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Carven à beira da falência

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 26 de set de 2018
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access_time 3 Minutos
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A Carven está por um triz. A marca parisiense, em concordata desde maio, contava com Emmanuel Diemoz, ex-CEO da Balmain, para apresentar ao Tribunal do Comércio de Paris um plano para sair da crise, mas enquanto estava perto de fechar um acordo com o acionista majoritário da marca, o grupo de Hong Kong, Bluebell, o executivo decidiu finalmente abandonar o navio.


Pré-coleção outono 2018 por Serge Ruffieux, diretor artístico desde o início de 2017 - Carven


Agora, Carven encontra-se à beira da falência. Sem a possibilidade de apresentar um plano de recuperação com os atuais acionistas ou possíveis reforços, a única alternativa da grife para evitar a falência é que um possível comprador faça uma proposta ao tribunal. Mas não resta muito tempo - o prazo para a apresentação das ofertas de retomada termina nesta sexta-feira, 28 de setembro, à meia-noite.

O Tribunal irá oferecer uma oportunidade para melhorar as ofertas até segunda-feira, 1º de outubro, à meia-noite, antes de tomar uma decisão entre as propostas no dia 4 de outubro. Os candidatos para a aquisição deste grande nome do patrimônio da moda francesa serão conhecidos em breve, informou o gabinete do administrador judiciário, Abitbol & Rousselet.

De acordo com informações recebidas pelo FashionNetwork.com, apenas uma oferta foi feita até o momento, apesar de outros interessados terem se manifestado em julho, durante a primeira audiência. A oferta foi apresentada pela Cashtex, uma atacadista de têxteis e artigos de couro de grande porte, com base no Sentier, em Paris, e cuja família proprietária, liderada por Henry e Daniel Levy, também gerencia a marca de moda feminina mid-range, LM Lulu, e desenvolve acessórios sob licença, tais como bolsas para Jean-Louis Scherrer.

De acordo com documentos consultados pelo FashionNetwork.com, a oferta propõe a aquisição das marcas, nomes comerciais, licenças e patentes da Carven, bem como os contratos de leasing, estoque e funcionários, no valor de 500.010 euros. A Cashtex pretende "relançar a marca a partir de uma organização simplificada, mais administrável”. Ela pretende manter 50 funcionários e remanejar outro 39, e prevê uma receita de 15 milhões de euros no primeiro ano de atividade, alcançando 20 milhões de euros dois anos depois, permanecendo rentável.

A última receita da Carven foi de 21,5 milhões de euros em 2017, mas sua dívida somou 5,5 milhões de euros. No momento do último censo da marca, em 2017, ela empregava 103 pessoas, uma equipe que já teria sido reduzida.

A Carven, uma marca moda francesa tradicional, foi fundada em 1945 por Carmen Tommaso, também conhecida como Marie-Louise Carven. A maison de alta-costura teve várias décadas de sucesso, antes de passar por uma recessão nos anos 80 e 90. Desde então, a marca passou por muitas mudanças em sua gestão e direção criativa até 2008, quando um dos licenciados assumiu a marca, sob a liderança de Henri Sebaoun. A Carven então desfrutou de um período próspero, graças ao reposicionamento da marca para um segmento premium menos luxuoso e mais acessível, e à direção criativa de Guillaume Henry. Em 2016, ela passou a ser controlada por sua parceira de distribuição na Ásia, a Bluebell.

Dois anos depois, a maison aguarda hoje com urgência um esclarecimento sobre seu futuro, e o tribunal espera uma oferta sólida que evitará a falência da empresa nascida há 73 anos.

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