Catástrofe no Japão faz tremer o mercado de luxo do país

PARIS, 16 de março 2011 (AFP) -Substituído pela China, o Japão já não era mais o eldorado do luxo, mas ele continua sendo um dos seus principais mercados. Com a catástrofe ambiental, os grandes grupos como LVMH e Hermès viram suas ações caírem.


Foto AFP


O recuo mais forte do CAC 40 em Paris na terça-feira (15|03) ficou com o grupo francês PPR (Gucci, Balenciaga, Yves Saint Laurent...) que mergulhou em uma baixa de 5,29% depois de já ter caído 2,49% na véspera. As ações da numéro um mundial do setor, LVMH (Louis Vuitton, Givenchy, Moët e Chandon...) baixaram 2,20%, depois de uma queda maior que 3% na segunda-feira.

O mesmo se percebeu nas outras bolsas europeias : a britânica Burberry perdeu 1,16% depois de uma baixa de 7% en séance. Os grupos suiços Richemont (Cartier, Mont-Blanc...) e Swatch caíram 3,62% e 2,70% respectivamente.
Os principais interessados não fazem nenhum comentário sobre estes números. Eles colocam em primeiro lugar este drama sem precedente que vive o Japão e a urgência de garantir a segurança dos seus funcionários que estão no local.

"Nossas forças estão concentradas nos nossos colaboradores, nas suas saúdes e nas suas seguranças ", frisa o diretor geral adjunto da Hermès, Patrick Albaladejo.

Louis Vuitton, marca de destaque no Japão e que tem resulta em uma boa rentabilidade ao LVMH, ressalta os laços peculiares que os ligam ao Japão há 30 anos. O grupo se engajou em ações da Cruz Vermelha nipônica para ajudar o país.

O mercado do luxo, que conquistou esta nova terra desde os anos 80, e onde se destacaram grifes como a Louis Vuitton, Chanel e Hermès, está em baixa há 20 anos, sublinha Serge Carreira, mestre de conferências da Sciences-Po. Porém, « apesar do seu relativo declínio, o Japão continua sendo um mercado que as grandes marcas de luxo não podem negligenciar ».

O arquipélago representa ainda 11% das vendas mundiais do setor, de acordo com a broker CM-CIC Securities.

Na Hermès, o peso é ainda mais significativo, com 19% das vendas totais. Para a italiana Bulgari, é de 18% ; de 17% para a americana Tiffany ;14% para o grupo de luxo PPR (Gucci, Yves Saint-Laurent etc) ; 9% para a LVMH (mas 16% no que se refere à moda e à acessórios de acordo com a CM-CIC Securities).

"Se há 10 anos, o peso da clientela japonesa era preponderante nesta indústria, já não se pode falar o mesmo atualmente devido ao aumento da clientela chinesa ", explicam os analistas do departamento de análise da Aurel.

A China conseguiu até mesmo se equiparar ao Japão no primeiro lugar dos clientes da Louis Vuitton.

Se em 1995 o Japão representava 23% das vendas do grupo de Bernard Arnault, ano do terremoto de Kobé, hoje ele não passa de 9%, sustenta Aurel.

E foi o reequilíbrio geográfico em benefício da China e a “longa crise no Japão as responsáveis por modificar o comportamento dos consumidores japoneses”, analisa M. Carreira.

Eles passaram a comprar das lojas de departamento "fast fashion", como Zara, Uniqlo e H&M, que propõem uma moda “fashion” com preços baixos.

As grifes, no entanto, não abandonaram o Japão e inclusive abriram algumas boutiques: a Hermès inaugurou quatro em 2010, tanto quanto na China.

Exceto se houver uma nova devastação, o impacto da catástrofe no Japão será limitada, estimam os analistas. Até porque os japoneses podem comprar nos seus países - já que a maior parte das lojas estão em zonas que não foram afetadas - ou no exterior.

Entretanto, a Louis Vuitton, que tem 57 boutiques no arquipélago, fechou 22 no norte e ao redor de Tokyo. Para Serge Carreira, as « perspectivas de uma forte e brusca desaceleração do mercado são praticamente certas".

Par Dominique AGEORGES

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