O ano de todos os recordes para Bernard Arnault na LVMH

A LVMH espera um ano de crescimento fulgurante, ainda que as tendências a longo na economia global incitem a uma cautela considerável, insistiu Bernard Arnault, presidente da LVMH, durante a assembleia geral anual de acionistas do grupo de luxo. Diante de uma plateia de 2 mil pessoas, reunidas no Carrousel du Louvre, Arnault classificou como “fake news” os rumores de uma hipotética aquisição da Chanel.


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Louis Vuitton - outono-inverno 2018 - Moda feminina- Paris - © PixelFormula
 
"Tivemos um ano recorde, graças a um mercado lucrativo e resultados muito bons para o nosso grupo, ainda que a conjuntura, na minha opinião, cause preocupação a médio prazo", disse Bernard Arnault à multidão que se juntou para o ouvir em Paris.

O presidente da LVMH foi questionado pela FashionNetwork.com sobre os rumores de uma reunião entre um importante executivo da LVMH e os donos da Chanel, a família Wertheimer, no final do ano passado: está o grupo tentado a comprar a marca lendária? Aparentemente exasperado, Arnault respondeu abruptamente, provocando risos na plateia: "A Chanel é uma casa magnífica. Mas, não temos nenhum contacto com ela. Não sei quem lhe disse isso. A certa altura, todos esses rumores transformam-se em informações falsas. Sabe melhor do que eu que essas "fake news" são contantes.”

Bernard Arnault, cuja família alargada controla o gigante do luxo, observou que, em 2017, o volume de negócios da LVMH ultrapassou pela primeira vez o limiar dos 40 mil milhões de euros e que o seu rendimento líquido ultrapassou o marco dos 5 mil milhões de euros; até o fluxo de caixa aumentou 20%, apesar da aquisição da Christian Dior e da marca de malas Rimowa.

"É o resultado de uma criatividade excecional", disse o executivo de 69 anos, cujo grupo pagou 2,109 mil milhões de euros em impostos no ano passado, contra 2,318 mil milhões no ano anterior.

Durante o último ano fiscal, o departamento de vinho e bebidas espirituosas da LVMH também adquiriu várias marcas. "Um pouco de whisky americano e um vinho californiano vindo de um lugar incrível em Napa, nas margens do lago Hennessy. Deveriam ir lá. E uma tequila mexicana", disse Bernard Arnault.
 
Cantando louvores à champagne, que alcançou "um sólido aumento de 4% nas vendas", elogiou também os méritos da última Cuvée Spéciale da Dom Pérignon, Cuvée P2, aparentemente esgotada. “Eu próprio tenho dificuldades em encontrar uma garrafa. É verdade! Não consegui encontrar uma garrafa para comemorar um aniversário em minha casa", brincou.

A propósito das grandes marcas do grupo, Bernard Arnault louvou o talento do “criador excecional" que é Nicolas Ghesquière, responsável pelo prêt-à-porter feminino da Louis Vuitton, e mostrou-se encantado com o sucesso das carteiras criadas em colaboração com Jeff Koons. "A carteira Mona Lisa esgotou!", exclamou.
  
"Na Vuitton, o nosso diretor artístico, Nicolas Ghesquière, tem muito orgulho em vestir a primeira-dama francesa. Embora não tenha realmente um impacto comercial, temos o prazer de lhe emprestar roupas, que são usadas com grande elegância pela Srª. Macron."
 
No entanto, Bernard Arnault recusou-se a revelar o volume de negócios do 24 Sèvres, o site de comércio eletrónico do qual tanto ouvimos falar e que, considerando o tamanho da LVMH, distribui relativamente poucos produtos. "Esse número é confidencial", disse.

No domínio dos perfumes e cosméticos, Bernard Arnault anunciou que a Christian Dior ganhou quota de mercado e conheceu "um sucesso incrível com o Sauvage no âmbito dos perfumes masculinos". "A criatividade é o cerne do nosso grupo. Conseguimos comprar muitas novas marcas, como a Kurkdjian. É uma pequena marca de perfumes, dirigida por um criador muito talentoso, e acreditamos que pode fazer maravilhas."

Finalizando o seu discurso com o tema da arte contemporânea, revelou que a exposição da Fundação Louis Vuitton "Ícones da Arte Moderna. A coleção Shchukin", organizada em 2016, "quebrou todos os recordes de uma exposição de pintura em França", antes de acrescentar que a Fundação planeia agora exibir a sua própria coleção de pintores russos da mesma época.
 
Com uma voz calma e pausada, Bernard Arnault saudou a memória do seu amigo Pierre Godé, um dos seus primeiros colaboradores, falecido recentemente, antes de se dirigir diretamente a dois dos seus executivos.
 
"2017 foi marcado pela chegada da Dior ao nosso grupo, o que aproximou a moda e o perfume, mas também trouxe Pietro Beccari (o novo CEO da Dior) a Paris para aperfeiçoar o seu francês, que já é bastante louvável. Já Sidney Toledano (ex-CEO da Dior e agora à frente da maioria das outras marcas da LVMH), nunca muda. Temos um novo designer na Céline – o extremamente talentoso Hedi Slimane - e verão esta marca disparar com o seu talento extraordinário. E esperamos grandes resultados!", assegurou Bernard Arnault, dirigindo-se a Sidney Toledano, sentado na primeira fila, como a maioria dos CEOs do grupo.

Durante o seu discurso de 45 minutos, Bernard Arnault, natural de Lille, parecia particularmente orgulhoso por criar postos de trabalho.
 
“Estamos muito orgulhosos por contratar artesãos; desenvolver equipas que podem criar belos produtos leva o seu tempo, um ano ou mesmo 18 meses. Agora, contamos com 140 mil funcionários. Quando cheguei à LVMH, no início dos anos 90, o grupo tinha apenas 20 mil. "

Traduzido por Estela Ataíde

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