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3 de mar. de 2011
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Altos custos pressionam preços de peças em algodão

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Publicado em
3 de mar. de 2011

O especialista em denim e antigo diretor criativo da marca britânica All Saints, Richard Atkins, face à recente escalada dos preços do algodão, vaticina o fim da roupa barata. Para este especialista, os varejistas com o modelo de negócio baseado na premissa dos custos de produção baixos terão que alterar o seu paradigma e “travar” a sua expansão, numa altura em que a roupa de “usar e botar fora” parece ter os dias contados.


Preço alto do algodão pressiona valor das roupas


Os trabalhadores de cidades chinesas como Xintang já não se sentem felizes por trabalhar longas horas por salários miseráveis, o que levará a que as marcas de vestuário que aproveitavam essa situação tenham que pensar em novas estratégias. «Estas empresas devem ficar mesmo preocupadas, pois o fenômeno da roupa de usar e botar fora está morto. Durante décadas quiseram mais e pagaram menos, assentaram este sistema na China e agora vão sofrer com as alterações socioeconómicas do país mais populoso do mundo», afirma Atkins.

Trabalhadores que, anteriormente, ficavam satisfeitos com um ordenado de 40 euros por mês, querem agora cerca de 10 a 15 vezes esse valor. Adicionalmente, estão a migrar para o interior da China, para projetos de construção e obras públicas, onde podem ganhar o mesmo, estar junto da família e usufruir de um custo de vida mais reduzido.

Existem já fábricas encerradas por falta de mão-de-obra e muitos empresários queixam-se que as novas leis do trabalho protegem demasiadamente os trabalhadores e que o governo não auxilia o desenvolvimento da indústria.

O aumento das matérias-primas é outro fator a pressionar fortemente os custos de produção de vestuário. O preço do algodão atingiu valores nunca antes vistos, fazendo com que a produção de artigos como os jeans tenha ficado muito mais cara. As más condições climáticas nos principais países produtores, as restrições impostas pela Índia e o aumento da procura transformaram esta outrora barata matéria-prima num bem escasso e quase incomportável.

«Em Julho passado uma onça de algodão estava nos 70 ventavos de euro. Na semana passada o valor era três vezes superior. Tentei colocar uma encomenda junto de um fabricante de denim para um milhão de jardas e disseram que não a podiam aceitar porque o algodão já valia mais que o tecido acabado», exemplifica o especialista britânico.

Alguns designers já começaram a acrescentar poliéster aos seus jeans de forma a utilizarem menos algodão e, assim, baixarem os custos.

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