Thierry Guibert (Lacoste): "O acordo com o COI encaixa naturalmente na nossa estratégia"

A Lacoste e o Comité Olímpico Internacional (COI) escolheram o Museu Olímpico de Lausana, nas margens do Lago de Genebra, para anunciar, na segunda-feira, a primeira coleção de vestuário e acessórios lifestyle Olympic Heritage, no âmbito de um contrato de licença exclusivo assinado por três anos. A Lacoste, que equipa os atletas franceses desde os Jogos Olímpicos de 2014, aproxima-se assim um pouco mais desse universo. À conversa com a FashionNetwork.com, Thierry Guibert explicou os antecedentes deste acordo e os desafios de distribuição enfrentados pela marca. O presidente da Lacoste abordou também os planos atuais das marcas Gant e Aigle.


Thierry Guibert, da Lacoste, e Timo Lumme, do COI, anunciam o acordo de licenciamento exclusivo - DR

FashionNetwork.com: Como surgiu este projeto de acordo de licenciamento exclusivo para a criação de uma coleção Olympic Heritage com o COI?

Thierry Guibert: Nós reunimos após os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Os responsáveis do COI acharam elegantes as roupas que estávamos fazendo para os atletas franceses, por isso fizeram-nos esta proposta. Esta é uma grande oportunidade, porque não era fácil acreditar que o COI concordaria em emprestar-nos os seus aros e toda a iconografia relacionada com os Jogos Olímpicos. Depois, começaram as negociações e trabalhamos nas coleções a partir de um relatório conjunto. Este acordo é um desafio porque as equipes do COI são muito exigentes, especialmente no que diz respeito à utilização dos aros e ao universo gráfico dos Jogos.

FNW: Por que é que a Lacoste aceitou este acordo?

TG: Isto não algo repentino para nós. É um acordo coerente, que se encaixa naturalmente na nossa estratégia. O olimpismo reúne os valores que René Lacoste defendia: humildade, compromisso e esforço. A coleção Olympic Heritage permitir-nos-á chegar a um grande público com um posicionamento premium: os jovens, morem eles em cidades ou subúrbios, mas também pessoas de quarenta ou cinquenta anos e todos aqueles que gostam da marca ou têm sensibilidade para o esporte. Desde a nossa colaboração com a Supreme, recuperamos popularidade entre os jovens. É um público importante para a nossa imagem, mas não o único. Os jovens querem autenticidade e querem ser capazes de se identificar. A primeira coleção faz referência aos Jogos Olímpicos do México, em 1968. Nestes jogos viram-se vitórias lendárias, mas também momentos míticos, como o punho dos atletas Tommie Smith e John Carlos, quando subiram ao pódio, em referência aos Black Panthers e aos direitos dos afro-americanos. A próxima coleção de verão, que será lançada em 2019, será uma homenagem aos JO de 1984, em Los Angeles. Todos estes jogos fazem parte da memória coletiva e podem ter um verdadeiro poder de atração, entre outros, para os mais jovens.

FNW: Vão promover a linha Olympic Heritage com uma campanha de comunicação própria?

TG: Vamos começar com as repercussões que terá este lançamento oficial internacional hoje em Lausana. Depois, lançaremos uma campanha em meados de julho, quando será iniciada a distribuição numa dezena de países.



Seleção de produtos da primeira coleção Olympic Heritage, que será lançada em julho - DR

FNW: A Lacoste está recuperando o controle da sua distribuição internacional. Qual é o próximo passo?
 
TG: No início do ano, recuperamos o controle da distribuição em Espanha e na América Latina. Trata-se apenas de senso comum, porque precisamos de racionalizar a nossa rede de distribuição. Foi o trabalho que levamos a cabo na Espanha. Em contrapartida, em países ou áreas geográficas como a Tailândia ou o Médio Oriente, por exemplo, não precisamos alterar os acordos atuais, uma vez que estamos satisfeitos com os mesmos. Isto nem sempre é evidente, dadas as especificidades de determinados mercados. A chave continua a ser a qualidade dos produtos, a oferta no seu conjunto, a distribuição, o nível de serviço e o controlo da promoção.

FNW: A Gant anunciou na semana passada a chegada de um novo CEO, Brian Grevy. A que se deve esta mudança?

TG: A Gant é uma marca com grande potencial, mas acreditamos que ainda está pouco explorada. No entanto, é preciso lembrar que desde a aquisição por parte da Maus Frères, em 2008, não é mais que uma holding de marcas. Não controlamos a produção. O grupo teve que reestruturar o funcionamento da marca e tomar controle de posições-chave. Assumimos o controle da distribuição na Alemanha, que é o primeiro mercado da Gant, após recuperarmos a Benelux e os Países Baixos. A nomeação de Brian Grevy acontece num momento em que a marca precisa de acelerar o seu desenvolvimento. Precisamos trabalhar em profundidade sobre a identidade da marca, o seu DNA, os seus produtos emblemáticos, como a camisa polo, mas também os seus valores históricos: a liberdade e a descontração da década de 1960. Temos que incutir mais consistência na oferta da marca e na sua distribuição. Esta é a nossa missão nos próximos quatro a cinco anos.

FNW: E quais são as novidades mais importantes no que diz respeito à Aigle, outra marca do grupo Maus Frères International?

TG: Os últimos resultados da marca foram satisfatórios. A renovação realizada nos seus mercados mais antigos funcionou bem. Há muito tempo que é associada às suas botas e à caça, mas isso está mudando. Os consumidores habituaram-se à sua conotação com "hike and travel". Trata-se de um regresso às origens. Mudar a imagem é algo que demora o seu tempo. Também é interessante notar que nos nossos mercados asiáticos a marca aparece como nova e aspiracional. Não tem a mesma imagem que nos nossos mercados históricos. As vendas de botas têm resultados muito bons. Quanto ao volume de negócios global, ultrapassou os 200 milhões de euros em 2017.

Traduzido por Estela Ataíde

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