Destaque para a criatividade asiática com Beautiful People, Anaïs Jourden e Ximonlee

Inseridas no lr do último dia da Fashion Week, entre as estrelas Chanel e Louis Vuitton, três jovens marcas asiáticas provaram que merecem o seu lugar nas passarelas da Cidade Luz com coleções inovadoras e de qualidade. Beautiful People e Anaïs Jourden, que estrearam na última temporada, confirmaram o seu potencial, enquanto o chinês de origem coreana Ximon Lee completou com sucesso a sua primeira passagem pelas passarelas parisienses.


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Beautiful People, primavera-verão 2019 - © PixelFormula

A Beautiful People propôs na terça-feira uma moda passível de moldar a gosto, uma espécie de work in progress, oferecendo um jogo infinito de possibilidades. Podemos divertir-nos a amarrar, desatar, empilhar, estratificar, aliviar, abrir, dividir e transformar continuamente. Este guarda-roupa inteiramente personalizável é composto por peças em linho, algodão leve e enrugado ao sal, tops, malhas, sobretudos, saias e vestidos estivais com espírito de lingerie, numa paleta em tons naturais de off-white, azul céu e preto, com rosas e bordeaux através de uma tintura de vinho, com um toque de lima.
 
Graças a longos cordões, uma saia finamente plissada é amarrada na cintura ou pendura-se ao pescoço como um avental. Noutro look, envolve o corpo criando um vestido de folhos, ou, enrolada duas vezes, acrescenta volume a um vestido extensível, enquanto dobrada inteiramente nas costas pode formar uma cauda. Microtops com correias sobrepõem-se a malhas, pequenos bustiers desabotoam-se sobre um vestido, casacos fecham-se ou abrem-se a gosto com um fecho-éclair ou penduram-se nas alças nas costas para maior liberdade de movimentos.

"Inventamos uma técnica chamada "side C" que nos permite utilizar, através de uma costura especial, interior, exterior e forro de vestuário de todas as maneiras possíveis. É uma espécie de terceira via entre a desconstrução e a recomposição", resume no backstage o talentoso criador japonês Hidenori Kumakiri, que lançou a sua marca de prêt-à-porter feminino há dez anos. Desde a última temporada, esta é distribuída na Europa pela Tomorrow London. No total, a marca conta com 80 clientes multimarca e cinco pontos de venda próprios (três em Tóquio e dois em Osaka).
 
O estilo também permanece muito estival na Anaïs Jourden, mas num registro completamente diferente. A jovem designer Anaïs Mak, saída da burguesia de Hong Kong, escolheu para o seu segundo desfile parisiense o ambiente escuro, banhado em luz vermelha, do Whisper, um clube de strip-tease localizado perto dos Champs-Elysées, na rue de Berri.


Um look Anaïs Jourden para o verão 2019 - FashionNetwork.com ph Dominique Muret

No entanto, não foram strippers seminus que a designer fez desfilar sobre o chão alcatifado do clube, mas sim jovens ingênuas em cândidos vestidos brancos cortados em algodão ou tecidos leves em relevo. Os vestidos, também disponíveis em rosa pálido, são drapeados próximo do corpo ou mais fluidos e assimétricos com jogos de folhos e pinças.
 
Estas jovens desempenham o papel das mulheres glamourosas ligeiramente subversivas, parecendo mundanas quando se empoleiram em mules de tacões-agulha vertiginosos, enfiando casacos brilhantes ou sobretudos em voile transparente sobre macacões de seda ou conjuntos em moiré.

Mudança de cenário na Ximonlee, que nos faz passear, à noite, sobre os paralelepípedos molhados de uma garagem sombria apenas iluminada por luzes de néon pálidas. Para o seu primeiro desfile no calendário parisiense, esta marca de prêt-à-porter com sede em Berlim e produzida em Xangai optou por um impacto forte com silhuetas de gênero indefinido revestidas com tecidos preciosos e brilhantes.
 
Com o cabelo a escorrer sobre o rosto brilhante, como com gotas de água, e usando tamancos coloridos cuja tinta ainda fresca escorre pelos lados, homens e mulheres avançam em vestidos-túnica tradicionais chineses, com gola levantada e abotoados na lateral. Este modelo é apresentado em todos os tipos de materiais: jersey monocromático com fechos simples, num tecido encerado roxo aos quadrados, completamente coberto de lantejoulas, em voile de organza transparente azulada decorado com bordados amarelos que desenham um dragão.


Um look Ximonlee - FashionNetwork.com ph Dominique Muret

Ximon Lee mistura alegremente as roupas mais luxuosas, com suntuosos blazers ou tailleurs de jacquard em tecidos damasco brilhantes, inspirados em tapeçarias antigas chinesas, com looks mais simples e altamente contemporâneos, como os conjuntos de camisa e shorts XL de pugilista em cetim preto ou o sobretudo em denim com costura branca.
 
Aos 27 anos, o criador já percorreu um belo percurso. Originalmente da Coreia, cresceu na China antes de se mudar para Nova Iorque, onde estudou na Parsons School of Design. Assistente de Prabal Gurung, Calvin Klein e Philip Lim, lançou a sua própria marca de menswear em 2014 e conquistou o H&M Design Award.

Com sede em Berlim, enriquece o seu universo com looks femininos e desfila em Londres. "Mas, agora, quero posicionar-me em Paris para ganhar visibilidade e apresentar melhor o meu trabalho artesanal e a extensa pesquisa de tecidos. Da próxima vez, vou desfilar durante semana masculina, que corresponde melhor aos nossos timings de produção", revela no backstage Ximon Lee, que soma uma dúzia de clientes multimarca, principalmente na Ásia, mas também nos Estados Unidos. 

Traduzido por Estela Ataíde

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