Lanvin: equipe exige garantias ao novo proprietário Fosun

Aconteceu nesta quinta-feira (15) uma reunião extraordinária entre funcionários da Lanvin e executivos da Fosun. O objetivo do encontro prende-se com a intenção, por parte da equipe da Lanvin, de proteger os seus empregos após a aquisição de uma participação maioritária da marca por parte do grupo chinês na sexta-feira passada, como foi divulgado à FashionNetwork.com por fontes próximas do assunto. 


Lanvin, primavera-verão 2018 - Pixelformula

Considerando que a lei indica que os funcionários devem ser mantidos informados quando uma proposta de compra é aprovada, os funcionários da maison parisiense colocaram questões não só sobre a estratégia da empresa, mas também acerca do próprio conglomerado chinês, que, até à data, ainda não demonstrou experiência em matéria de revitalização de uma casa de luxo.
 
Os funcionários da Lanvin temem possíveis demissões assim que a transação se efetive, sobretudo porque a marca francesa acumula perdas desde 2016 e o seu déficit já supera os 30 milhões de euros. A Fosun poderia contemplar uma redução de custos para se adaptar às fracas receitas. As vendas anuais da Lanvin reduziram para metade no decorrer dos últimos três anos: no final de 2014 ainda alcançavam os 200 milhões de euros.

Muitos funcionários abandonaram a empresa após a demissão do diretor artístico Alber Elbaz em 2015, segundo revelam fontes próximas à maison parisiense. Outros pediram aposentadoria antecipada, enquanto outros ainda estão em litígio com a Lanvin por demissão injustificada. “O conselho de empresa da Lanvin tentará reunir toda a informação e garantias possíveis sobre os postos de trabalho”, disse uma das nossas fontes, que deseja permanecer anónima.  
 
A Fosun terá previsto investir mais de 100 milhões de euros na maison, uma vez que se efetive a compra da sua participação maioritária a Shaw-Lan Wang, a sua proprietária taiwanesa, mas não se sabe exatamente quando esse investimento chegará aos bolsos da marca. A Fosun não quis responder aos nossos vários contactos.

De acordo com várias fontes, Shaw-Lan Wang teria conseguido manter uma participação de 20% da maison parisiense – o que significa que, mesmo que tenha perdido o seu lugar no conselho de administração, poderá continuar interferindo na tomada de decisões. O investidor suíço-alemão Ralph Bartel, que tem uma participação de 25%, também obteve da Fosun a garantia de que continuaria a ser um acionista de 20-25%. Ainda não está claro se Alber Elbaz ainda tem uma participação minoritária indireta na empresa, uma vez que Shaw-Lan Wang ainda tem alguns pendentes com o designer com dívidas não resolvidas desde a sua saída em 2015.

Assim como a FashionNetwork.com anunciou na passada sexta-feira, Alber Elbaz venceu o caso contra a empresa-mãe da Lanvin, obtendo mais de 10 milhões de euros antes do Natal. A Lanvin informou-nos, através de um porta-voz contactado por e-mail, que metade deste valor corresponde à remuneração a que lhe dava direito o seu contrato, enquanto o montante restante serve de compensação pela sua saída precipitada. No mesmo e-mail, a Lanvin informa que Alber Elbaz não recebeu nenhuma indenização por danos morais (o designer pedia 20 milhões), nem os 50 milhões de euros que exigia como compensação pela venda da sua participação indireta na empresa. Não foram fornecidos detalhes adicionais por parte da Lanvin nem pelo seu antigo diretor artístico.

Por outro lado, a maison anunciou que o seu desfile irá de fato acontecer no dia 28 de fevereiro, após um mal-entendido com a federação francesa da couture e da moda, que pensava que a marca parisiense pretendia substituí-lo por uma simples apresentação.

Traduzido por Estela Ataíde

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