Poiret renasce com exuberância

O renascimento era uma prova difícil para a Poiret, mas a marca passou com distinção. Fundada em 1904 pelo designer Paul Poiret, a casa de couture parisiense fechou as suas portas em 1929. Comprada em 2015 pelo grupo coreano Shinsegae International, a marca deus os seus primeiros passos na passarela da capital francesa no domingo, apresentando-se Musée des Arts Décoratifs com uma coleção para o outono-inverno 2018/19 imensamente aplaudida, assinada por Yiqing Yin.


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Poiret - outono-inverno 2018 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula

A designer francesa de origem chinesa, de 32 anos, reinterpretou os códigos da maison, como tecidos ricos, cores vivas ou orientalismo, mantendo, porém, uma certa distância para evitar o risco de apresentar uma cópia para conseguir “um espírito Poiret”.
 
"Há um ano que estamos trabalhando neste projeto, através de muita pesquisa e trabalho nos arquivos, para depois darmos um passo atrás e nos focarmos principalmente na personalidade da Paul Poiret, que libertou o corpo feminino do corpete”, explicou a designer no backstage.
 
O espírito deste designer pioneiro era visível numa certa indiferença e num toque de extravagância, mas sempre com classe, exibindo uma sensualidade sem excesso. As roupas são maleáveis e versáteis, como se mudassem de personalidade de uma mulher para a outra. As parkas e blusões oversize, em tecidos jacquard técnicos suntuosos, ora são usados como uma manta sobre os ombros, ora como um vestido de noite.   
 
Uma blusa de gola alta cinzenta revela-se por baixo de um vestido estilo kimono em seda shantung cor de ferrugem. Um pequeno casaco de couro conjuga-se com uma saia a direito com rachas vertiginosas na frente e atrás. Enormes camisolas em mohair transbordam sobre elegantes saias longas plissadas.


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Poiret, outono-inverno 2018 - © PixelFormula

Os brilhos estão em todo o lado, mas descomplexados, em macacões fluidos, nos vestidos assimétricos plissados sem mangas, em tonalidades douradas, ou ainda num vestido de nó gigante, feito num tecido crocante em fio de ouro metalizado, lembrando o papel dourado que embrulha os chocolates.
 
“Na Paul Poiret havia extravagância na decoração e no acabamento dos tecidos, mas a arquitetura das roupas era muito sóbria”, recorda Yiqing Yin, que propõe na sua coleção uma série de vestidos monocromáticos que jogam com drapeados, plissados, tecidos cruzados e efeito descaído. Muitas vezes sem botões, estes vestidos estão presos à cintura por um simples nó ou por fechos-éclair que atravessam as costas… ou a parte da frente, dependendo da disposição.

“Criei roupas que convidam as mulheres a brincar e a expressar a sua própria personalidade. Muitos modelos podem ser usados de maneiras diferentes, as costas para a frente e vice-versa, cintados ou soltos, com volumes que oscilam. A roupa adapta-se à disposição da mulher e às suas intenções secretas ao longo do dia”, explicou a designer.


Poiret, outono-inverno 2018-19 - © PixelFormula

“É a mulher que usa a roupa e não o contrário. É ela quem decide quem ela é! Com a Poiret, ganha forma uma mulher muito livre e muito forte”, acrescenta a CEO da marca, Anne Chapelle, que é também responsável pelas marcas Ann Demeulemeester e Haider Ackermann, das quais é também parceira financeira.
 
“A maison Poiret destina-se a todas a mulheres, brincando com os contrastes, usando, por exemplo, materiais belíssimos em peças desportivas e vestidos de noite muito simples. É um luxo acessível com uma elevada qualidade. Tudo é produzido e desenvolvido internamente”, realça a responsável, que está à frente de uma equipa de 24 pessoas de 16 nacionalidades. Os tecidos são fabricados exclusivamente para a Poiret na França, Itália e na Suíça, e a produção é europeia.

Traduzido por Estela Ataíde

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