C&A incentiva comunidade brasileira de transgêneros em campanha de contratação de fim de ano

A comunidade LGBT brasileira e ativistas parabenizaram a varejista holandesa C&A na terça-feira (4)  pela nova campanha da empresa, que promove a contratação de minorias, incluindo transexuais.


Campanha de Natal da C&A

A empresa anunciou que irá contratar mais de 5.000 vagas temporárias em mais de 270 lojas do país e incentivou as transexuais e refugiados a se inscreverem. Um anúncio dirigido especificamente aos trabalhadores transexuais foi publicado na semana passada na página do Facebook do grupo de defesa Transempregos, que colaborou com a C&A para promover as vagas entre seus seguidores.

“Para a C&A, a moda é uma plataforma de expressão que permite a todos mostrarem quem são”, diz o anúncio de emprego. “Para estar de acordo com o seu tempo, a C&A oferece um ambiente de trabalho que acredita no valor e na riqueza das diferenças.” A Fundação C&A, afiliada à varejista, é um parceiro de financiamento da Fundação Thomson Reuters em sua cobertura de tráfico de seres humanos.

"É maravilhoso", disse Symmy Larrat, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (ABLGBTT) à Fundação Thomson Reuters. “A mensagem enviada vai contra a exclusão que as pessoas vivem no dia a dia”.

A campanha de contratação chama a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos transgêneros brasileiros, que, apesar das recentes decisões do principal tribunal do país, que reconhece os direitos da comunidade, enfrentam regularmente a violência e a discriminação. De acordo com o grupo de defesa de direitos humanos Trans Murder Monitoring, 167 transexuais foram mortos no Brasil no ano passado, mais que em qualquer outro país. 

Javier Corrales, professor de ciência política do Amherst College, disse à Thomson Reuters que a discriminação no local de trabalho também é uma realidade diária para os transgêneros tanto no Brasil quanto na América Latina. "Este é um problema muito sério. Eles têm acesso a um número limitado de empregos, a maioria com salários baixos, e não são promovidos”, explica Corrales. "Pior ainda, as pessoas trans que são contratadas frequentemente experimentam ansiedade e auto-exclusão ao tentar esconder sua identidade, o que pode afetar a produtividade".

Por outro lado, movimentos como esses para promover a inclusão podem ajudar a melhorar o desempenho no local de trabalho. "Uma empresa que cultiva uma cultura de diversidade faz com que todos se sintam muito mais confortáveis", diz ele. "Isso atrai mais talentos e é uma vitória para ambos os lados: para a produtividade e para os trabalhadores”.

Traduzido por Novello Dariella

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