Carven: um novo parceiro para relançar a marca?

A direção da Carven ainda não se rendeu. A marca francesa, propriedade, desde 2016, do fundo Bluebell, de Hong Kong, e da qual Henri Sebaoun se mantém acionista minoritário, foi colocada em recuperação judicial no final de maio. Ainda que tenham sido apresentadas três ofertas públicas de aquisição no tribunal comercial de Paris, está sendo estudada a implementação de um plano de recuperação credível. Para isso, está envolvido no projeto um novo parceiro financeiro e estratégico, que será, de acordo com as nossas informações, sempre liderado por Sophie de Rougemont: trata-se de Emmanuel Diemoz. A direção atual está tentando elaborar um plano de recuperação com a ajuda do antigo CEO da Balmain, confirmou uma fonte próxima ao assunto.


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Carven - outono-inverno 2018 - © PixelFormula

O dirigente deixou a Balmain na primavera de 2017, oito meses após a aquisição da maison pela Mayhoola for Investments, veículo de investimentos controlado pela família real do Qatar. Emmanuel Diemoz foi um player importante na espetacular reviravolta da Balmain. Depois de chegar à marca em 2000, trabalhou em estreita colaboração com o antigo presidente do conselho de administração, Alain Hivelin, primeiro como diretor financeiro e depois como diretor geral, a partir de 2012. A dupla formada pelos dois permitiu relançar a casa, que estava em lento declínio desde 1982 e a morte do seu fundador. A Balmain havia mesmo declarado falência em 2004... antes de passar por um renascimento pelas mãos Christophe Decarnin, de 2006 a 2011, e, em seguida, através do universo glamouroso e sexy e da mestria de Olivier Rousteing.
 
Emmanuel Diemoz conhece, portanto, tanto os tormentos da crise como os desafios de gerir um crescimento rápido. Diemoz participou no processo de crescimento de um volume de negócios inferior a 30 milhões no início dos anos 2010 para um negócio mais de quatro vezes maior em 2017, fornecendo os meios para Olivier Rousteing expressar o seu talento e a imagem da Balmain nas redes sociais para conquistar uma clientela internacional.
 
O líder parece acreditar que a Carven tem os trunfos necessários para ser igualmente bem sucedida. Mas, para isso, o primeiro desafio é que a nova equipe convença o tribunal comercial da sustentabilidade do plano de continuidade. Por enquanto, os interveninentes no assunto não deram indicações sobre as intenções do grupo Bluebell, proprietário de dois terços das ações da empresa desde 2016. Em termos de números, de acordo com os documentos oficiais aos quais a FashionNetwork.com teve acesso, à data da entrada em recuperação judicial, o volume de de negócios de 2017 da Carven era de 21,5 milhões de euros, com um passivo de 40 milhões de euros, incluindo 5,5 milhões de dívidas exgíveis, ou seja, dívidas correntes com data de vencimento. A empresa empregava 103 pessoas.
 
Mas, além destes elementos, conseguimos obter os detalhes das ofertas de resgate entregues ao tribunal comercial em julho passado. A mais convincente é apresentada pela empresa Jacques Bogart, proprietária desde 2010 da Carven Perfumes. Na sua proposta de duas páginas, a empresa reivindica o seu savoir-faire em moda, com a marca Ted Lapidus, e, principalmente, o fato de ter relançado a Balenciaga ao recrutar Nicolas Ghesquière, antes de a revender à Gucci.
 
O grupo, que é presidido por David Konckier e reivindica um volume de negócios de 130 milhões de euros para o seu ano fiscal de 2017 com as suas atividades de perfumes, beleza e moda, explica ter sido abordado por vários candidatos potenciais que lhe solicitaram que os acompanhasse “numa solução de plano de desinvestimento ou possivelmente de continuidade”. “Os intervenientes do dossier e os candidatos-compradores estão todos conscientes do interesse da marca em combinar as atividades da moda com as da perfumaria, que está em forte desenvolvimento e rentável graças ao nosso trabalho", pode ler-se.
 
De forma transparente, a Bogart dialoga com todos os intervenientes do dossier, o que levanta a questão de uma participação do grupo no projeto de relançamento envolvendo a direção atual e Emmanuel Diemoz. Nenhum dos protagonistas respondeu aos nossos pedidos de esclarecimento sobre este ponto.

De qualquer forma, o grupo de perfumes francês não pretende deixar a marca desaparecer. A Carven pode pesar aproximadamente 5 milhões de euros na sua atividade. Acima de tudo, a consulta da oferta da Bogart revela que o grupo apresentou "uma oferta de aquisição para o momento apenas das marcas e especialmente a Carven, sob a forma de um plano de desinvestimento para o caso de as conversações em curso não terem sucesso”. “O preço de venda proposto das marcas é de 1,5 milhões de euros a pagar no dia da realização."
 
Uma oferta de recuperação parcial, portanto, para manter a marca no caso de a maison estar em sério risco. Igualmente parcial é a oferta apresentada por Philippe Métivier. O empresário francês oferece 30 mil euros para adquirir os espaços parisienses da rue de Grenelle, da rue Saint-Sulpice e da rue Malher. A sua oferta implica a aquisição de 15 contratos permanentes e a termo vinculados a essas lojas. Note-se que a loja da rua de Sévigné, no Marais, já encontrou comprador. A Levi's prepara a inauguração da sua primeira loja feminina nesse espaço.

Por fim, a terceira oferta, da empresa Cashtex, dirigida por Henry e Daniel Levy, propõe a aquisição das marcas, nomes comerciais, licenças e patentes, bem como arrendamentos, equipamento e funcionários da Carven por um valor de 500.010 euros. O projeto anunciado pretende "relançar a marca a partir de uma estrutura reduzida e, assim, mais controlável". E inclui a manutenção de 50 trabalhadores e a reclassificação de outros 39. A empresa prevê um volume de negócios de 15 milhões de euros no primeiro ano de operação, para atingir os 20 milhões dois anos depois, permanecendo rentável.

Nas próximas semanas, o tribunal comercial decidirá a proposta que favorece. A menos que uma oferta de última hora mude o jogo novamente. A data de apresentação das ofertas de aquisição como parte de um plano de de investimento foi adiada para 7 de setembro.
 
Pela redação

Traduzido por Estela Ataíde

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