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4 de mai. de 2010
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Como enfrentar a queda do euro?

Publicado em
4 de mai. de 2010

O sonho de grande parte das empresas brasileiras é entrar no mercado europeu. De um tempo para cá, porém, com a crescente valoriazaçao do Real frente au Euro, o glamour de ver seu produto nas vitrines de Paris ou da Itália tem virado dor de cabeça.


Victor Dzenk: problemas com a flutuação cambial


Com o câmbio flutuante no Brasil, a moeda tem se valorizado frente às demais. Há três meses, cada euro valia R$ 2,61. Ontem (2 de maio) o euro estava sendo vendido a R$ 2,31. Só para se ter uma idéia, há um ano, o euro estava valendo R$ 2,91.

Com o euro mais barato, o produto brasileiro chega na Europa mais caro. Um vestido que custasse 100 reais para o atacadista europeu era comprado por 38 euros; hoje, é comprado por 43 euros. Esta oscilação tem feito com que as empresas busquem alternativas para não ter que deixar de lado o espaço conquistado.

A marca Victor Dzenk começou a exportar há três anos a uma taxa de aumento de 30% a cada ano. Hoje, tem 18 clientes externos, em países como Inglaterra, Australia, Cingapura, Quatar, Kwait e Dubai. Ao entregar a coleção de verão para o Oriente Médio, em agosto do ano passado, teve uma desagradável surpresa. Na hora de fechar o pedido, o comprador paga 30% da compra, mas a maior parte, 70%, é dada ao receber a mercadoria, cerca de três meses depois.

Durante este período, o euro passou de R$ 2,85 para R$ 2,2 o que representou uma queda de 19% do valor total da venda. “Eu tenho pedidos prontos que estão parados na fábrica, pois eu estou esperando que o euro aumente”, afirma Ana Elisa Dzenk, socia-diretora da empresa.

Para contornar o problema, ela tem feito uma estimativa do máximo que o euro pode cair em um determinado período e tabulado o produto a partir deste valor, pois caso a moeda européia caia mais, o prejuízo não será tão grande. Ou seja, a diretora estipula uma margem mínima para amenizar as possíveis perdas. “O problema é que o meu produto encarece”, observa. “Mas eu não tenho mais o que fazer. Não posso simplesmente parar de atender aos meus clientes externos que têm comprado da empresa as últimas seis coleções”, acrescenta.

O empresário Wolnei Piacini, proprietário da marca brasileira Wolp também enfrenta o mesmo problema. Atualmente, a empresa vende para a Alemanha, Grécia, Turquia, Portugal, Itália, Rússia, entre outros países. Apesar das exportações representarem apenas 5% do total de vendas, é estrategicamente importante pela visibilidade no mercado internacional. Para burlar o problema, ele tem investido em duas áreas diferentes. “Por um lado, temos mudados alguns materiais para que sejam mais baratos, sem perder a qualidade; e por outro, temos apostado em alguns produtos mais arrojados e com mais design para que possa concorrer com o mercado externo com um preço maior”, explica.

É exatamente isso que o diretor da ApexBrasil (programa de exportações brasileiras) sugere ao ser indagado sobre como os brasileiros vão enfrentar a concorrência externa com produtos mais caros. Sem dar muitos detalhes, ele aconselha que as empresas foquem no diferencial. “Não podemos fazer produtos que concorram apenas com o preço. Precisamos desenvolver peças que tenham tecnologia e designer para concorrer externamente”, opina Mauricio Borges.

A jornalista foi convidada a cobrir o evento pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, por meio do programa TexBrasil.

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