Facebook sugere que não haja compensação para utilizadores europeus afetados por violação de dados

É improvável que o Facebook compense os 2,7 milhões de utilizadores europeus cujos dados foram indevidamente partilhados com a consultora política Cambridge Analytica, visto que não foram partilhados dados confidenciais de contas bancárias, informou a empresa na quarta-feira.
CEO do Facebook, Mark Zuckerberg - Reuters

A maior rede social do mundo respondia a perguntas dos legisladores da União Europeia, que não conseguiram obter respostas por parte do presidente-executivo Mark Zuckerberg durante um interrogatório no dia anterior no Parlamento Europeu, com sede em Bruxelas.

“Isto foi claramente uma quebra de confiança. No entanto, é importante recordar que não foram partilhados quaisquer dados de contas bancárias, informações de cartões de crédito ou números de identificação nacional", disse o Facebook num comunicado.
 
“A maioria das pessoas deram à aplicação aqui em questão acesso a informações como o seu perfil público, bem como às suas preferências de páginas, lista de amigos e data de aniversário. O mesmo acontece com amigos cujas configurações permitiam a partilha”.

De acordo com a empresa, o desenvolvedor do aplicativo envolvido na violação de dados havia vendido informações sobre utilizadores dos Estados Unidos, e não sobre utilizadores da União Europeia, à Cambridge Analytica.
 
O Facebook e a Cambridge Analytica já são alvo de uma queixa coletiva apresentada por um residente de Maryland que solicita uma indemnização pela exploração dos dados dos utilizadores dos Estados Unidos sem a permissão dos mesmos.

Em resposta às preocupações dos legisladores da UE sobre o uso de dados de utilizadores que não são do Facebook sem o seu conhecimento, a empresa afirmou ser clara relativamente às informações recolhidas e diz esperar que os sites e aplicativos sejam igualmente transparentes através da sua política de dados ou de cookies.

A empresa disse ainda que os utilizadores que não são do Facebook poderiam perguntar, através do centro de ajuda, que tipo de dados haviam sido recolhidos acerca de si, mas indica que a empresa não cria perfis sobre os mesmos.

A empresa também rejeitou sugestões de que separa os dados pessoais dos utilizadores entre Facebook e WhatsApp, dizendo que a partilha de dados é necessária para ajudar a combater conteúdo abusivo ou spam nos seus serviços.

E rejeitou igualmente a proposta de outro legislador da UE de separar o Facebook Messenger e o WhatsApp, mencionando os benefícios que um serviço em pacote oferece aos consumidores.

Traduzido por Estela Ataíde

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