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UseFashion
Publicado em
10 de fev. de 2010
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3 Minutos
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Como aprimorar o sapato brasileiro

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UseFashion
Publicado em
10 de fev. de 2010

Há 27 anos atuando como designer de calçados, Mauricio Medeiros focou, há 8, no segmento de luxo. Neste ano, além de suas coleções, decidiu lançar o projeto “Memórias do Fazer” dentro do Inspiramais, salão de design e inovação de componentes para couro, calçados e artefatos, realizado entre 3 e 5 de fevereiro em São Paulo (SP).


Mauricio Medeiros (à esquerda) ensina antigas técnicas para o acabamento dos calçados


Em parceria com o artesão italiano Amadeo Rivellini, a oficina teve o objetivo de mostrar aos participantes técnicas antigas que podem ser resgatadas para melhorar a qualidade dos produtos brasileiros. O estilista conversou com a UseFashion sobre o projeto e afirmou que essa foi a 1ª edição de muitas outras.

UseFashion – Como surgiu o projeto “Memórias do Fazer”?
Mauricio Medeiros – Surgiu numa viagem de 1 ano e meio atrás que eu fiz ao Politecnico di Milano e visitei o Museu do Calçado, que tem uma história de produção de longa data. Ali, surgiu a ideia de resgatar a memória (e daí o nome “Memórias do Fazer”), de como aprimorar o calçado, com quem melhor sabe fazer.

UF – Você pretende seguir o projeto adiante, realizando-o periodicamente?
MM – Esta é a 1ª edição. A ideia é que se repita a cada temporada, com um técnico especialista, um verdadeiro sapateiro de qualquer parte do mundo que nos traga a melhor a técnica para se fazer, ou ainda ressaltar uma prática que já se tinha para poder qualificar o calçado brasileiro.

UF – Então qual é a importância desta inciativa e no que você acredita que ela pode influenciar a produção brasileira?
MM – Ele não influencia tanto na criação, mas na execução, na maneira de fazer. O sapato italiano é melhor do que o brasileiro porque tem uma técnica diferente da nossa, não pela sua história mais desenvolvida. O Brasil tem designers com atributos suficientes para o cenário internacional, mas a técnica da Itália resulta em um sapato mais bem acabado. Não é somente pela história que o produto é melhor, mas pela maneira de fazer.

UF – Há alguma técnica que você possa usar como exemplo?
MM – Neste evento, nós focamos na confecção manual, sobretudo com o objetivo de resultar numa montagem de forro tão liso quanto o próprio cabedal. Esse é o principal objetivo da apresentação do “Memórias do Fazer”: mostrar como a técnica à mão pode deixar o acabamento mais bonito. Por exemplo, Amadeo pediu para que o forro não fosse colado no cabedal, como é feito no Brasil. Na confecção manual, não deve haver cortes no forro, que precisa ser do mesmo tamanho do cabedal.

UF – A parceria continuará sendo com Amadeo Rivellini?
MM – Não necessariamente. A ideia é que o “Memórias do Fazer” ocorra dentro do Inspiramais, sempre com uma técnica nova. Se nós pudermos trazer o professor Rivellini novamente, melhor, porque é alguém que já tem convívio conosco e tem 47 anos de experiência, ou seja, uma vida profissional inteira dedicada. Além do que, ele já trabalhou muitos anos produzindo Manolo Blahnik, e Manolo é uma referência internacional em sapatos. Mas em outro momento podemos pensar em uma técnica que talvez tenha na Índia, por exemplo. Não necessariamente precisa ser italiana.


Fotos: Divulgação e UseFashion
Juliana Wecki

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