Vendas da Safilo continuam sentindo ruptura com a Gucci

A empresa italiana de óculos Safilo afirmou que o seu lucro ajustado de 2017 irá reduzir para metade em comparação com o ano anterior, após as vendas do quarto trimestre caírem mais do que o esperado devido ao cancelamento do contrato de licença com a Gucci.


Polaroid é uma das marcas do portfólio da Safilo - Polaroid

O grupo de luxo francês Kering, proprietário da Gucci, converteu o contrato de licença no valor de 350 milhões de euros que tinha com a Safilo num acordo de produção de quatros anos, e criou o seu próprio negócio de óculos para ter um maior controle da distribuição e das margens de lucro.
 
A Safilo, proprietária das marcas Carrera e Polaroid, reportou vendas líquidas de 249 milhões de euros no quarto trimestre, uma queda de 16,9% em relação ao ano anterior em moeda constante.
 
A empresa afirmou que a perda da licença da Gucci foi responsável por 44 dos 53 milhões de euros do declínio anual nas vendas do quarto trimestre.
 
Na sequência dessa queda, a Safilo espera que o lucro ajustado do ano inteiro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (EBITDA) fique na faixa entre 38 e 40 milhões de euros, contra os 88,8 milhões de euros do ano anterior. A Safilo deverá apresentar uma atualização do seu plano de negócios quando publicar os seus resultados finais de 2017 em 14 de março.
 
As vendas do ano inteiro totalizaram 1,05 bilhões de euros, uma queda de 15,5% em relação a 2016, visto que a perda da Gucci foi agravada por uma ruptura nas entregas no principal centro de distribuição da Safilo, em Pádua, Itália, relacionada com questões de IT, e pelos furacões nos Estados Unidos.
 
Considerando as conversões cambiais, as vendas anuais caíram 16,4%. Numa pesquisa, analistas da Thomson Reuters haviam previsto em média uma receita anual de 1,08 bilhões de euros.
 
A Safilo é o segundo maior grupo produtor de óculos do mundo depois da Luxottica, que na segunda-feira reportou um aumento de 2% nas vendas de 2017 para 9,16 bilhões de euros, com um quarto trimestre forte. Aumentando a pressão sobre a Safilo, espera-se que a Luxottica receba em breve luz verde das autoridades para a concorrência dos Estados Unidos e União Europeia para a sua fusão de 50 bilhões de euros com a fabricante de lentes Essilor.
 
Rejeitando a especulação na imprensa italiana que indica que a Safilo poderá tornar-se alvo de uma aquisição neste ambiente de intensa competição, uma porta-voz do grupo disse na segunda-feira que o principal investidor, a HAL Holding, não tem atualmente quaisquer planos de alterar a sua participação.
 
A Safilo, que perdeu também a licença da marca Céline, do grupo LVMH, reportou uma queda de 3,7% nas vendas no quarto trimestre das marcas que continuará produzindo – este número exclui as marcas que a Safilo deixou ou deixará de vender sob licença.

Seguindo os passos da Kering, a LVMH comprou uma participação de 10% na Marcolin no ano passado. A parceria entre o maior grupo de luxo do mundo e a Marcolin poderia custar à Safilo outras licenças da LVMH, incluindo o importante acordo com a Dior, uma licença que expira em 2020. A Safilo afirmou que as vendas dos óculos da marca Dior caíram em 2017 após vários anos de crescimento sólido.

Traduzido por Estela Ataíde

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