Em Cannes, atriz Robin Wright diz que Trump está roubando as melhores ideias de House of Cards

Durante o evento "Women in Motion", parceria entre a Kering e o Festival de Cinema de Cannes, que promove a contribuição das mulheres na indústria do cinema, a atriz americana Robin Wright falou, entre outros temas, sobre empoderamento feminino, seu curta-metragem em exibição no Festival, Michelle Obama e Donald Trump. 


Em Cannes, Robin Wright abriu o evento "Women in Motion", da Kering - Archiv

"Feminismo significa igualdade – igualdade em direitos e igualdade em salários. Muitos dos CFOs e CEOs de grandes corporações são mulheres, que geram bilhões para suas empresas. Então, por que não podemos ter isso cinema ou na política? Eu quero Michelle Obama no topo. Ela seria uma grande presidente mulher, ela está quebrando paradigmas. Embora talvez leve tempo para Michelle para isso acontecer", disse Wright, falando do sétimo andar da suíte da Kering, no hotel Majestic, em Cannes.
 
Wright faz o papel da durona Claire, esposa do ambicioso presidente Francis Underwood, interpretado pelo ator Kevin Spacey, na mundialmente cultuada série, "House of Cards”, da Netflix. Seriam esses personagens baseados em políticos da vida real?
 
"Me disseram que foram inspirados em Lady Macbeth e Ricardo III", brincou Wright arrancando muitos risos das 80 pessoas presentes na platéia.
 
"Embora eu não pense que precisamos nos aprofundar em política, pois se você quiser política, pode assistir aos telejornais, é deles que tiramos muitas das idéias, em especial das notícias dos últimos dias. Trump roubou todas as minhas idéias para a sexta temporada!", disse a atriz, arrancando ainda mais risos. 

Perguntada sobre o motivo de apenas 7% dos filmes serem dirigidos por mulheres, a atriz comentou: "É uma questão de tempo e de rompimento das tradições. Por que não temos filmes da Tunísia e Vietnã? Sim, nós temos aqui em Cannes. Mas temos que ampliar os horizontes. Precisamos de mais nacionalidades e perspectivas no cinema", disse Wright, vestida em traje preto da estilista britânica, Stella McCartney.

Seu bate-papo no "Women in Motion” abriu uma série de outros, patrocinados pelo conglomerado de luxo, Kering. Sua lista de convidados famosos inclui Isabelle Huppert, Yang Yang, Salma Hayek (esposa do CEO e proprietário da Kering, François Henri Pinault), e Diane Kruger.
 
Em Cannes, Robin Wright está divulgando ˜The Dark of Night˜, um curta-metragem de 7 minutos; Huppert estrela no filme ˜Happy End” de Michael Haneke, e Kruger está no filme de Fatih Akin's ”In the Fade”.

"Nós tivemos a equipe de House of Cards trabalhando de graça aos fins de semana para realizar este curta-metragem. Nós filmamos aos sábados e domingos por 12 horas. Todos se dedicaram e fizeram seu melhor trabalho. O motivo pelo qual eu o fiz foi para descobrir novos estilos. Em House of Cards estamos muito engessados, não tiramos as lentes de 100mm de cena. Neste filme, queríamos ver personagens reagindo em seu ambiente, e não apenas um monte de cortes rápidos e close-ups", explicou a texana loira, que contou com o apoio de amigos e família para financiar este filme, e arrecadou mais de 50.000 dólares em crowd funding.
 
 "Atuar é um pouco como assistir a um animal caçando e reagindo a outros animais. Com diretor, você deixa o ator se soltar um pouco, e então você tenta dirigi-lo", comentou Wright, que em sua juventude foi modelo em Nova York e Paris, antes de se aventurar na direção de sete episódios de House of Cards.

Falando em Kevin Spacey, ela argumentou que a série é "a união perfeita de ambos os sexos. O presidente aniquila e devora as pessoas, ele é tão expressivo, tão verbal. Isso cria um equilíbrio com a quietude, estoicismo e discernimento de Claire", disse ela em debate com o editor da Variety, Ramin Setoodeh.
 
Sobre sua vida pessoal, Robin fez uma reflexão: "Levei muito tempo para crescer como mulher, depois de crescer muito rápido quando criança. Passei por divórcio e mudanças, estive em torno de um monte de gente a maior parte do tempo, me adaptando. Quando você se move muito rápido é difícil se envolver com as pessoas e dói quando você as deixa.”
 
Perguntada por uma jovem da plateia sobre qual o papel mais sexista que já interpretou, Wright fez uma pausa, respirou fundo e continuou: “Em Paris, quando eu tinha 17 anos fui em um teste e alguém pediu para eu levantar a minha blusa e mostrar meus peitos. Em seguida a pessoa disse "Não! Gostaria de ver mais uma garota". “Foi uma mulher que me pediu para fazer isso e eu não consegui o emprego."
 
Perguntada se o tapete vermelho de alguma forma explora as mulheres, ela declarou: "O tapete vermelho sempre vai estar centrado em moda. É pra isso que ele existe! É uma troca e fazemos isso em favor uns aos outros "
 
Robin interpreta também a General Antíope no filme “Mulher Maravilha”, que entrará em cartaz em breve. "O que é realmente legal, e isto pode soar cafona, tipo frase de cartão de Hallmark, é que este filme é sobre uma super-heroína, então uma geração de meninas e meninos irá em massa ao cinema ver o filme. E ele fala sobre amor e justiça, que é grande mensagem."

Traduzido por Novello Dariella

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