Annie Leibovitz, as fotografias de uma vida atrás das lentes

Madri (Notimérica) – "Algo que se vê em minhas fotografias é que não tenho medo de me apaixonar pelas pessoas que fotografo", disse em uma ocasião a aclamada fotógrafa Annie Leibovitz, considerada uma lenda viva.

Annie Leibovitz - Foto: Reprodução

Tão pouco ela teme sentir algo por quem retrata, sendo que, em 1988, foi conquistada pela prestigiosa escritora e ensaísta Susan Sontag, a quem fotografou para a capa do seu livro 'A aids e suas metáforas'. Ambas mantiveram um relacionamento de 16 anos, até dezembro do 2004, quando Sontag faleceu por causa de uma leucemia.
 
Naquele mês, em seu leito de morte, Leibovitz realizou uma de suas fotografias mais comoventes, protagonizada por sua companheira de vida.
 
A última foto de John Lennon
 
São muitas as imagens com as quais a americana fez história. Por exemplo, pensar em Leibovitz é pensar em John Lennon. A artista foi a última pessoa que retratou aquele que foi membro dos Beatles horas antes de seu assassinato, em 8 de dezembro de 1980.
 
Na captura, o ex Beatle aparece nu e abraçado junto à sua mulher, Yoko Ono, completamente vestida. No mês de sua morte, em 22 de janeiro de 1981, a revista 'Rolling Stone' publicou aquela fotografia em sua capa, sem titulares dispensáveis, como ocorre com imagens que falam por si.

​A singeleza é para Leibovitz sinônimo de extraordinário. Suas fotografias representam, tal como explica o documentário 'Annie Leibovitz: a vida através de uma lente', o belo e o cru da realidade.
 
O belo, como aquela capa de 'Vanity Fair' de 1991 na qual aparecia Demi Moore grávida de sete meses e posando nua, cobrindo unicamente o seio e usando um anel na mão direita e brincos.

Serena Williams posa para o Calendário Pirelli - Foto: Annie Leibovitz

O cru, como a polêmica que causaria entre seus leitores aquela Demi Moore sem roupa, já que muitos a chamaram de "grotesca". Em 2012, a artista confessou ao mesmo médio que ela não se sentia também do todo satisfeita com esse retrato; não por seu suposto conteúdo "grotesco", senão pela falta de naturalidade que lhe retransmitia ao ocultar os seios da atriz.
 
Apesar de o trabalho de Leibovitz ser especialmente reconhecido devido às suas fotografias para 'Rolling Stone', 'Vanity Fair' e 'Condé Nast Publications', a americana de 66 anos retratou distintas personalidades do âmbito da política, dos negócios e da realeza.
 
Entre elas, destaca-se a imagem da Rainha Elizabeth da Inglaterra, quem posou sem coroa num meio invejável e imponente. Com esta fotografia, Leibovitz demonstrou, uma vez mais, que o simples é elegante, além de solene.
 
As atrizes Angelina Jolie e Meryl Streep, a família Obama, a cantora Miley Cyrus ou o criador de Facebook, Mark Zuckerberg, são outros dos rostos conhecidos que engrossam a lista de celebridades que se deixaram fotografar por esta lenda, quem se reinventa dia a dia.
 
O Calendário Pirelli
 
Mostra disso é seu último trabalho para o reconhecido calendário Pirelli, onde mostra um conceito de beleza que ultrapassa as barreiras do físico, aprofundando-se na personalidade.

Sob esta premissa, a artista pôs ante sua cobiçada objetiva treze mulheres fortes e bem-sucedidas como a tenista Serena Williams, a artista Yoko Ono, a humorista Amy Schumer ou a atriz e primeira embaixadora de Boa Vontade chinesa de ACNUR, Yao Chen.
 
"Queria que as fotos mostrassem as mulheres exatamente tal como eram, sem pretensões", declarou Leibovitz na apresentação do calendário em Londres, onde anotou uma nova vitória à sua longa lista de sucessos. Cada uma com suas particularidades, mas todas Leibovitz.

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