Brasil terá primeiro índice de transparência da moda

O Brasil vai ganhar seu primeiro índice de transparência da moda. Em outubro, a ONG internacional Fashion Revolution vai lançar a edição nacional do seu “Índice de Transparência da Moda Fashion Revolution”, que analisa dezenas de varejistas e os classifica de acordo com critérios como política e compromissos, governança, rastreabilidade, entre outros.


Da esquerda: Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, Eloisa Artuso, coordenadora educacional do Fashion Revolution Brasil e Aron Belinky, coordenador do FGVces. - Foto: Igor Arthuzo / Divulgação

O objetivo é indicar o quão transparente as empresas são ao divulgar informações em seus canais, como site e relatórios de responsabilidade social corporativa (RSC) ou sustentabilidade. O projeto tem como parceiro técnico o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVces), e como apoiador institucional, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex). 

"O Brasil dispõe de uma grande variedade de matérias-primas, possui polos produtivos em diferentes regiões com capacidades específicas, comunidades tradicionais e saberes locais valiosos como rendas, bordados e outros trabalhos manuais. Por outro lado, o país apresenta problemas relacionados a condições de trabalho precárias e análogas à escrava, necessita de maiores investimentos em inovação e sustentabilidade, sofre com altas cargas tributárias, com a falta de qualificação da mão de obra e com a concorrência de matérias-primas ou produtos manufaturados vindos dos países asiáticos. Com isso, as demandas do setor estão se transformando, os modelos de negócios estão sendo questionados e sentindo a real necessidade de se aprimorarem ou reinventarem", afirmou ao Fashion Network, a gestora do projeto, Eloisa Artuso.

Para esta primeira edição, 20 marcas foram escolhidas para a análise, de acordo com uma amostra baseada em faturamento e representatividade no segmento de atuação: Animale, Farm, Malwee, Osklen, Brooksfield, Marisa, Havaianas, Pernambucanas, C&A, Hering, Cia. Marítima, Melissa, Riachuelo, John John, Moleca, Renner, Ellus, Le Lis Blanc, Olimpikus e Zara.

Ao Fashion Network, Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, ressaltou que, no processo de evolução da indústria da moda, a transparência é uma forma de dar visibilidade às empresas que investem em responsabilidade social e que atuam em conformidade, consequentemente, ampliando e estimulando as oportunidades de negócios em um ambiente sustentável:

"Com o notável empoderamento do consumidor, que vem se tornando cada vez mais consciente da necessidade de escolhas e dos impactos do seu consumo, o diálogo e a transparência entre quem produz e quem consome é extremamente fundamental".

A ideia é que o relatório se torne uma ferramenta construtiva na melhoria de toda a indústria, na elaboração de políticas públicas, e na disponibilização de informações úteis ao consumidor, para a formação de pensamento crítico.

A equipe do FGVces é responsável pela adequação da metodologia global ao contexto brasileiro, e na correalização do levantamento, processamento e análise dos dados coletados das empresas. Já a ABVTEX tem como papel facilitar e mediar o processo de comunicação entre o Fashion Revolution e as marcas, visto que a maioria delas são associadas e signatárias do programa de monitoramento de fornecedores desenvolvido pela entidade, o Programa ABVTEX

O Índice de Transparência da Moda é um projeto que existe globalmente desde 2016 e teve sua terceira edição lançada em abril, em Londres.
 

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