Lush Cosmetics fechará lojas e a fábrica no Brasil

Pela segunda vez, a marca de cosméticos britânica Lush está indo embora do Brasil. Em um comunicado oficial, representantes informaram que fecharão as lojas e a fábrica da empresa no dia 20 de junho. Na nota, eles explicam que não conseguiram ter lucro nos últimos quatro anos em que operaram no país.


Loja da Lush no Brasil - Divulgação


"O Brasil é um mercado muito difícil para a operação de uma marca britânica. Apesar do crescente aumento de vendas, depois de 4 anos enfrentando prejuízos, a alta carga tributária, a prolongada recessão econômica, somados à instabilidade política, tornaram impossível à Lush continuar investindo e lucrar no país", diz a companhia no texto.

Até que as atividades sejam encerradas ou que acabem os estoques, os produtos serão vendidos com 50% de desconto, exceto o hidratante Charity Pot e acessórios como bolsas, lenços e latinhas. A loja virtual e o serviço de atendimento ao cliente ficarão disponíveis até 31 de agosto.

“Adoramos atendê-los e gostaríamos de agradecer toda a paixão e entusiasmo de vocês sobre nossos produtos e marca ao longo desses anos”, afirmou a marca na sua página no Facebook.

Atualmente, a Lush tem cinco lojas, um e-commerce e 129 funcionários no país. A fábrica, em Bom Jesus dos Perdões, SP, emprega 44 pessoas. Em todo o mundo, são 932 lojas e 38 lojas virtuais distribuídas em 49 países.

Por meio das vendas da loção corporal 'Charity Pot', produto cuja venda menos impostos é revertida para ONGs, a empresa arrecadou aproximadamente R$ 280 mil no Brasil, sendo que R$ 127 já foram doados para 23 diferentes organizações. Segundo o comunicado da empresa, as doações para projetos brasileiros continuarão até que não haja mais dinheiro guardado. 


O hidratante charity pot, cuja venda é revertida para ONGs - Divulgação

A marca britânica cria seus produtos com ingredientes naturais e feitos à mão, não realiza testes em animais e evita o excesso de embalagens. A empresa já tinha encerrado atividades no Brasil em 2007. Na época, a experiência não deu certo por uma questão de logística: como os produtos são frescos, eles chegavam ao Brasil com validade muito reduzida. Além disso, a um problema judicial complicou a operação por aqui. A marca operava desde 1999 por meio de franquias lideradas pela empresária paulistana Sandra Isper Rocha e seu sócio, o arquiteto Léo Shehtman. Em 2007, Sandra processou a Lush UK e o ex-sócio por quebra de contrato de exploração da marca no país. O processo havia sido extinto por perda de prazo, mas ela conseguiu uma reversão da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no início deste ano. A Lush informou que a disputa judicial não interfere na decisão de fechar as portas.

Em 2014, a Lush resolveu voltar a investir no Brasil com 30 lojas próprias e uma fábrica, para resolver a questão da data de vencimento dos cosméticos.

“Seguiremos comprometidos em manter nossa contribuição com o debate local sobre testes em animais e continuaremos obtendo muitos de nossos ingredientes – desde o cumaru até o mel orgânico obtido com base no comércio justo – diretamente das comunidades locais brasileiras. Isso não é um adeus”, finalizou a nota.

 

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