O Brexit rumo à uma transição mais demorada?

A primeira-ministra britânica, Theresa May, sob pressão dos seus pares europeus para reiniciar as negociações do Brexit, declarou na quinta-feira (18) que uma transição mais demorada não está descartada.


A UE exige progressos, e portanto uma transição mais demorada não agrada. - Philippe Huguen / AFP

A opção de estender por "poucos meses" o período de transição - até o momento previsto para finalizar até dezembro de 2020 - "emergiu", explicou Theresa May, em Bruxelas, na quinta-feira (18), um dia após sua breve aparição diante de seus 27 homólogos.

Segundo May, o recurso à essa possibilidade não deve ser necessário, e ela está contando com a negociação de um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Européia antes do final de 2020.

Muito controversa na Grã-Bretanha, onde imediatamente causou descontentamento, esta possibilidade também foi acolhida com cautela pelos 27 homólogos, incluindo com certo "ceticismo" por alguns deles, de acordo com uma fonte europeia.

A ideia de uma extensão do período de transição não necessariamente irá desbloquear a situação, disse uma fonte no Elysée. Por outro lado, segundo observou uma fonte europeia: "É algo que flutua (...) Se isso puder ajudar, não tem problema".

As negociações sobre os termos do Brexit estão bloqueadas na questão da fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte, e a definição do “backstop” necessário para assegurar que uma fronteira física não será implantada novamente na ilha, a fim de preservar os Acordos de Paz de 1998. A extensão do período de transição permitiria mais tempo para negociar um futuro acordo comercial entre a UE e o Reino Unido, e evitaria ter de recorrer a este “backstop”.

Um alto funcionário britânico confirmou na quinta-feira que, embora o período de transição seja prolongado, o Reino Unido permanece contrário ao "recuo" proposto pelos europeus. Esta solução prevê manter a Irlanda do Norte na união aduaneira e no mercado único, caso não seja encontrada outra solução.

Londres, por outro lado, propõe se manter alinhada com as regras alfandegárias da União até a assinatura de um acordo de livre comércio mais amplo, para evitar o controle de mercadorias nas fronteiras.

Ambos os lados estão, portanto, bem posicionados. "Não é possível para o Reino Unido manter todos os benefícios do mercado comum, mas somente segundo seus próprios termos", explicou o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, lembrando as linhas vermelhas da UE.

A bola no campo britânico

Os 27 esperam, portanto, por novas propostas de Theresa May para reiniciar as discussões. "Mais do que nunca a bola está no campo da Grã-Bretanha", disse o primeiro-ministro belga, Charles Michel.

Após a breve apresentação da líder britânica, os 27 decidiram - durante um jantar - não convocar uma cúpula extraordinária em novembro, conforme era previsto com o objetivo de finalizar as negociações. "Não houve progresso suficiente" nas últimas semanas para decidir sobre uma cúpula, disse uma fonte européia após a reunião.

Não determinar uma data, "dá mais liberdade para negociar. A negociação deve acelerar agora", disse o presidente francês Emmanuel Macron na quinta-feira, deixando a porta aberta para uma reunião "quando for necessário".

Com as negociações enroscadas e o tempo passando, o cenário de uma falta de acordo paira cada vez mais nas discussões. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que isso era "mais provável do que nunca" em seu convite para a cúpula.

A Comissão Europeia fez um adendo sobre o estado dos preparativos em caso de "no deal" durante o jantar. Não foi "uma grande discussão", disse uma fonte européia. "Mas acho que o sentimento claro é que agora temos que acelerar (nossa preparação) para todos os cenários", disse a fonte.

Traduzido por Novello Dariella

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