Luxo: novas estratégias para enfrentar um mercado instável

Em um mercado cada vez mais volátil, a indústria de luxo está lutando para encontrar seu rumo. Durante dois dias, os participantes da International Luxury Conference, do New York Times, evento realizado de 13 a 14 de novembro em Bruxelas, tentaram enxergar de forma mais clara, propondo algumas dicas de trabalho. Entre eles, a CEO da Saint Laurent, Francesca Bellettini, apresentou algumas das reflexões mais interessantes.


Steve Shiffman, CEO da Calvin Klein - The New York Times International Luxury Conference

"Os clientes de hoje são muito mais móveis, eles compram em todos os lugares. De fato, nossos clientes não são apenas aqueles que compram nossos produtos, mas os que estão engajados com a marca nas redes sociais", observa Francesca Bellettini.

Outro ponto apresentado pela executiva é a importância de consolidar o negócio localmente para depois poder se desenvolver internacionalmente. "Se você se concentrar demais em um determinado segmento ou região de clientes, você corre o risco de perder uma grande quantidade dessa base no caso de um grande incidente em uma região ou de mudanças geopolíticas. Acredito que é preciso criar o engajamento com o cliente primeiro na sua região, para depois expandir à outros países", explica.

Durante a New York Times International Luxury Conference, falou-se muito sobre legado e a importância do logotipo. Mais uma vez, a líder da Saint Laurent entregou ao público um ponto de vista original. "É absurdo apostar tudo no logotipo. Há pouco tempo, este era o único valor da marca. Você não pode mais achar que vende o produto de uma marca apenas pelo nome desta. Os jovens de hoje precisam sentir que pertencem a uma comunidade, em vez de se reconhecerem através de um logotipo. Eles compram a sua marca porque compartilham os mesmos valores, daí a importância de ser inclusivo", analisa a executiva.

A inclusão, aliás, é a nova palavra-chave para os gestores da indústria de luxo, como indica Victor Luis, responsável pela Tapestry (Coach, Stuart Weizmann, Kate Spade), explicando a importância do diálogo e de um envolvimento maior com o consumidor. "Somos totalmente e absolutamente inclusivos, seja em relação aos nossos funcionários ou nossos clientes", acrescenta Antoine Arnault, CEO da Berluti.

Estar mais conectado com as novas gerações não deve comprometer a imagem exclusiva e de alto padrão das marcas de luxo, que devem assegurar seu posicionamento. "Nós não fazemos fast fashion, temos de permanecer um produto de luxo, algo que nem todos podem fazer, caso contrário, arriscamos destruir nossos negócios", diz Francesca Bellettini, lembrando que "atualmente, o Diretor Artístico é o elemento mais importante da marca”.

O CEO da Calvin Klein, Steve Shiffman, compreendeu bem isso. Ele deixou a direção criativa para relançar a marca americana, conhecida nos últimos anos especialmente por seus jeans e roupas íntimas. "Reinventar não é fácil e requer risco, mas a mudança é essencial", diz ele.

"Nós precisávamos de uma revolução, então eu decidi devolver o poder à criatividade ao trazer Raf Simons para o meu lado. Eu queria tornar a marca mais forte, deixando-a mais elegante e sofisticada”, diz ele, se alegrando com a parceria que trouxe vida nova à empresa em todos os níveis. "Raf é um estilista excepcional que cuida de todos os aspectos da marca, das coleções, à publicidade e imagem, e é empolgante trabalhar com ele. Ele é único", conclui.
 

Traduzido por Novello Dariella

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