente relembrado na série "The Crown".

O vídeo criado para a apresentação reforçou a aura de mistério que destilou a coleção, batizada de "Disturbing Beauty" ("Beleza perturbadora"). O evento aconteceu no penúltimo dia da Semana da Moda de Paris, que foi realizada em formato digital devido à pandemia.

A luz da lua parecia iluminar a sala ao se refletir nos cristais das lâmpadas, enquanto as modelos desfilavam com passo firme e um grupo de dança dançava tentando evitar blocos de espigões instalados nos espelhos.

Uma metáfora óbvia de Chiuri sobre a perigosa e árdua tarefa de se aceitar tentando se enquadrar nos cânones da beleza impostos às mulheres.

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