Alexander McQueen: cavalheirismo no feminino

Uma grande ovação saudou Sarah Burton no final do desfile da Alexander McQueen, realizado nos Jardins do Luxemburgo na noite de segunda-feira. E foi bem merecido, pois neste momento histórico no qual os direitos das mulheres e a santidade do corpo são mais debatidos do que nunca, a sua belíssima coleção para a Alexander McQueen foi uma verdadeira ode visual e poética à beleza e força feroz das mulheres.


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Alexander McQueen - primavera-verão 2019 - Moda Feminina- Paris - © PixelFormula

Nesta penúltima noite da Fashion Week, após 30 dias de desfiles internacionais, não há dúvida de que a maioria dos aficionados considerará esta coleção como a melhor da temporada. Nunca a imaginação de Sarah Burton foi tão rica e as suas ideias tão bem executadas pelo seu estúdio e o seu atelier.

A Alexander McQueen é também uma daquelas marcas que praticam a coerência, em parte porque Sarah Burton se inspira sistematicamente em imagens britânicas. Viagens de pesquisa a Marraquexe, Los Angeles ou ao Rajastão não são o seu estilo: a designer prefere o poder emocional e a história da sua terra natal.

Nesta temporada, Burton começou a sua coleção com uma visita ao White Horse, um dos mais notáveis monumentos pré-históricos de Inglaterra: um gigante cavalo branco esculpido na encosta de uma colina de giz. Acredita-se que celebra uma vitória conquistada no século IX na batalha do rei Alfredo, e os seus criadores são desconhecidos.

Portanto, muitos looks cavalheirescos: formidáveis armaduras de cavaleiro em couro branco, vermelho ou preto moldado, pintadas ou bordadas com papoilas corajoas, íris selvagens amarelas e cardos, e articuladas com alças e tiras de couro.


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Alexander McQueen - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula
 
Mas, as suas ideias mais arrebatadoras foram feitas de tafetá de seda desfiado, utilizado para criar vestidos de noiva desestruturados ou várias criações sensacionais ideais para a passadeira vermelha.

As suas propostas iniciais foram vestidos em chiffon com folhos habilmente cortados e usados com uma série de casacos de couro. A atmosfera conseguiu ser simultaneamente rock, monarquista e ousada. Ou, como formulado nas notas do programa: roupas que incorporam lembranças e significados.

As modelos apareceram com o cabelo trançado e com gel, brincos pendentes em metal, pulseiras e gargantilhas. E desfilaram obviamente entusiasmadas com a coleção na Orangerie dos Jardins do Luxemburgo. O piso era feito de cascalho branco brilhante e o cenário continha vários afloramentos rochosos, reminiscente de sítios pré-históricos de Inglaterra, como Stonehenge, embora cobertos com belas sedas de patchwork - representando as torres normandas e os tetos das igrejas góticas. Estas mesmas sedas Ophelia foram usadas para fazer magníficos vestidos de noite franzidos.
 
"Irmandade, casamento, comunhão, a ideia de que se pode ter força expressando emoções. Os tesouros e relíquias de família, o solstício de verão... o seu poder e fragilidade misturadas", explicou Sarah Burton no backstage, acrescentando que o ponto de partida deste projeto foi a aquisição de uma tapeçaria do século XVIII pintada à mão, que lhes deu a ideia de decompor todos os seus elementos. Depois, 20 pessoas foram treinadas para pintar esses mesmos motivos à mão no estúdio da Alexander McQueen, em Londres. Um desfile notável, por uma designer notável.

Traduzido por Estela Ataíde

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