Christian Dior: alta-costura circense

A Alta-Costura tem um novo mestre de cerimônias: Maria Grazia Chiuri, que realizou um desfile muito evocativo e inspirado no circo em uma tenda no Museu Rodin, na segunda-feira à tarde.


Dior - Alta-Costura - Primavera-Verão 2019

A Dior é tradicionalmente o desfile mais esperado do dia de abertura da temporada da alta- costura, que dura quatro dias e, nesta temporada, Maria Grazia Chiuri certamente não decepcionou. Em uma de suas coleções mais fortes até hoje na Dior, a estilista romana injetou magia, mistério e o melodrama do circo em quase todos os looks.

Seu ponto de partida foi sem dúvida a mais famosa fotografia em preto e branco de todos os tempos, feita por Richard Avedon, da modelo Dovima usando Dior e posando com um elefante dentro do antigo Cirque d'Hiver de Paris. Chiuri também incluiu referências ao cinema de Fellini, aos artistas de circo do Período Rosa de Picasso e aos dançarinos de Sergei Diaghilev.
 
A coleção também destacou como Chiuri está no controle de seu ateliê: as petites-mains  trabalharam sua magia, utilizando a técnica francesa de 'éffilochée', ou seja, de desfazer uma bainha para transformá-la em uma pequena nuvem; ou bordando grandes felinos fantasmagóricos, elefantes e malabaristas em vestidos de noite diáfanos; ou usando a brilhante casa de bordar francesa, Hurel, para completar um notável vestido rosa que parecia polvilhado e mergulhado em cristais em miniatura.

"Fantástico, criativo, caótico, o circo sempre foi uma grande inspiração para tantos artistas. As dimensões são realmente incríveis", explicou Chiuri, que conectou tudo com Roma, sua cidade natal, fazendo referência a Jean Cocteau, que desenvolveu o balé "Parade".

O desfile da Dior começou com a apresentação de Mimbre, trupe circense de acrobatas de vanguarda, com sede em Londres, composta inteiramente por mulheres, vestidas com collants Dior, injetando um toque feminista. Com o tema do circo agregado ao figurino, em caudas e fraques magnificamente cortados, usados com camisas brancas de chiffon com golas de marinheiros. 

Toda a equipe de Chiuri estava em sintonia. A maquiagem habilmente criada por Peter Philips deu ao elenco as lágrimas do palhaço, adicionando crânios de cristal. Um elenco indie, jovem e auto-confiante, selecionado por Michelle Lee. Uma tenda gigantesca foi feita pelo Bureau Betak à mão com vigas anguladas e complementada com assentos de veludo dourados. A trilha sonora era minimalista, com Steve Reich, definindo o ritmo exato, cortesia do arquiteto de som, Michel Gaubert.

“A moda é diferente hoje. Para mim, a Alta-Costura tem a ver com leveza e vestidos feitos com uma certa atitude para refletir o caráter de uma mulher", acrescentou Chiuri, que foi generosamente ovacionada ao término do desfile.

 

Em alguns momentos foi literal demais, mas sempre com uma sensação de élan, como os vários vestidos rib-cage, mas no geral foi majestoso. Destaque para os maravilhosos vestidos plissados com ​​listras douradas e organza com bordados de lantejoulas. Ao final, a audiência mais difícil da moda, a da alta-costura de Paris, fez gestos profundos de apreciação. Este desfile foi uma vitória substancial para Chiuri, o encontro de sua rica imaginação; um ateliê dedicado; uma equipe trabalhando duro e um pouco de magia de circo. É por isso que as mulheres mais ricas e bem vestidas do mundo sempre vão sonhar em visitar a Alta-Costura de Paris. Não há literalmente nada como isso em lugar algum.

Traduzido por Novello Dariella

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