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Artemis, holding do universo Kering, interessada na Farfetch

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 7 de set de 2018
Tempo de leitura
access_time 2 Minutos
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A Kering, através da Artemis, está a posicionar os seus peões no segmento do retalho digital de luxo. A holding da família Pinault, que controla 40,9% do capital do grupo de luxo e mais de 55% dos direitos de voto, manifestou o seu interesse em comprar até um montante total de 50 milhões de dólares em ações ordinárias Classe A no âmbito da introdução em bolsa da Farfetch. A informação figura no documento arquivado junto da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, pelo portal de vendas luso-britânico dedicado à moda de gama alta.


A Artemis, que controla a Kering, poderá tornar-se em breve acionista do site luso-britânico - Farfetch


Esta manifestação de interesse não constitui "um acordo vinculativo ou um compromisso de compra", é especificado no documento. A Artemis pode optar por comprar "mais, menos ou nenhuma ação ordinária" da oferta da Farfetch, assim como o site se reserva o direito de vender "mais, menos ou nenhuma ação à Artemis", pode ler-se.
 
Contactada pela FashionNetwork.com, até ao momento desta publicação a Artemis não respondeu nem comentou esta eventual operação. Junto da Kering verificou-se o mesmo silêncio. No entanto, é evidente que esta movimentação se insere numa vontade por parte do grupo de luxo liderado por François-Henri Pinault em marcar pontos na atual batalha do e-commerce de luxo.

As grandes manobras entre as grandes casas e os principais sites dedicados à moda e ao luxo começaram no ano passado. O gigante chinês do comércio eletrónico JD.com desembolsou, em 2017, 355 milhões de euros para se tornar o principal acionista da Farfetch. Mais recentemente, a Chanel também assumiu uma participação minoritária no marketplace luso-britânico, que se especializou no desenvolvimento de serviços digitais personalizados e sob medida para clientes de luxo. A Farfetch estabeleceu também várias outras parcerias com players do universo do luxo, incluindo a Burberry e o grupo Chalhoub.
 
Ainda no ano passado, a Matchesfashion.com foi adquirida pelo fundo anglo-americano Apax Partners, proprietário da Karl Lagerfeld, enquanto a LVMH lançou a sua própria plataforma de shopping, a 24 Sèvres. O grupo de luxo suíço Richemont, por seu lado, acaba de tomar conta de mais de 98% da Yoox Net-A-Porter (YNAP), da qual já detinha quase metade do capital.

Neste contexto, o desejo da Kering de se fortalecer no segmento do comércio online parece legítimo. Como já aconteceu no passado, a empresa preferiu passar pela Artemis para finalizar uma eventual operação com a Farfetch.

Além da Kering, a holding detém outras participações no universo da moda, tendo assumido uma participação minoritária, em junho de 2017, na casa de alta costura Giambattista Valli e subido recentemente para 40% no capital da marca Courrèges, na qual tinha uma pequena participação desde 2015. Uma maneira de a Kering ganhar terreno sem se envolver diretamente.

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