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17 de dez. de 2012
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Argentina barra calçados brasileiros

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Publicado em
17 de dez. de 2012


De acordo com o mais recente relatório divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o impasse na fronteira com a Argentina continua: o prejuízo com o protecionismo daquele país, que adota o sistema de licenças não automáticas para importação de calçados, já provocou o cancelamento da entrada de mais de 658 mil pares de calçados provenientes do Brasil em 2012. O número equivale a mais de US$ 17 milhões.

O fato é justificado pela sazonalidade do calçado que, como um produto de moda não pode esperar tanto tempo para estar nas vitrines. A média de trâmite já chega a 130 dias, enquanto a Organização Mundial do Comércio (OMC) estipula um prazo máximo de 60 dias para autorização das licenças. “O que importa ao exportador brasileiro, em particular o de calçados, é a previsibilidade nos negócios. Admitir uma redução, expontânea ou não, no volume dos embarques é ruim, mas é muito pior programar, promover e vender e depois ver frustrado o esforço ao ter as entregas embargadas por barreiras ilegais”, avalia o diretor-executivo da Abicalçados, Heitor Klein.

LEVANTAMENTO
O levantamento da Abicalçados, realizado na primeira semana de dezembro, aponta que mais de 191,8 mil pares de calçados verde-amarelo aguardam para entrar no país vizinho. Eles equivalem a mais de US$ 5,1 milhões. No dia 7 de dezembro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Abicalçados tinham reunião marcada com representantes do governo argentino em Brasília/DF. O encontro acabou não acontecendo. “Não tivemos nenhuma justificativa”, revela o executivo.

Para o dirigente, o obstáculo tem sido para o calçado brasileiro, já que a importação de calçados de outros países tem crescido ao longo do ano. Nos primeiros 10 meses deste ano, no comparativo com o mesmo período de 2011, as exportações de calçados para Argentina caíram 22,3% (de US$ 154,6 milhões para US$ 120,1 milhões). Por outro lado, no mesmo período os argentinos aumentaram suas importações de calçados de outros países – inclusive dos asiáticos - em 12,7% (US$ 118,9 milhões para US$ 134 milhões).

MERCOSUL
Klein ressalta que o Mercosul pretendia ser uma área de integração econômica, mas nunca passou do estágio inicial de união aduaneira. “União imperfeita, porque é cheia de furos”. Segundo o dirigente, cada um dos países vê o outro mais como mercado do que como oportunidade de investimento em economia complementar. “Esse comportamento provoca o engessamento da integração e a estagnação do esforço inicial”, lamenta.

De acordo com o executivo, o governo brasileiro reluta em enfrentar as ações protecionistas da Argentina em nome do bom relacionamento político. “Além disso, setores da economia brasileira que se sentem prejudicados por importações de produtos argentinos exercem pressão para barrar a entrada destes. Esses movimentos de ação e retaliação é que determinam a elevação da pressão nas relações bilaterais”, conclui Klein.

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