Animale e A.Brand são acusadas de trabalho escravo

As marcas brasileiras de moda feminina de luxo pertencentes ao grupo Soma, Animale e A.Brand, foram acusadas de trabalho escravo por fiscais do trabalho que, após investigação realizada no mês de setembro, encontraram em três oficinas de costura em São Paulo imigrantes bolivianos em condições consideradas de escravidão.


Look Animale - Animale

Segundo informações dos fiscais ao G1, os trabalhadores faziam jornadas de mais de 12 horas por dia costurando roupas para as marcas, e recebiam em média R$ 5 por peça produzida, que chegavam ao consumidor final por valores até 120 vezes maiores. Além disso, as máquinas de costura ficavam ao lado das camas dos trabalhadores, e crianças brincavam entre as máquinas e pilhas de tecidos.

Em comunicado emitido pelas marcas e divulgado em suas redes sociais, ambas disseram que desconheciam as condições expostas, lamentaram o ocorrido e atribuíram a um fornecedor o descumprimento da legislação trabalhista. Elas declararam que trata-se de um episódio isolado no qual a fornecedora subcontratou serviços sem o consentimento das marcas e descumpriu a cláusula do contrato de prestação de serviços que proíbe a utilização de mão de obra escrava. As marcas ressaltaram que "não compactuam com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção”.

Segundo o comunicado, "todos os seus fornecedores assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente e a não realizar a contratação de trabalhadores nessas condições”. As marcas informaram que tomaram medidas para tornar mais rigorosa a fiscalização de sua cadeia produtiva e que prestaram "significativa ajuda humanitária" aos profissionais encontrados.

A Animale tem faturamento anual de cerca de 550 milhões de reais, e vende cerca de 800 mil peças por ano em 70 lojas físicas próprias e 574 pontos de venda de 19 estados do país. A A.Brand possui 10 lojas em 6 estados. 

As marcas de luxo do grupo Soma entram para a lista de 37 marcas de moda envolvidas com trabalho escravo no Brasil nos últimos oito anos, segundo dados do aplicativo Moda Livre, da ONG Repórter Brasil.  O aplicativo foi criado em 2013 para promover o consumo consciente de roupas. Ele monitora e avalia 119 empresas de moda, denunciando quem pratica, já praticou trabalho escravo, ou teve associação com fornecedores envolvidos com situações inadequadas. A avaliação é baseada em quatro indicadores: políticas, monitoramento, transparência e histórico, que classificam as empresas nas categorias, verde, amarelo e vermelho. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente em smartphones com sistema IOS e Android.  
 

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