Designer Jorgito Donadelli fala sobre o Top de Estilismo

Um dos principais footwear designers do país, Jorgito Donadelli foi um dos cinco jurados que tiveram a difícil missão de escolher os vencedores do 19º Prêmio Francal Top de Estilismo 2013. Especializado em calçados masculinos, sua experiência no segmento foi adquirida ao longo de anos trabalhando na fábrica da família, em Franca, interior paulista.

O empresário comanda a marca homônima, que se sustenta por meio de três frentes: e-commerce, lojas licenciadas e vendas em multimarcas. A primeira foi inaugurada em Maringá (PR) e faz parte da estratégia da marca, que, no primeiro momento, pretende expandir-se por todos os estados da Região Sul, São Paulo, Brasília e na sequência pelas demais regiões do Brasil.

Jornal Exclusivo: O que você achou dos produtos apresentados de forma geral no concurso?
Jorgito Donadelli: De maneira geral, achei os produtos bons, percebe-se nitidamente que muito deles foram feitos em boas fábricas, com bons equipamentos, pois apresentam boa qualidade de acabamento.

Jornal Exclusivo: Sobre os calçados masculinos, os representantes de Franca dominaram as inscrições. Das 141 inscrições feitas para esta edição do concurso, 25 vieram de Franca, o que a credencia como a região com maior número de participantes entre as 61 cidades que tiveram amostras enviadas por estudantes e profissionais em design de calçados e bolsas. O que você acha dessa procura?
JD: Acredito que o fato do polo francano ser bastante antigo facilite este movimento. Em Franca não é difícil achar alguém que trabalhe em fábrica de calçados, faz parte da cultura da cidade e isto sem dúvida desperta a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Franca esteve, durante anos, focada basicamente em copiar o que os importadores traziam e depois produzir quantidades gigantescas desses itens sem se preocupar com o design próprio. Quando o “grande volume” migrou para outros polos produtores nossas fabricas se viram obrigadas a inovar para que continuassem tendo a mínima condição de mostrar-se em feiras e eventos do setor.

Jornal Exclusivo: O que você achou dos produtos ganhadores?
JD: Acredito que muitos participantes francanos já trabalhem nos setores de desenvolvimento de boas fábricas, isso os faz ter contato com estilistas de importantes marcas e também provoca uma imersão no desenvolvimento. É nítida a diferença de uma peca feita à mão por um estudante de outra estudada e trabalha dentro de uma fábrica. Achei os modelos ganhadores inovadores e comerciais, o que nem sempre se consegue em concursos de estilo.

Jornal Exclusivo: Você já tinha acompanhado edições anteriores do concurso. É possível comparar a qualidade do material apresentado? Houve evolução?
JD: Sem dúvida houve, mas vale ressaltar que alguns participantes ainda menosprezam o conhecimento dos jurados ao apresentarem “cópias” de produtos de importantes marcas. Sabemos que a fonte de inspiração é a mesma para todos – inclusive para as marcas –, mas, como jurado, espero ver no produto a interpretação do estilista e não apenas uma cópia de algo que já existe. Na categoria produtos reciclados, fica ainda mais nítido que alguns participantes acreditam que os jurados não têm conhecimento técnico ao apresentarem justificativas técnicas infundadas para o uso de alguns produtos.

Enfim, vejo uma grande evolução não só na qualidade de alguns protótipos apresentados, mas acima de tudo na originalidade de alguns deles. Confesso que gostaria que “mais alguns” pudessem ter ganhado. Definir os três primeiros não foi uma tarefa simples. Os participantes estão de parabéns pelo conjunto apresentado.

Foto: Divulgação

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