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6 de set. de 2021
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Brasileiro radicado em Portugal e fundador da marca DAVII fala sobre seus projetos ao FashionNetwork.com

Publicado em
6 de set. de 2021

DAVII é o nome da marca portuguesa do brasileiro Fabiano Fernandez dos Santos e também o nome que este adotou como seu. O criador de moda autodidata, que não faz planos para o futuro, anuncia em primeira mão – em entrevista exclusiva para o site FashionNetwork.com – que mudou em agosto o atelier para o número 191 da rua do Bonfim no Porto; que trabalha com Espanha, França, Itália e Portugal; que, em meados de outubro, vai voltar a participar no Portugal Fashion em data ainda a confirmar. Davii também vai avançar com a loja online.


O brasileiro Davii radicou-se no Porto, registrando a marca DAVII em Portugal - Foto: Sam Scott


Neto de avó materna espanhola e tetraneto de português por via paterna, o brasileiro Davii radicou-se no Porto onde criou a marca DAVII em 2019, poucos meses antes de ser anunciada a pandemia de COVID-19.
 
Depois de trabalhar durante muitos anos para outras marcas famosas no Brasil e na América do Sul, Davii deixou o país natal por Portugal. Em 2017 começou por criar o atelie2 de peças únicas feitas à mão, mas só em 2019 registrou a marca, integrando pela primeira vez a plataforma do Portugal Fashion em março de 2021.


Coleção apresentada no Palazzo Marin, durante a Venezia Fashion Week - Foto: Roberto Rosa para a DAVII


Trabalhou durante 20 anos com o estilista Arnaldo Ventura, sendo responsável pelas vendas e pelo styling das campanhas, comunicação e desfiles na Casa de Criadores e São Paulo Fashion Week. Em 2015 decidiu mudar de vida e partiu rumo a Portugal a convite de uma amiga.

Primeiro trabalhou no bar que a amiga estava montando e depois num alfaiate em Grijó: “Foram seis meses sentado, observando-o a costurar, até que me pediu para fazer a bainha de umas calças".


Look da coleção para a primavera-verão 2020/2021, vestido por Sara Carvalho - Foto: André Brito


As roupas da DAVII são simples e minimalistas de inspiração oriental, que carregam sempre uma memória afetiva, escondendo todo um processo criativo complexo, cheio de detalhes abertos a novas construções.
 
FashionNetwork.com: A DAVII é uma marca portuguesa registrada por um brasileiro radicado no Porto, ou uma marca brasileira?
DAVII:
É uma marca registrada em Portugal por um brasileiro. 
 

Look da coleção para a primavera-verão 2020/2021, vestido porAna Custódio - Foto: André Brito


FNW: Porquê DAVII com dois “i”?
D:
O meu nome de registro é Fabiano, mas adotei Davii por causa da minha relação com o personagem bíblico Davi, o pastor que enfrenta o soldado gigante Golias, numa referência à capacidade de começarmos pequenos  e de podermos enfrentar as dificuldades com fé, determinação e dedicação. 

Os dois “i” em maiúscula me fazem lembrar as linhas paralelas que constituem as estradas, os caminhos, os portais. É também a ideia que nada se constrói e não se chega a lugar nenhum sozinho. Confesso que tem também um pouco a ver com numerologia. 
 
FNW: Você se formou no Brasil?
D:
Não tenho formação acadêmica em Moda. No Brasil, tive a oportunidade de iniciar a carreira como vendedor, ganhando extras ao fim de semana no Mercado Mundo Mix, o que me permitiu viajar pelos estados brasileiros, entrando no mundo da moda.


Look da coleção para o outono-inverno 2021/2022, vestido por Leonor Pereira - Foto: Anna Sivi


FNW: Com quais marcas trabalhou no Brasil antes de se radicar no Porto?
D:
Trabalhei muitos anos com uma marca onde acabei sendo sócio – a Arnaldo Ventura. Fazíamos parte da chamada Casa de Criadores da São Paulo Fashion Week. Depois decidi me afastar para criar a minha própria marca, o que acabou acontecendo em Portugal. 

FNW: A arte está sempre presente no seu trabalho, até em colaboração com artistas plásticos. Qual a colaboração mais recente?
D:
No momento não tenho trabalhado com artistas. Mas é impossível produzir moda sem ter uma relação com as artes. Tudo pode me inspirar, desde o observar atentamente a natureza, assistir um filme, ouvir uma música e até observar objetos, esculturas e pinturas que podem estar ou não expostas em galerias, museus ou mesmo em cemitérios. Nesse sentido vale a pena acrescentar a importância da fotografia no meu trabalho.
 
Por fim, gosto de forma geral da suntuosidade e amplitude, para além da elegância provocadora da arquitetura de Oscar Niemeyer, do minimalismo oriental e da intensidade de Frida Kahlo, entre tantos outros artistas e modos de produzir arte. Sou eclético.
 

Coleção apresentada na última edição digital do Portugal Fashion, para o outono-inverno 2021/2022 - Foto: Ugo Câmera


FNW: Todas as peças são únicas?
D:
Sim. Diria que são experiências únicas, desde a criação à execução até à venda. 
Claro que fazemos uma parte das coleções mais comercial, não saindo do meu DNA.
 

Look da coleção apresentada no Portugal Fashion,para o outono-inverno 2021/2022. - Foto: Ugo Câmera


FNW: Segue tendências ou prefere a irreverência?
D:
Não sou adepto a tendências. Prefiro pensar que o acaso tem mais a ver com minha metodologia de trabalho, o que me permite ser sensível a respeito do que vou encontrar nos fornecedores de tecidos.
 
Há sempre algo que aponta uma possibilidade. Pode vir da textura, do peso, do caimento, do toque do tecido que indica o caminho; ou mesmo de uma ideia gráfica, que quero ver traduzida em roupa. O importante é salientar que tudo é melhor sentido e aproveitado ao avançarmos no conhecimento técnico.
 
FNW: Em que mais se inspira?
D:
Na celebração da vida e no quanto às vezes precisamos de uma certa fuga poética, nem que seja só para atravessar a mesma rua de todos os dias, com a nova sensação produzida pelo toque de uma roupa construída com memória afetiva, aquela que torna os momentos inesquecíveis. 
 

Look da coleção para a primavera-verão 2020/2021, vestido por Sara Carvalho - Foto: André Brito


FNW: Quais as cores e tecidos preferidos?
D: A minha cor preferida é o cinza azulado, mesmo que não a use tanto nas coleções. Tento optar sempre por tecidos naturais como a seda, o algodão e o linho. 

FNW: Mantém o ateliê aberto em Porto?
D: Sim, agora e desde agosto com um novo endereço, na rua do Bonfim 191.
 

Look da coleção para a primavera verão 2021, vestido por Ana Custódio - Foto: André Brito


FNW: Com quantos países trabalha hoje e onde é possível adquirir as suas peças?
D:
Ainda estamos em fase de crescimento. Por enquanto estamos em três países europeus – Espanha, Itália e Portugal – e temos mais duas lojas que estão começando a trabalhar com a marca para a próxima temporada em Paris e Londres, vamos avançar com a loja online, mas ainda estamos a ajustar o site da melhor forma possível. Enquanto isso podem encontrar as peças com quem temos parceria.
 
FNW: Quais os seus projetos para o futuro?
D:
Não faço planos para o futuro, nunca fui de fazer. Tenho uma ideia do que quero alcançar na minha carreira como designer, mas no futuro prefiro viver do acaso, de oportunidades ou de presentes que a vida me vai dando e que Deus me proporciona.
 

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