Milão: Fashion Week feminina cresce e fica mais rica

Depois de Nova York e Londres, Milão assume o comando com um programa reforçado. A Semana da Moda dedicada às coleções femininas para a primavera-verão 2019, que está prestes a invadir a capital da Lombardia de terça-feira, 18, a segunda-feira, 24 de setembro, ganha, na verdade, um dia relação à temporada passada. Esta terça-feira será dedicada principalmente a eventos especiais, enquanto o número de desfiles se mantém relativamente à edição de fevereiro.
 
Após o seu desfile de fevereiro, Emilio Pucci opta nesta temporada por uma apresentação - © PixelFormula

Apesar de treze deserções, que incluem a ausência notória da Gucci, que escolheu desfilar em Paris, e da Tommy Hilfiger, que tinha feito apenas uma etapa em Milão no inverno passado, o calendário feminino consegue, ainda assim, reequilibrar-se graças a oito novos nomes - Agnona, Fila, A.F. Vandevorst, GCDS, Act n°1, Ultràchic, Chika Kisada e Tiziano Guardini - e três grandes regressos com Byblos, que se relança com uma nova gestão, Iceberg de volta de Londres, e Philipp Full, que faz o seu come-back após algumas temporadas em Nova York.
 
No inverno passado, a semana da moda italiana antecipou a sua abertura uma noite, com a apresentação especial da Moncler. Nesta temporada, aproveita todo o dia suplementar de terça-feira com vários eventos. Começando com o primeiro desfile em Milão da Curiel Couture, casa de moda italiana que conheceu um novo impulso sob a liderança do seu novo proprietário desde 2016, o grupo chinês Redstone. Outro desfile antecipado é o de Luisa Spagnoli, marca de prêt-à-porter transalpina fundada em Perugia em 1928, que festeja por ocasião da sua estreia na passarela os seus 90 anos.

Nessa mesma terça-feira, a marca esportiva italiana Fila irá entrar na arena da moda com uma retrospetiva na Trienal de Milão, e fará a sua estreia nas passarelas no domingo, 23 de setembro, com a sua primeira coleção de moda desenhada pelos jovens designers Antonino Ingrasciotta e Joseph Graesel.
 
No dia seguinte, quarta-feira, começa a se desenrolar o calendário habitual, com um total de 165 coleções e 59 desfiles oficiais, contra 156 coleções com 61 desfiles em fevereiro. A estes números somam-se 82 apresentações e 44 eventos. Sem esquecer os vários espetáculos fora do calendário, incluindo os da Dolce & Gabbana, no domingo 23, mas também de Maryling, Giada, Elisabetta Franchi, Raffaela D'Angelo ou ainda os desfiles das marcas chinesas e Ellassay e Yinger Grupo no âmbito do projeto Fashion Shenzhen.


Luca Lin e Galib Gassanoff, designers da Act n°1, darão os seus primeiros passos na passarela milanesa - DR

Entre os momentos mais esperados: o desfile, a 22 de setembro, dos flamengos A.F. Vandervorst, que deixaram Paris nesta temporada para celebrar o seu 20º aniversário na capital da Lombardia, bem como o espetáculo evento da Emporio Armani. A linha jovem de Giorgio Armani saltou a sessão masculina em janeiro para revelar durante a temporada feminina as suas coleções masculina e feminina num único desfile, que será realizado na noite de quinta-feira, 20, no gigantesco hangar do aeroporto milanês de Linate com mais de 2 mil convidados. Jil Sander também escolheu um cenário único para o seu desfile, uma antiga fábrica de panettones em desuso.

Outro destaque é a segunda edição do Green Carpet Fashion Awards Italia, os Oscars da moda eco-sustentável lançados no ano passado pela Câmara Nacional da Moda Italiana (CNMI), com a agência Eco-Age e o apoio do governo, que encerrará a semana no domingo, 23, com uma grande festa de gala no Teatro La Scala, que terá como convidados os nomes mais importantes do Made in Italy.

E não vamos nos esquecer dos salões de moda White Milano e Super, bem como os diversos eventos paralelos, como o projeto Milano XL, que regressa com seis instalações sob forma de cubos espalhados pela cidade em celebração da excelência do Made in Italy, as exposições, incluindo a "Generation Paisley", da Etro, e a de Sarah Moon no museu Armani Silos, ou ainda o Fashion Film Festival de Milão. 

Lado a lado com pesos pesados como Prada, Fendi, Moschino, Versace, Roberto Cavalli e Ferragamo, esta Fashion Week será principalmente uma oportunidade para descobrir um vasto leque de novos talentos. Como a Act n°1, jovem marca vencedora do concurso Who in on next ? 2017, que já conta com 40 revendedores. Fundada em 2016 por Luca Lin, filho de imigrantes chineses, e Galib Gassanoff, um azeri que cresceu na Geórgia, a marca com sede em Reggio d'Émilie, perto de Parma, caracteriza-se pela mistura destas culturas e origens diferentes.
 
Look do couturier Tiziano Guardini - tizianoguardini.com - tizianoguardini.com

Outro vencedor, desta vez dos Green Carpet Fashion Awards como designer emergente, é Tiziano Guardini. O jovem romano define-se como um "eco-couturier", que faz da celebração da natureza a assinatura da sua marca hiper feminina. Também para descobrir, a interessante Chika Kisada. Esta ex-bailarina orientou-se para a moda, onde se inspira no universo do ballet e na relação com o corpo para reinterpretar a silhueta feminina. Quanto à jovem marca de streetwear GCDS, que já desfila há duas temporadas em Milão, no calendário masculino, faz agora a sua estreia no programa feminino, para o qual se mudou.
 
Por fim, os primeiros desfiles da Agnona e da Ultràchic também merecem atenção, ainda que ambas já estejam ativas no mercado. A primeira, nascida em 1953 e propriedade da Ermenegildo Zegna, vem desfrutando de um renascimento desde que foi confiada, em 2015, ao diretor criativo anglo-americano Simon Holloway. A segunda, lançada em 2006 por Diego Dossola, diretor criativo, e Viola Baragiola, que gere o negócio, é um grande sucesso comercial e até abriu uma loja no coração de Milão.

Por outro lado, muitas as marcas jovens e menos jovens que figuraram nestas últimas temporadas no calendário dos desfiles de moda milaneses, saíram do mesmo. Num contexto económico incerto, é por vezes difícil financiar um desfile. Às vezes, também, as estratégias ou os formatos mudam. Assim, Albino Teodoro, Lucio Vanotti, Vionnet, Emilio Pucci e Au Jour le Jour mudaram-se para o calendário de apresentações nesta temporada.

Christian Pellizzari, Trussardi, Angel Chen não aparecem em nenhum dos dois programas. Bem como Piccione.Piccione, em fase de reorganização, a marca Mila Schön, privada do seu diretor artístico Alessandro De Benedetti, que partiu após cinco anos para relançar a sua própria marca, e Krizia. Esta última, marca simbólica da moda italiana nos anos 1980-90, passou para as mãos do chinês Shenzhen Marisfrolg Fashion em 2014 e está em plena fase de reestruturação. 

Será possível descobrir no encerramento da Semana de Milão, na segunda-feira, 24 de setembro, um último novo nome, desta vez inscrito no programa de eventos. A marca chinesa Jessie, dirigida pelo designer italiano Federico Piaggi, que trabalhou para Gianfranco Ferré. Esta é a primeira vez que se apresenta internacionalmente, com um espetáculo em Milão.

Traduzido por Estela Ataíde

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