O que as redes de varejo estão fazendo para diminuir a ruptura?

A sociedade contemporânea vive tempos dinâmicos, movidos pelo desenvolvimento tecnológico e pela grande fluidez das relações mundiais. O que o grande sociólogo Zygmunt Bauman chama de modernidade líquida – o tempo em que toda a estrutura social passa por grande volatilidade.

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Com tantos conceitos e ferramentas surgindo a todo momento e um mercado cada vez mais competitivo, as empresas precisam se esforçar para cada vez mais cortar possíveis brechas improdutivas em seus modelos de negócio. Uma questão de sobrevivência. Quando se trata de varejo, um tema em especial chama atenção: a ruptura.

Basicamente, ela acontece quando o cliente procura por um produto e não o encontra na prateleira. Esse cenário leva em consideração diversos pontos da operação. “A ruptura pode ter várias origens: por problema de compra, por um abastecimento que não foi realizado no momento correto, pela falta de previsão para o abastecimento”, explica Paulo Ferezin, sócio-diretor para varejo e bens de consumo da KPMG.

O problema também pode ser gerado porque a indústria não entregou a tempo, pela falta de entrega do próprio centro de distribuição da empresa ou até por problemas operacionais do cotidiano, como quando o produto chega à loja mas não é levado para a prateleira. São muitos os tipos de ocorrência – e elas variam de acordo com o modelo de negócio do varejista.

“As rupturas são um pesadelo para as empresas. Além de ficar com a gôndola cheia de buracos, o varejista não atende às demandas do consumidor e prejudica as vendas”, destaca André Almeida, vice-presidente e diretor de Commercial da Unisys para a América Latina. “Muitas vezes o consumidor opta por deixar de realizar a compra, procura o produto em outra loja ou acaba escolhendo o produto de uma marca concorrente”, complementa.

Cada segmento traz sua particularidade, mas é possível que mesmo um caso isolado traga aprendizado para toda a cadeia. Alguns pontos de dor enxergados pela Arezzo, por exemplo, são comuns em outros setores que não necessariamente o de moda.

Como aponta o coordenador de infraestrutura de TI da marca, Adriano Luiz Weschenfelder, a loja física possui limitação de estoque. “É muito comum ter quebra de grade, ou seja, temos o produto, mas não necessariamente na cor ou tamanho solicitado pela cliente”, conta. Também existem os casos em que um determinado produto teve aposta baixa pela empresa e acaba esgotando.

A solução encontrada para a situação foi disponibilizar iPads para as equipes de venda das lojas. Assim, os vendedores podem vender o produto disponibilizado on-line para entrega diretamente na casa do cliente.

No ambiente on-line, a opção é o “Avise-me quando chegar”. “Ele também é compartilhado por geolocalização com a loja mais próxima – assim podemos suprir a necessidade da cliente de forma mais rápida”, explica o executivo.

Klaus Engelmann, network engineer da Nap IT, empresa responsável pela infraestrutura de rede da varejista de moda, lembra que é essencial evitar a falta de integração entre os sistemas comerciais das marcas. “Isso faz com que as empresas atuem de forma isolada e não padronizada”, descreve.

Principalmente em um momento em que tanto se fala sobre omnichannel. Os consumidores acessam os produtos tanto na loja física quanto na on-line – portanto, a visão sobre o estoque de qualquer companhia precisa ser holística. Caso contrário, fica muito difícil evitar a ruptura.

Fonte: Portal NoVarejo

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