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26 de abr. de 2016
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Antidumping: Turquia quer taxar o algodão americano

Publicado em
26 de abr. de 2016

O governo turco anunciou há alguns dias sua intenção de taxar em 3% as importações de algodão americano, ao fim de investigações sobre ajuda de Washington ao seu setor. Autoridades americanas anunciaram rapidamente "oporem-se ativamente" a esta medida.


O ministério americano do Comércio acusa assim a Turquia de ter lançado suas investigações antidumping sem referência anterior à Organização Mundial do Comércio, como aponta o procedimento.
 
A medida ocorre em um contexto tenso para o mercado mundial do algodão, que teme um colapso dos preços, enquanto a China anunciou querer ceder parte dos seus colossais estoques.

Os Estados Unidos são o 3.º produtor mundial de algodão, depois de China e Índia. A Turquia é, por sua parte, o 2.º consumidor mundial da matéria-prima depois da China, mas, sobretudo, o 2.º maior cliente do algodão americano.
 
Porém o impacto do dumping do qual é acusado Washington faria cair os preços artificialmente, em detrimento das produções turcas de algodão. A ironia é que o anúncio dessas taxas levanta dúvidas sobre uma queda das exportações turcas, mas esta vez do lado dos fabricantes de têxtil-vestuário.
 
As fortes reações dos Estados Unidos não podem, no entanto, colocar no esquecimento que Washington já foi condenado pela OMC pelo dumping da sua indústria de algodão.
 
Condenação anunciada em 2009 depois de uma queixa do Brasil, que, por outro lado, teve de batalhar até outubro de 2014 para conseguir um acordo sobre as modalidades de compensação, aceitando o pagamento único de 300.000 dólares em troca da não aplicação da taxação especial sobre o algodão americano inicialmente prevista.
 
Para além das questões econômicas, coloca-se também a questão das razões políticas por trás deste confronto. As relações entre Washington e Ankara tornaram-se progressivamente tensas desde os motins turcos de 2013, levando os Estados Unidos a não passar pelo parceiro regional histórico quando começou a bombardear a Síria ou negociar com o Irã.
 
Uma afronta que exacerba o antiamericanismo de uma parte da população turca, por outro lado, em plena queda de braço com a Europa sobre a questão dos imigrantes.

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