Evento Week-end Textile Première Vision alcança bons resultados em SP

O evento promovido pela Première Vision São Paulo em parceria com o Instituto Rio Moda e apoio da Canatiba e Werner, terminou de forma positiva no sábado último (23). O Week-End Textile, em forma de workshop, aconteceu na sede ABIT em São Paulo e contou com jovens estilistas da moda nacional e internacional.

O Guia JeansWear foi conferir de perto como foi o evento e conversar com os estilistas portugueses convidados Marques Almeida e com a finlandesa Satu Maaranen, que ministraram os workshops “redesigning denim” e “estamparia radical em seda” respectivamente, e também com Olivia Merquior, coordenadora de moda para a América Latina da Première Vision.
Interação entre os convidades internacionais e o público do evento.

O objetivo do evento, primeiro da Première Vision no mundo, era aproximar as marcas e os estilistas da matéria-prima. “Depois de cinco anos no Brasil, percebemos a distância dos estilistas e das marcas em relação às tecelagens. Parte disso é consequência da formação superior dos cursos de moda, que foca muito mais no intangível, como a pesquisa de tendência e o desenvolvimento teórico da coleção, do que na parte material, na modelagem, costura e produção física da peça. É claro que a pesquisa é muito importante, mas o estilista precisa saber como se comporta um tecido, ele precisa saber modelar e costurar, mesmo que não faça isso no seu dia a dia. Esse caminho é essencial para criar novas tendências, ao invés de só seguir o que já existe, é durante o processo de produção que novas e únicas ideias aparecem. Não é à toa que novos designers surgem com mais frequência em Londres e outros países do exterior, onde a primeira coisa que recebem na faculdade de moda é uma mesa de modelagem e uma máquina de costura, isso é fundamental para a boa formação do estilista e para uma indústria criativa”, afirmou Olivia Merquior.

Outro importante objetivo do workshop era a troca de culturas: “escolhemos designers internacionais não porque não temos excelentes designers no Brasil, mas porque queríamos oferecer essa troca de culturas, positiva para ambas as partes”, acrescenta Olivia.

E de fato a troca foi positiva, os estilistas Marta Marques e Paulo Almeida ficaram impressionados com a importância do jeans no Brasil: “não fazíamos ideia de que o denim era tão importante aqui no Brasil e ficamos extremamente contentes quando tivemos a oportunidade de conhecer os tecidos Canatiba, principalmente as opções de 100% algodão, que vínhamos buscando há tempos”, afirmou Marta.
Os portugueses da Marques Almeida em ação durante o evento

Assim como Satu Maaranen, que ainda iria conhecer a fábrica da Werner para escolher as sedas brasileiras que levaria para casa, Marques Almeida também pretendiam investir nos jeans da Canatiba: “definitivamente vamos tentar importar alguns tecidos da Canatiba para nossas próximas coleções”, afirmaram os criativos.

Olivia Merquior ressalta a importância de valorizar a produção local e quando ela fala de moda do Brasil, fala em moda feita no Brasil, por mãos brasileiras e não uma moda a caráter: “nós devemos pensar globalmente e agir localmente, não podemos ter um teto de vidro, que a qualquer problema, desmorone sobre nós. Se vem um embargo e toda a produção feita na Ásia fica presa meses na alfândega, como é que faz? A marca não tem produto para vender? Estamos ficando cada vez mais escassos de bons modelistas, boas costureiras e a produção local vai morrendo, queremos reviver isso para fortalecer toda a indústria”, afirma.

Não coincidentemente, a dupla Marques Almeida é um bom exemplo de estilistas que sabem trabalhar o denim de forma manual e que focam na produção local, alcançando cada vez mais sucesso. A última coleção da marca tomou conta de todos os editoriais de moda das revistas mais importantes e as vendas se mostraram positivas: “A Semana de Moda de Londres é muito importante para nós, foi onde tivemos a oportunidade de mostrar nosso trabalho para um público ainda maior”, comenta Marta.

“Mas mesmo tendo que viabilizar as peças em maior escala, toda a coleção e todas as peças nascem de forma manual. Temos um contato muito estreito com o tecido. Um bom exemplo da importância desse contato foi a última coleção, quando estávamos desenvolvendo a camiseta de jeans e decidimos na última hora que seria mais interessante deixá-la sem acabamento. O item acabou se tornando um sucesso e isso só aconteceu pelo contato e tempo dedicado ao desenvolvimento da peça”, afirmaram Paulo e Marta.
A finlandesa Satu Maaranen trabalhando em sua oficina.

Quando questionada sobre os resultados do evento, Olivia afirma que, de imediato, eles são intangíveis: “é algo imensurável, a principio o que pude ter foi um feedback muito positivo de todos os envolvidos, mas nós queremos mudanças significativas a longo prazo e com certeza haverá outros eventos como esse para incentivar e fomentar toda a industria”.

Por fim, Olivia afirmou que mesmo o workshop sendo pago, toda a verba foi destinada para o evento em si e que o objetivo da Première Vision com o Week-end Textile não é financeiro, “a ideia foi misturar culturas, instigar a curiosidade dos novos estilistas e fazer essa troca de conhecimento entre os profissionais”, finaliza.

Imagens: Divulgação

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