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18 de fev. de 2015
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As joias "Peacebomb", da guerra do Vietnã às passarelas de Nova York

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AFP-Relaxnews
Publicado em
18 de fev. de 2015

Nova York/Ban Naphia (AFP) – Quarenta anos após o término da guerra do Vietnã, as bombas lançadas no Laos sobre a pista de Ho Chi Minh voltam ao território norte-americano transformadas em joias apresentadas no mundo frívolo da moda em Nova York.

As joias "Peacebomb", da guerra do Vietnã às passarelas de Nova York - Foto: AFP


Colares com pingentes de bronze ou prata maciça moldados sobre fragmentos de bombas originais, ou em forma de obuses de uma explosão, pequenas pulseiras de alumínio incrustadas com diamantes, safira ou ouro: as criações da empresa nova-iorquina Article 22 são de uma beleza trágica, quase perturbadora.

Breves mensagens gravadas nestes metais carregados de história lembram um conflito que permanece como um dos grandes traumas dos Estados Unidos, com frases como "A paz é a bomba", "O amor é a bomba" ou "Lançado e fabricado no Laos".

"Queríamos que nossas joias levassem ao intercâmbio, ao diálogo", afirma Elizabeth Suda, que criou a Article 22 após trabalhar na marca de bolsas e calçados Coach.

"Quando você vê alguém usando uma bomba, logo se pergunta: 'Mas o que é isso? Por que?', de maneira muito direta, literal, conta uma história", continua.

Joias para acabar com as minas

Por trás da sua suposta delicadeza, o impacto destas joias batizadas de "Peacebomb", apresentadas durante a Semana de Moda de Nova York, não tem nada de acessório.

Desde sua criação em 2010, a venda das primeiras coleções financiou a retirada de minas de 65.000 m³ de terras no Laos, país detentor do triste recorde de mais bombardeados por habitante do mundo.

Bombas de Laos tornam-se joias em Nova York

Com uma pulseira é possível "limpar" 3 m³ e com um colar de 1.250 dólares são recuperados até 78 m³.

Além de doações a um fundo de desenvolvimento local, "perto de 10% do custo de produção vai para a retirada de minas, até 20 ou 25% para as criações mais caras", detalha a jovem designer.

"Sem esforços como os da Article 22, as bombas que não explodiram poderiam colocar em risco a saúde e o futuro de gerações de laosianos", avalia Channapha Khamvongsa, da ONG Legacies of War (Legados da Guerra).

A tarefa é gigante, já que ainda restam cerca de 80 milhões de bombas espalhadas pelo país do sudeste asiático.

A história contada pela jovem empresária e sua sócia francesa, Camille Hautefort, começa no povoado de Ban Naphia, em meados dos anos 1970, quando seus habitantes recuperaram a posse das suas terras.

Entre arrozais e selvas, as crateras surgem como enormes feridas abertas – e os explosivos que não explodiram impedem que as pessoas andem tranquilamente.

Ao lado dos ateliês com teto de palha e fornos artesanais, amontoam-se fragmentos de bombas que não explodiram e que logo serão fundidos em um líquido denso e brilhante.

"Usavam os fragmentos de bombas de metal que caíram por todas as partes para fabricar colheres de sopa", contou Elizabeth Suda, funcionária da empresa norte-americana. "Me pareceu genial. Transformavam o negativo em algo positivo e útil", disse.

As joias fabricadas com bombas de Ban Naphia são vendidas em 39 países através de 150 revendedores, com a ajuda moral de padrinhos discretos, mas amantes da moda, como Zoe Kravitz, Angela Lindvall e Olivia Wilde.

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