Birmânia: marcas e ONG saem em defesa do salário mínimo

Vários industriais ameaçam deslocalizar suas produções para fora da Birmânia se o setor têxtil não abrir mão do salário mínimo há pouco instaurado. Duas organizações internacionais de trabalhadores, apoiadas por grandes marcas, apelam para que o governo não ceda.

AFP

Os grupos GAP, Adidas, H&M, Tesco, Patagonia e doze outros grandes atores apoiam a iniciativa, empreendida em 15 de julho com o envio pela Fair Labor Association e pela Ethical Trading Initiative de uma carta aberta às instâncias locais.
 
"Queremos contrariar esta ideia das fabricantes e associações do Myanmar de que salários mais elevados vão dissuadir os investidores estrangeiros", aponta a Ethical Trade. "Um salário mínimo que foi negociado por todas as partes deve levar muito mais do que dissuadir as empresas internacionais a comprar vestuários oriundos do Myanmar, em particular os membros da ETI, que estão comprometidos com o respeito das normas internacionais dos direitos dos trabalhadores nas suas cadeias de abastecimento".
 
"Nós todos desejamos ver o setor do têxtil/vestuário se desenvolver na Birmânia, portanto, insistimos para que o governo crie bases de investimentos e de crescimento baseadas em condições de trabalho e de compensação equitativas para os trabalhadores", aponta, por sua vez, a FLA.
 
Em meados de junho, cerca de 30 fábricas de capital chinês e 60 fábricas de capitais coreanos ameaçaram deslocalizar suas produções para outros países se o salário mínimo fosse aprovado. Foi preciso uma ano de discussão entre sindicatos, representantes dos dirigentes e governo para a implantação de um salário mínimo de 2,9 euros (3,600 kyats) por oito horas de trabalho diário nas fábricas de produção têxtil.
 
Assim, no primeiro trimestre, a Birmânia operou sua entrada no top 20 dos fornecedores da União Europeia em matéria de vestuário, instalando-se na 18.ª posição com 82 milhões de euros de mercadorias. Um avanço espetacular de 74% em relação ao 1º trimestre de 2014.

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