Thom Browne: Le Brun em cinquenta tons de preto e branco

O desfile de domingo à noite da Thom Browne pareceu mais um evento de alta costura do que de prêt-à-porter. A mais recente declaração artística do designer americano foi inspirada na lendária pintora francesa Vigée Le Brun.

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Thom Browne - outono-inverno 2018 - Moda feminina - Paris - © PixelFormula

A galeria principal da Câmara Municipal de Paris foi transformada por Thom Browne num estúdio de artista, onde uma dúzia de modelos vestidas com enormes calças cinzentas e blazers de pintura castanhos posaram com pincéis alongados diante de cavaletes ornamentados com pinturas de pontos gráficos da autoria do designer.
 
O elenco desfilou uma série brilhante de moda desconstruída, ficando cada vez menos vestido à medida que o desfile progredia. Uma coleção de grande beleza, feita em cinquenta tons de preto e branco, à exceção das redes douradas nos cabelos.
 
Deliciosos vestidos negligee rematados com pérolas, pétalas de vison, painéis de organza e renda branca, mas também corpetes calico ornamentados com micro pérolas e blazers em patchwork de organza e peles. Também foram notáveis as extraordinárias variações anatômicas, como um tronco rígido feminino usado como uma saia casulo. Ou casacos-vestido, divididos verticalmente entre um casaco cor de carvão e um vestido de noite em cinza. Ou ainda uma fina crinolina acompanhada por um corpete ao estilo rainha da noite de Nova Orleães. Tudo adornado com sombreados trompe l’oeil, vários efeitos mármore, com ligas e sutiãs aparecendo sob as roupas.
 
Foi, de fato, uma visão diferente de Le Brun, a pintora oficial da corte (mas, ainda assim, uma livre pensadora), a quem devemos muitos quadros de Marie Antoinette. Em 2010, uma coleção que Karl Lagerfeld desenhou para a Chanel retratou-a como uma donzela sexy e despreocupada, em vestidos de renda com folhos. A visão de Browne foi inevitavelmente mais perversa.
 
Especialmente no final, que incluiu quatro modelos em ternos cinzentos em flanela, usando quatro grandes cabeças de cão, desfilando com uma trela conduzidas por uma pintora severa. Nascida num ambiente modesto, Le Brun acabaria por se tornar na artista oficial de Marie Antoinette. As suas interpretações da sociedade do século XVIII mostravam mulheres provocadoras e sensuais com formas generosas. Estas modelos contemporâneas eram inevitavelmente mais magras, mas é fácil supor que Le Brun teria adorado este desfile.

Traduzido por Estela Ataíde

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