Hermès ultrapassa Kering em capitalização de mercado na Bolsa de Paris

A Hermès superou a Kering em termos de capitalização de mercado na Bolsa de Paris, apesar de as suas vendas anuais não representarem sequer um terço das do gigante conglomerado de luxo.


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A receita anual da maior marca da Kering, a Gucci, ultrapassa a da Hermès. No entanto, os investidores são claramente atraídos pelos lucros líquidos recordes da Hermès, por seu prestígio exclusivo e pela crescente demanda pelos seus produtos mais populares, das bolsas Hermès a 7 mil euros às carteiras Birkin de crocodilo, vendidas a mais de 20 mil euros. A Gucci encerrou 2017 com um volume de negócios de 6,2 bilhões de euros, aproximadamente 40% da faturação anual do grupo Kering. A Hermès, em comparação, obteve uma receita anual de 5,559 bilhões de euros no mesmo ano.

Na quinta-feira (19), na Bolsa de Paris, a ação da Kering foi avaliada em 431 euros, para uma capitalização de mercado de 54,41 bilhões de euros; a ação da Hermès, a 518 euros, correspondia a uma capitalização de 54,68 bilhões de euros. Uma soma verdadeiramente surpreendente, representando quase dez vezes o seu volume de negócios anual. O outro peso-pesado ​da moda e do luxo em França, a LVMH, registou 279,90 euros ao meio-dia, para uma capitalização de mercado de 141,37 bilhões de euros.

“As ações da Hermès são claramente supervalorizadas pelos investidores. Além disso, tivemos dois trimestres particularmente satisfatórios no setor do luxo, com ótimas condições”, disse Luca Solca, analista especialista em luxo da Exane BNP Paribas.

Esta ultrapassagem por parte da Hermès acontece em um momento em que os três gigantes do luxo revelaram aumentos no preço das suas ações. O preço das ações da Hermès saltou 23%: a 9 de fevereiro deste ano, não ultrapassavam os 420 euros. Exatamente no mesmo período, a Kering cresceu 18% e a LVMH 20%.

No entanto, Luca Solca adverte que o mercado estava provavelmente no seu auge, devido a um ambiente muito propício para o comércio recentemente e também a preocupações causadas por uma possível insatisfação por parte dos consumidores chineses.

"A difícil relação entre Donald Trump e a China está causando o receio de um potencial declínio no entusiasmo dos clientes chineses, o que levaria a uma queda na indústria de bens de luxo. Neste contexto, as ações da Hermès são as mais bem posicionadas. Percebemos que quando o setor de luxo explode, a Hermès tende a reduzir o seu desempenho. Quando o mercado está um pouco mais difícil, é quando uma marca institucional como a Hermès está no seu melhor. Por isso, esperamos que a Hermès tenha mais estabilidade e resistência nos próximos dois trimestres, como a LVMH e a Brunello Cucinelli", diz Luca Solca.

O preço das ações da Hermès é obviamente influenciado pelas margens notáveis ​​apresentadas pela marca. A sua famosa loja de dois andares no Faubourg St Honoré alcançou, no ano passado, um lucro líquido de 1,226 bilhões de euros, com uma impressionante margem de 22% do seu volume de negócios anual. O lucro operacional da Hermès, de 1,922 bilhões de euros, representou 35% das suas vendas anuais.

A Kering, em comparação, divulgou um lucro líquido de 1,865 bilhões de euros, apenas 12% do seu volume de negócios anual de 15,477 bilhões de euros. A sua margem operacional foi de 2,706 bilhões de euros, ou 17,5% do seu volume de negócios anual.

A LVMH, por seu lado, relatou lucros de 5,616 bilhões de euros em 2017, 13% do volume de negócios anual de 42,636 bilhões de euros do grupo, enquanto a sua margem operacional de 8,116 bilhões representou 19% das suas receitas anuais. Em outras palavras, os dois grandes grupos de luxo registaram margens mais ou menos semelhantes em 2017, mas estão significativamente abaixo das margens da Hermès. O otimismo cauteloso de Luca Solca não se estende, no entanto, a todas as marcas mencionadas, especialmente às marcas italianas.

"Não acredito que as marcas Ferragamo e Tod’s estejam prestes a se reerguer. Elas continuarão estagnadas. No meu ponto de vista, neste setor a salvação está na inovação de produto, e estas marcas ainda estão longe nesse sentido. Elas são muito conservadoras e baseadas em ícones do passado. A Hermès também não está na liderança quando se trata de inovação. Ela também está muito ligada ao passado, mas mantém a liderança pela simples razão de que há muito mais procura pelos seus ícones. E [no passado] ela abriu um pouco mais de espaço para a inovação e isso gerou resultados”, conclui Luca Solca.

Traduzido por Estela Ataíde

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