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27 de set. de 2012
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Atual cenário europeu é propício para empresas brasileiras internacionalizar negócios

Publicado em
27 de set. de 2012

A retração da economia europeia e o movimento de internacionalização das empresas brasileiras, com a instalação de plantas e associações no exterior, representam uma boa oportunidade para os negócios brasileiros no continente europeu. Nesse sentido, Portugal pode ser um bom destino para o capital nacional, pois funciona como uma porta de entrada para a Europa.

Luiz Fernando Furlan, Manoel Tavares de Almeida Filho, Luís Amado e Paulo Lourenço, cônsul de Portugal - Foto: Fábio Flaquer

Essa foi a tônica do almoço-debate promovido pela Câmara Portuguesa no Hotel Tivoli São Paulo–Mofarrej, com a participação do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, do presidente da Câmara Portuguesa, Manoel Tavares de Almeida Filho, de empresários e do ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB).

Para Furlan, o principal estímulo para as empresas brasileiras investirem na Europa atual é a desvalorização dos ativos naquele continente, enquanto, no Brasil, os ativos sofreram valorização. “Essa assimetria, por exemplo, torna disponível a aquisição de empresas que estão fechando e a contratação de mão de obra mais barata”, sintetizou Luiz Fernando Furlan, membro do Conselho de Administração da BR Foods (união da Perdigão com a Sadia) e consultor de empresas.

O ex-ministro pautou sua palestra pelo conceito de soft power, baseado no livro “American Paradox”, segundo o qual os Estados Unidos se impuseram como potência mundial mais em função de suas empresas, do consumo e da produção cultural, como o cinema, do que propriamente em razão da força.

Nesse sentido, Furlan lembrou de uma conversa que teve à época com o ex-presidente Lula, de quem foi ministro, quando afirmou que, "antes de o Brasil ser um país de primeiro mundo, precisa ter empresas de primeiro mundo". Isso porque a qualidade e internacionalização das empresas criam um valor intangível à imagem do país.

“Antes, o Japão era conhecido como um país de samurais e gueixas. Hoje, quando pensamos no Japão, pensamos em empresas e marcas”, comparou o ex-ministro, que traçou um cenário positivo para o Brasil. Lembrou que, além de ser um dos principais destinos atuais de Investimento Estrangeiro Direto (IED), o país também passou a exportar capital.

"Antes de o Brasil ser um país de primeiro mundo, precisa ter empresas de primeiro mundo" - Foto: Fábio Flaquer

Em 2010, as empresas brasileiras investiram US$ 30 bilhões no exterior, enquanto, em 1990, esse valor fora de apenas US$ 1 bilhão. Do total de investimentos, metade é direcionada ao continente americano (Estados Unidos e América Latina), 10% aos países da União Europeia e, os demais 40%, distribuídos para outros países.

Os setores com melhores perspectivas para internacionalizarem seus negócios, segundo Furlan, são os de alimentação, franquias de roupa e comida, siderurgia, petróleo, como no caso da Petrobrás - com a exploração do Pré-Sal – e, aviação, a exemplo Embraer.

Entre as maiores dificuldades para a internacionalização estão a gestão de pessoas e os cuidados para evitar choques culturais. Furlan, que foi presidente do conselho da Sadia – empresa de alimentação -, lembrou que, quando a empresa começou a operar no Oriente Médio, ainda na década de 70, houve a precaução de evitar a venda de carne de porco em países que não consomem esse tipo de alimento.

“As poucas empresas portuguesas que falharam no Brasil foram porque não fizeram a devida adaptação cultural, imaginando que, por terem a mesma língua e pelas afinidades históricas com o Brasil, não haveria diferenças culturais”, reforçou o presidente da Câmara Portuguesa, Manuel Tavares de Almeida Filho.

Para evitar esse tipo de problema, as empresas não devem recorrer a um modelo único empresarial nas diferentes cidades e continentes em que atuam, ainda que seja num mesmo país. Precisam treinar mão de obra local, respeitando a realidade de cada região. “Belém é diferente do Pará, Recife é diferente de qualquer outra cidade no Brasil”, comparou Furlan.

Para Almeida Filho, o ideal é que os empresários brasileiros interessados em internacionalizar seus negócios se associem a empresas de países que desejam atuar e, após três anos de adaptação e trabalho, instalem suas unidades. O presidente da Câmara Portuguesa destacou ainda que, ao implantar fábricas em outros países, as empresas ficam menos sujeitas às variações cambiais que reduzem as exportações quando o real se valoriza frente ao dólar.


Ex-ministro português mostra-se otimista com o futuro da economia europeia apesar da recessão atual - Foto: Fábio Flaquer

Durante palestra no debate sobre internacionalização de empresas, promovido pela Câmara Portuguesa, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal e presidente do Conselho de Administração do Banif Portugal, Luís Amado, analisou a crise econômica europeia. Criticou o modelo de integração econômica, que uniu países de economias díspares em torno de uma moeda fortemente valorizada, o Euro. Isso impediu que nações menos ricas, a exemplo de Portugal, adotassem expedientes como pequenas desvalorizações da moeda do país visando a melhorar as exportações.

Mas o ex-ministro declarou que, atualmente, o projeto do euro é irreversível, e seu fracasso representaria um caos econômico não só para a Europa, como para todo o mundo. Amado aposta nos resultados do novo pacto fiscal europeu, centrado em compromissos orçamentários restritivos, para reorganizar a economia do continente.

“Ainda teremos um período de recessão, mas, a partir de 2014, vencidos os desafios políticos, acredito que a Europa voltará a ser uma das maiores economias do mundo, gerando crescimento e empregos”, disse o ex-ministro, acrescentando que Portugal apresenta boas oportunidades para as empresas brasileiras.

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