TheMicam: visitação em baixa

"Melhor que o previsto". Foi a constatação generalizada verificada junto aos expositores do Salão Internacional do Calçado, TheMicam, que ocorreu em Rho Fiera, às portas de Milão, de 3 a 6 de março de 2013. Assim como para o evento anterior de setembro e o de março de 2012, o salão acusa nesta 75ª edição uma ligeira baixa no fluxo de visitantes com 35.389 contra 36.049 um ano mais cedo, dos quais 19.181 são provenientes de 100 países, dentre os quais em particular a Rússia, os países da ex-União Soviética, a França e a Ásia, apontam os organizadores do salão em um comunicado no fechamento.
O Micam durante uma edição anterior.

"Estamos satisfeitos com estes resultados. A forte queda da demanda interna determinou uma baixa na presença dos compradores italianos, a qual foi compensada por um aumento dos operadores estrangeiros", comenta Cleto Sagripanti, presidente do salão e da Associação dos Calçadistas Italianos, Anci. A presença de marcas importantes como a Barneys, a Isetan e a Tsum "confirma a centralidade deste encontro para o setor da moda e dos calçados", enfatiza o comunicado

"Ao contrário do que eu imaginava este salão foi muito positivo, seja no âmbito dos pedidos ou no dos contratos firmados com novos clientes, incluindo grandes marcas, vindas do Oriente Médio e da América Latina", expõe com alegria Giuliano Puccini do Calzaturificio Nuovo Nicar, fabricante toscano especializado em sandálias. "Um sucesso devido, sobretudo, a uma oferta mais acessível visando à flexibilidade do produto e do preço", explica ele.

Mesma opinião encontrada na Piaciotti 4US, a linha esportiva de Cesare Piaciotti, presente pela segunda vez no TheMicam. "Os resultados foram além de nossas expectativas com muitos clientes vindos da Rússia e da Ucrânia", aponta um dos responsáveis. "Havia um pouco mais de visitantes em relação às últimas edições", quase exagerando Delio Giustozzi, especialista em calçados para crianças e titular da marca Chérie. "O setor infantil, em particular, está sofrendo com a crise. Já percebemos isso em nossas vendas há dois, três anos. Estamos sendo penalizados, especialmente pelos concorrentes italianos que importam calçados feitos na China sem nenhuma certificação", fustiga ele.

Para Remo Latini, coordenador de produtos da marca de calçados femininos Alberto Fermani, esta edição "ficou na média. Não foi um sucesso, mas estamos satisfeitos, considerando a conjuntura". Presente há mais de vinte anos no salão, Alberto Fermani, cujo volume de negócios chega a 15 milhões de euros, conta com uma clientela fiel. "Só que os compradores se tornaram mais atentos. Até mesmo os Alemães, conhecidos por gastar mais, restringiram o orçamento. Os Russos vieram com força, pelo contrário, os Japoneses estão em menor número por causa da alta do iene", observa ele.

O expositor de uma pequena marca, que participou de muitos salões europeus, faz uma constatação mais severa: "Os compradores estrangeiros não estão vindo mais para Milão. Eles preferem se concentrar em Paris", diz ele. Stefano Cappelletti, responsável comercial do Calzaturificio Cappelletti, o qual produz particularmente sob licença a marca alemã de calçados de montanhismo Bogner, julga, por si, o balanço desta edição como "um pouco mais discreta".

“A crise está sendo sentida, principalmente em alguns países como a Itália, onde reduzimos nossa presença. Neste contexto, decidimos participar da primeira edição chinesa do TheMicam em Shangai de 9 a 11 de abril próximo. É o único meio para encontrarmos saídas. Se não tentarmos nada, de qualquer maneira não encontraremos nada", conclui ele.

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