Encontro com Tommy Hilfiger: "Considero Xangai uma das capitais da moda contemporânea"

O FashionNetwork.com conversou com Tommy Hilfiger na terça-feira (4) pela manhã, antes de seu desfile em Xangai, para entender um pouco mais sobre sua conquista do mercado chinês, a colaboração com Lewis Hamilton, e o lançamento de sua nova coleção - Icons of Tomorrow. O estilista também nos deu um primeiro vislumbre de outra futura colaboração, com a marca de streetwear Kith, que será lançada no Brooklyn na quarta-feira. Para o designer americano, a Kith é a nova Supreme.
 
O estilista de 67 anos foi para a China para organizar um desfile imponente na célebre zona à beira-mar de Xangai, com o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton, sucessor da modelo Gigi Hadid como colaborador da marca. Ele estava vestido com uma calça chino cru, um blazer Hilfiger, é claro, uma camisa engomada de gola alta e um par de tênis brancos personalizados por sua esposa, Dee Ocleppo.
 
Nos encontramos em sua suíte no hotel Peninsula para abordar em profundidade tudo sobre sua marca e como ela superou a Calvin Klein - ambas as empresas pertencem ao grupo PVH - em termos de vendas globais e alcance. Questionamos também o estilista sobre qual seria o seu emprego dos sonhos se trabalhasse na Europa. Resposta: diretor artístico da Saint Laurent.


Tommy Hilfiger e Lewis Hamilton

FashionNetwork.com: Por que você escolheu a China para realizar este evento?
 
Tommy Hilfiger: Considero Xangai como uma das capitais da moda contemporânea, e ela abriga uma enorme legião de fãs da marca Tommy Hilfiger. A Ásia é o nosso território que mais cresce e a China é quase metade disso. A região Ásia-Pacífico cresce mais rápido que qualquer outra e atualmente representa um terço dos nossos negócios.

FNW: Por que lançar a coleção criada em colaboração com Lewis Hamilton na China?

TH: Lewis Hamilton é mundialmente conhecido e tem um grande número de admiradores aqui. E desde que adotamos o conceito de "see now, buy now", estamos sempre olhando para o futuro. Onde ir em seguida?
 
Lewis trouxe muitas ideias. Ele apareceu em nossos estúdios em Amsterdã, Nova York e Londres com um enorme estoque de idéias; fotos, roupas de seu próprio guarda-roupa, idéias muito específicas sobre o que ele queria fazer. Em seguida, nossa equipe de design e produção cuidaram de tudo. Ele participou da seleção de todas as cores e tecidos. Nós fizemos de tudo para conseguir criar exatamente o que ele queria. Sua contribuição foi percebida em todas as etapas do processo. Gigi era muito ativa, mas não tanto quanto Lewis. Ele experimentou todas as peças, participou do styling do lookbook e de todos os looks do desfile. Ele é apaixonado por moda e cuidou até mesmo da trilha sonora, escolhendo os artistas, as faixas que seriam tocadas e sua ordem!

Além da linha criada com Lewis, apresentaremos a coleção feminina e nossa nova linha, "Icons of Tomorrow", com peças icônicas do nosso legado, modernizadas e apresentadas nos ícones atuais, os millennials. A coleção não teve a contribuição criativa deles, mas foi inspirada neles, os verdadeiros influenciadores da atualidade.

FNW: Há três anos, o conceito "see now, buy now" era cotado como o próximo grande passo no varejo, mas ele funcionou para poucos. Como você conseguiu fazer dele um sucesso?
 
TH: Nosso cliente é jovem, é um millennial em busca de satisfação imediata, empolgação, experiências diretas. Alguns estilistas vendem itens muito caros e orientados para pessoas em seus 50 anos, no entanto, este público não tem tanta urgência. Mas, se um millennial encontra um produto que realmente lhe agrada, como uma colaboração com Gigi ou Lewis, ele quer comprar e usar no mesmo dia. É por isso que operamos dessa maneira.
 
FNW: Atualmente, a moda está obcecada com a athleisure. Trata-se uma mania recente? Qual é a sua visão sobre esse fenômeno?

TH:
Olha, eu uso athleisure o tempo todo. Toda vez que eu pego o avião, eu uso minhas calças de moletom. Eu pretendo até mesmo usar uma hoje à noite, e pedi a Lewis para tomar a decisão por mim! É uma questão de conforto. Você deve se recordar que, nos anos 90, criamos o conceito antes de todos! Veja os comerciais que fizemos no começo da década com Kate Hudson, as filhas de Rod Stewart e Quincy Jones, e o filho de Kareem Abdul Jabbar: todos são filhos de celebridades. Não é muito diferente do que está sendo veiculado hoje. Isso é streetwear e athleisure, então, na minha opinião, somos em grande parte os criadores desse fenômeno.
 
Tommy Hilfiger aponta para uma nova publicação in-house - um look de outra colaboração, coma marca Kith.
 
Esta aqui estreia quarta-feira no Brooklyn; é uma edição limitada que será vendida apenas na Kith. A marca tem lojas em lugares como Nova York, Miami, Los Angeles, e Bergdorf Goodman. É a nova Supreme. É ele, o cara. Todos os clientes da Supreme estão migrando para a Kith, porque a Supreme se tornou incrivelmente comercial; até mesmo crianças de 13, 14 anos de idade estão comprando peças da Supreme hoje, enquanto os millennials estão comprando na Kith.
 
Ele (o fundador da Kith, Ronnie Fieg) fez pesquisas em nossos arquivos; extraiu algumas idéias do passado para recria-las à sua maneira. Ele recebeu carta branca para uma coleção inteira. Adidas, Reebok, Nike e New Balance já usaram seu talento como designer. Nós até organizamos uma colaboração tripla entre Timberland, Kith e Tommy Hilfiger. Os primeiros modelos serão vendidos no site da Kith na quarta-feira à noite. Os clientes de Londres e Paris estão morrendo de impaciência para que ele abra uma loja lá!


Winne Harlow e Hailey Baldwin para Tommy Icons - Tommy Hilfiger

FNW: Como você se sente tendo superado a Calvin Klein? A marca começou antes de você, tem um nome forte, e atualmente conta com um designer que está gerando muita atenção.
 
TH: Eu só desejo o melhor para Calvin Klein, pois se os negócios forem bons para a Calvin Klein, eles serão bons para a PVH, e isso será bom para todos. Na Hilfiger, temos crescimento e entusiasmo (no último trimestre, as receitas da Tommy Hilfiger aumentaram 15% em relação ao ano anterior, atingindo 1.025 bilhão de dólares, ou 888,5 milhões de euros. As receitas da Calvin Klein aumentaram 18%, para 925 milhões de dólares, ou 801,8 milhões de euros. A ideia não é olhar para trás, mas seguir em frente, aproveitando cada minuto. Ainda não acredito no sucesso da marca, mesmo depois de todos esses anos, e no que diz respeito ao "see now, buy now". Acredite, foi uma tarefa muito árdua rever todo o processo de fabricação! Um verdadeiro pesadelo logístico. Mas nós fizemos isso porque estávamos apaixonados por isso! Uma energia boa foi injetada na empresa toda.
 
FNW: Há muita polêmica no mundo da moda, mas também no da Fórmula 1. Seu primeiro investidor foi Lawrence Stroll, cujo filho Lance é agora um piloto de Fórmula 1. Recentemente, Lewis Hamilton fez críticas à Lance depois que este foi escolhido no lugar de Esteban Ocon, piloto mais experiente, para assumir a liderança da equipe Force India, financiada pelo pai de Lance. Lewis Hamilton até declarou: "Não podemos deixar alguém com mais dinheiro ficar à frente de um piloto melhor. Isso não deveria acontecer". Qual o seu parecer sobre isso?
 
TH: Para falar a verdade, nunca me envolvo nessas questões políticas. Lewis é obviamente o melhor piloto do mundo, e Lance tem apenas 19 anos. Ele conquistou seu lugar na Fórmula 1, e chegou em 10º na semana passada, o que não é ruim para um jovem de 19 anos. Desejo-lhe boa sorte.
 
FNW: Lewis Hamilton é agora então um estilista?
 
TH: Hum... ainda não. Mas será. Ele é apaixonado e este é apenas o começo. Já estamos desenhando a próxima coleção. Com Gigi, a colaboração durou quatro temporadas, e este pode ser o caso de Lewis.
 
FNW: Qual sensação você quer despertar no público chinês que assistir ao desfile?
 
TH: Eu quero que eles sintam que realmente precisam comprar a coleção inteira! Eu quero que eles amem e usem as roupas, e esperem ansiosos pela próxima coleção.

FNW: Você se arrepende de nunca ter desenhado para outra marca? Se alguma grande marca europeia lhe chamasse, quem você gostaria que fosse?

TH: Saint Laurent! Eu a teria feito bem rock and roll, sem dúvida!

Traduzido por Novello Dariella

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